Reportagens

Nossos desejos para 2025

Ouvimos protagonistas de nossa área, além de nosso público, para responder a uma pergunta: “O que você espera da cena e do mercado da maconha em 2025?”
09|01|25

Se 2024 foi ano de descriminalização, da liberação do plantio industrial e medicinal, de receios da PEC 45 e da prisão de influenciadoras, o que 2025 pode trazer de desafios e conquistas para adeptos da erva e dos psicodélicos? A Breeza ouviu o público dos e das breezers, perguntando no nosso Instagram: O que você espera da cena e do mercado da maconha em 2025? E aí repetimos a questão para dezenas de protagonistas de nosso campo, de empreendedores a ativistas, advogados, comunicadores e cientistas.

Em meio às respostas, muitos elogios ao trabalho da Breeza em 2024 e queremos agradecer a todos e todas. Olha o que nos disse Emilio Figueiredo, advogado que, para quem é do meio, dispensa apresentações: “Certamente a Breeza foi o ponto alto da comunicação neste ano no Brasil. Mostrou muita consistência e furou nossa bolha várias vezes com informações interessantíssimas e super positivas”. Ficamos lisonjeados com a quantidade de leitores e de referências do ramo que comentaram como “furamos a bolha”.

Só que são muitos e diversos os desafios. Nos disse o ator e produtor Luís Navarro, referência também por empreender na cultura canábica como com o documentário “Ver de Perto” (sacou o jogo de palavras?) e a adaptação teatral da HQ “Diamba”, que estão em produção: “Vejo a Breeza e outros canais de comunicação tentando fazer esse trabalho de formiguinha. Sem verba e sem apoio, não vamos conseguir. (temos de) Dar as mãos e ir pra cima pra levar informação necessária, consciente e informativa para a população”. A roda é mais forte quando unida.

Leitores enviaram para nosso perfil no Instagram quais são as expectativas para 2025. Alguns querem conseguir trabalho no meio, outros comentaram de esperanças para o cenário político e econômico. “Que a cena se veja menos como oba oba e mais como  autocuidado”, pediu um. “Maconha nos quintais do povo!!! Autocultivo agroecológico e agroflorestas!”, desejou outra.

Filipe Vilicic, publisher da Breeza, ouviu vários e várias protagonistas de nossa cena que responderam para a Breeza a questão: “O que você espera da cena e do mercado da maconha em 2025?”. Confira o que ilustres de nossa comunidade tem a dizer (em ordem alfabética):

Ana Júlia Kiss, da Humora

“Espero que a gente cada vez mais consolide, normalize e integralize a cannabis na nossa vida, também com um lugar no Industrial, na Saúde. Que a gente entenda que acima de tudo tem de privilegiar a saúde de nossa população, com acesso a melhores e maiores tecnologias. Fico feliz que já está sendo nacionalizado, em farmácias, em grandes distribuições pelo serviço de saúde pública. São ciclos de evolução e não podemos parar na primeira etapa. Que a gente se fortaleça mais, mas não trate, como costuma tratar o Brasil, como uma monocultura exploratória. Precisamos sempre agregar tecnologia e acesso a inovação, pro mercado e pro público”.

Bruno Ramos Gomes, doutor em saúde pública

O campo dos psicodélicos sofreu algumas frustrações em 2024, não se avançou como se imaginava a aprovação do MDMA pela FDA (nos EUA), mas é um campo que continua a crescer. Por exemplo, com o aumento de clínicas. Esperamos novas ações no campo da psilocibina, com novas aprovações. Podemos esperar avanços importantes que vão ampliar o campo no Brasil”

Bruno Soares, tenista e empreendedor

“Que a turma realmente coloque a devida atenção sobre esse assunto e realmente entenda o real valor dessa planta maravilhosa e todos os benefícios dela para a saúde e a  longevidade do ser humano. Outro desejo é que nossos tomadores de decisões realmente deixem de lado a parte burocrática, preconceituosa e muitas vezes política do negócio e realmente tenham esse olhar da saúde, pros benefícios que traz para todos nós”.

Caroline Apple, comunicadora

“Espero conexão! Que as pessoas realmente se conectem com a essência dos ensinamentos dessa planta. Que é de união, bem-estar, subversão do sistema. Tem um apelo de subversão do sistema, e hoje estamos pegando essa planta como forma de responsabilizar a ação do coletivo e a colocando dentro do sistema, transformando só numa grande commodity. É uma perda inestimável da potência que ela tem de transformar a gente de dentro pra fora. Se a gente conseguir realmente entender e ver mudanças significativas ao redor! Mas conforme os anos vão passando e o mercado vai crescendo, sinto muita desconexão com os ensinamentos dessa planta, muitas desavenças, muitas concorrências desleais em alguns momentos, vendo essa planta só como um produto, sem conexão nenhuma com ela. Às vezes (a pessoa) nunca teve acesso, nem mesmo medicinal, nunca usou. (desejo) Mais conexão e que a gente consiga aprender um pouquinho do que a planta tem a ensinar. Mas não estou vendo isso no que está acontecendo”.

Cristina Segatto, da organização do Curso de Extensão sobre o Uso Terapêutico da Cannabis Sativa, da Unifesp com o MovReCam

“Espero que o Brasil consolide avanços significativos na regulamentação da cannabis, reconhecendo e respeitando a sustentabilidade a a singularidade do modelo associativo brasileiro, que é único no mundo e reflete a força comunitária e a capacidade de inovação social de um país que, apesar das diversidades, encontra formas criativas e solidárias de atender demandas de pacientes e pesquisadores. Isso vai permitir que o país seja uma referência global de como a cannabis pode ser integrada à saúde pública, ao desenvolvimento social, de forma ética e inclusiva. Além disso, espero que o mercado da cannabis ao crescer não perca de vista os princípios de equidade e da sustentabilidade. Que seja construído a partir de diálogo constante entre associações, empresas, academia, governo, para que ciência e acesso sejam pilares desse ecossistema”.

Daniel Paiva, cartunista, autor de “Diamba” e que está fazendo “Diamba 2” 

“A gente sempre tem a esperança de que a maconha seja legalizada para todos. Que acabe o massacre aos pobres que acontece em nome de uma hipócrita Guerra às Drogas. Mas, sendo realista, acho que vão continuar os avanços na regulamentação da cannabis medicinal e industrial, porém, em relação ao uso adulto e social, ainda veremos retrocessos: o nosso congresso reacionário ainda deve contra-atacar com a infame PEC 45/2023, que criminaliza a posse e o porte de quaisquer drogas e entorpecentes em qualquer quantidade. Acredito que essa PEC seja considerada inconstitucional, mas, mesmo assim, vai dar uma dor de cabeça e atrasar o processo de legalização da maconha”.

Diva Sativa, ativista, como da Marcha da Maconha de SP

“Pra cena: Espero entender como a descriminalização impactará a vida de pessoas negras e periféricas. Será que a nossa percepção de segurança e acesso à planta tem aumentado? Ou é mais um passo de formiguinha pra enxugar gelo (aka sangue) , ou seja, uma lei ineficaz e incompleta?

Pro mercado: Um diálogo maior com as pessoas usuárias em suas diferentes realidades. Já passou da hora de ampliar os usos e acessos, conversar e entender que o mercado da cannabis não deve servir apenas ao capital, mas também a interesses sociais intrínsecos a qualquer debate sério que seja feito no nosso país“.

Emilio Figueiredo, advogado

​​”Espero que os processos judiciais sobre maconha sejam revistos a partir dos julgamentos do STF e do STJ para que quem está preso seja colocado em liberdade. Espero que o cultivo doméstico de maconha para fins medicinais deixe de ser um privilégio de quem tem habeas corpus e passe a ser direito de todos a partir de uma súmula vinculante ou de uma regulamentação. Espero que os empreendimentos com maconha tenham uma função social de reparação histórica dos danos causados pela proibição violenta. Espero que o debate político avance com a aprovação de uma lei federal sobre a maconha e o seu cultivo trazendo regulamentações com critérios diferentes para empresas e para associações de pacientes. Espero que as pesquisas com maconha avancem e que tenhamos evidências robustas sobre o uso no alívio da dor e do sofrimento. Espero que cresça muita maconha no Brasil, não mais proibida, mas legalizada, e que isso venha a colocar comida no prato do trabalhador brasileiro“.

Fabricio Penafiel, da Bem Bolado

“O que desejo para 2025 é a democratização da maconha, ou seja, que todas as leis que permeiam e regem o segmento sejam iguais para todos, independentemente de cor, raça, credo, de (orientação) sexual e X. Porque hoje o principal problema da maconha é social e racial. O que desejo é democracia”.

Fernando Velho, da Flowermind

“Falando do mercado em geral, espero que seja um ano de mais avanços de regulamentações da cannabis no Brasil, o que ajuda o mercado a crescer, empresas a terem estímulo e o aumento de demandas para gerar mais recursos e para que possamos trabalhar e fazer cada vez mais. Essa estabilidade é essencial, ainda mais pra gente do Rio Grande do Sul, que sofreu muito neste ano, ainda mais com os imprevistos das enchentes, o que acabou repercutindo bastante.

A gente (da Flowermind) acredita muito no novo momento de expansão, com novos produtos, de evolução como um todo. Tem aqui até uma questão interna de solução de problemas, embalagens novas, novo patamar para produtos, experiências para clientes, evolução contínua na empresa”.

Henrique Carneiro, historiador, professor da USP e pioneiro do ativismo canábico

“Acho que há duas tendências que são contraditórias, mas em alguma medida se combinam. Uma é a continuidade de direitos democráticos de ampliação do espaço da cannabis, que já é enorme nos EUA, no Canadá e etc., onde alcançou a legalização. No Brasil existe um enorme anacronismo, sobretudo por razões ideológicas do alto conservadorismo de uma oligarquia governante do país, do Parlamento. Há imensa resistência dessa dimensão ideológica e conservadora. Mas do ponto de vista pragmático, dos interesses econômicos, há setores que se dão conta que a maconha é uma enorme commodity, é um produto em imenso crescimento em escala internacional, e a transferência da esfera ilegal pra legalizada, controlada, por um lado vai trazer recursos pra sociedade, pro Estado, em forma de impostos e diminuição do circuito de violência que cerca esse comércio. Por isso tudo, a legalização é necessidade, haverá também retirada de um lucro enorme que é do mercaod ilegal.

O Brasil é provavelmente o segundo maior consumidor de maconha do mundo, talvez, provavelmente depois dos EUA. A dimensão proibida, ilegal, aumenta o valor agregado da renda desse ramo comercial, que é imenso, que se infiltra em todas as instituições. Junto com a própria repressão do sistema policial, se vincula a grandes grupos econômicos que fazem a lavagem do dinheiro. A esse setor não interessa legalização, pois afere imenso lucro (o ilegal). Esses dois elementos vão estar em confronto no país no mesmo contexto que outras lutas e disputas políticas.

Na escala internacional, há crescimento da extrema direita, com Tump, aliado ao bolsonarismo, que cria obstáculos à legalização dessa planta e, portanto, à conquista de maiores direitos sociais e democráticos. Por outro lado, há um enorme movimento internacional que vai em prol da legalização, como no Canadá, no México, no Uruguai, na Europa, e até mesmo na Ásia. Vejo aspectos positivos, assim como a absorção desse mercado por grandes grupos econômicos, que vão tentar dominá-lo como fazem com cigarro e álcool. O que vai levar à homogeneização de um tipo de produto mais voltado a dar lucro para as grandes empresas, do que aquele voltado ao cultivo caseiro, de cepas específicas.

Há perspectivas positivas e negativas, ligadas aos debates contextuais da disputa da cena brasileira e internacional. Se houver ampliação do espaço da extrema direita, vai regredir o direito social, dos consumidores, e a possibilidade de uma normalização. Se esse movimento de extrema direita for restrito e houver crescimento de um polo alternativo, pode ser que se intensifique o processo de fim do paradigma proibicionista”.

Larissa Uchida, CEO da ExpoCannabis Brasil

“Com as novidades previstas para o próximo ano, especialmente em relação à regulamentação pela Anvisa do cultivo e desenvolvimento da indústria de cannabis para fins medicinais no Brasil, estou bastante otimista em relação ao futuro do setor. Espero que em 2025 tenhamos um mercado mais robusto, seguro e acessível, que possa atender de forma eficaz às necessidades dos pacientes brasileiros.

Vejo a regulamentação como um passo crucial para estimular o investimento em pesquisa e desenvolvimento, fomentar a inovação e criar um ambiente de negócios saudável que possa atrair mais empreendedores no setor. Espero também que essa mudança regulatória impulsione a criação de novos empregos, desde o cultivo até a produção e distribuição de produtos de alta qualidade.

Minha expectativa é que o Brasil se consolide como um líder na América Latina em termos de produção e exportação de cannabis, aproveitando nossa expertise agrícola e a nossa biodiversidade única. Além disso, espero que a regulamentação promova uma maior conscientização e aceitação social em relação ao uso da cannabis de diversas formas e não somente ao uso medicinal, quebrando barreiras e estigmas ainda existentes com relação à planta.

A indústria da cannabis tem o potencial de impulsionar o crescimento econômico, criar empregos e atrair investimentos no setor. Ao promover práticas sustentáveis através de produtos ecológicos, a regulamentação mais ampla também ajudaria a mitigar impactos ambientais, impulsionando a inovação tecnológica e beneficiando diversos setores”.

Lauro Pontes, psicólogo e professor universitário

“A cena vai continuar igual, com mudanças lentas e em velocidades diferentes. O pobre, na periferia, vai continuar na marginalidade, tomando esculacho da polícia. Talvez um pouco menos, em um desenvolvimento social muito lento. Por outro lado, a liberação do cânhamo leva à tendência de ter um mercado em expansão a partir de 2025. E tem a reafirmação da medicina, em parte pelas farmacêuticas, e com mais produtos em farmácias de bairro. Para os brancos de classe média e ricos, a maconha está acessível e não é mais  proibida, se consegue inclusive comprar flor”.

Leonel Camasão, vereador em Florianópolis

“Espero que em 2025 tenhamos mais países com o plantio legalizado, e que o Brasil avance no mesmo sentido. A legalização do plantio e do comércio tem potencial de atacar problemas estruturais do país, tanto na segurança pública, na saúde e na preservação do meio ambiente. A legalização da maconha é essencial para uma sociedade mais justa e menos racista”.

Luís Mauricio, baixista do Natiruts, empreendedor e presidente da Associação Brasileira de Cannabis e do Cânhamo Industrial

“Estou bastante esperançoso, visto o que tem acontecido nos últimos anos. Muita coisa mudou, só pensar que hoje tem ExpoCannabis acontecendo pra quase 40 mil pessoas no brasil, dobrou de tamanho, uma das maiores da América Latina. Já vemos medicamentos a base de cannabis entrando no SUS em vários estados, autorização do STJ votada por unanimidade a favor do plantio para fins medicinais e industriais. Tivemos decisões importantes no STF, que separa o que é usuário de traficante. Uma causa urgente, precisava dessa regulamentação há um tempo. Usuário não é bandido. Muitas coisas estão acontecendo e que em 2025 continuemos avançando para o Brasil se tornar protagonista de cannabis em termos industriais. Vai gerar muito emprego e o Brasil vai avançar!˜.

Luís Navarro, ator e produtor

“Da cena, espero que ela rompa as barreiras da bolha. Toda a comunicação que tem da cannabis, quando pergunto pra uma mãe ou pai que não tá habituado a ter essa info, continuam demonizando a maconha… espero que a cena comunique pra fora da bolha. Que em 2025 a gente consiga de fato uma recuperação histórica de marcas que consigam empreender no ramo de e com pessoas pretas e indígenas. A maioria dos CNPJs são de pessoas brancas, e que isso melhore em 2025. E que a economia com potencial bilionário consiga apoiar isso. Vejo com os meus projetos, especificamente, tentativas frustrantes pra conseguir verba, pra furar essa bolha, e ainda não consegui. Vejo a Breeza e outros canais de comunicação tentando fazer esse trabalho de formiguinha. Sem verba e sem apoio, não vamos conseguir. (temos de) Dar as mãos e ir pra cima pra levar informação necessária, consciente e informativa para a população”.

Luna Vargas, comunicadora e educadora

“Espero que as empresas, os trabalhadores e os consumidores de cannabis compreendam a importância de equilibrar a balança a nosso favor. Atualmente, a cadeia produtiva da planta tende a estar majoritariamente nas mãos do agronegócio e da indústria farmacêutica. Por isso, acredito que a organização e a união serão fundamentais para disputarmos esse campo de maneira justa e estratégica. Tenho confiança porque contamos com a planta e a ciência ao nosso lado, além de um grande número de pessoas que compartilham a cultura e a necessidade de acesso. Isso nos fortalece. Nesse contexto, a educação e a comunicação terão papel essencial. Serão nossas maiores aliadas para informar, conscientizar e mobilizar a sociedade, pavimentando o caminho para uma regulamentação mais inclusiva e democrática”.

Marcela Machado, da Blis

“Que em 2025 as pessoas entendam os benefícios da cannabis e usem cada vez mais para conseguirem viver melhor todos os dias e encontrar sua melhor versão! E como a forma mais fácil e prática de entender e viver a experiência da cannabis no Brasil é pela Blis, espero venham conosco”.

Murilo Nicolau, advogado e colunista da Breeza

“Talvez umas duas semanas atrás eu daria resposta diferente do que vou dar. Vejo mais luta, mais trabalho, mais dificuldades que teremos de enfrentar. O Governo Lula está se isentando de cumprir prazo do STJ, dá tristeza. Já foi pedido ampliação do prazo para 12 meses, e não se sabe se o STJ vai ampliar ou não. A sensação que fica é de que não vão se preocupar com o paciente. 2025 será de mais luta, mais pancadaria, mais briga, porque nosso tema é latente e está cansado de esperar. Óbvio que tenho certeza que vai melhorar em vários aspectos, principalmente na ampliação do tema do debate na sociedade. Mas terá mais luta!”.

Nathan Candido, da Humora

“Até agora batemos muito na tecla do médico, da indústria farmacêutica. De educar o médico para prescrever e tudo mais. Isso vai continuar, mas em 2025 vamos subir a régua para que existam mais variedade de produtos no Brasil. Terá menos, mas com mais qualidade, e acredito que o diferencial será que as novas iniciativas vão estar perto do potencial do paciente.

Seja veículo de mídia, como a Breeza, ou serviços, terão novas marcas e empresas nascendo com soluções pro paciente, focadas nele. Não só tão focadas em médicos. Isso vai pedir da cena um olhar de educação, pois tem muitos preconceitos e barreiras. 2025 será o ano da educação! De falar com o paciente para expandir o mercado, para que ele procure os médicos.

Se pede olhar de educação do setor pois novas frentes vão se abrir, não só no medicinal e no uso crônico. Começamos a ganhar consciência da cannabis em sua totalidade, seja em usos do dia a dia, como no alívio de uma enxaqueca. Não precisa ser algo crônico, pode ser para regular o meu humor. Isso vai pedir do mercado um novo nível de educação da planta para que as pessoas entendam outras formas de usos, além do óleo. Como gomas, sprays, balms, gel, loção. Mas não só nesse sentido, mas em outros espaços, como com suplementos. Como semente de cânhamo, proteína. Vai começar a ganhar corpo, extrapolando pro uso industrial e têxtil.

Um ano ótimo para investir em educação, em projetos que impactam em levar informação, conhecimento e entretenimento sobre cannabis para as pessoas. Vai ser o ano de fato em que as pessoas vão estar abertas a ler, ouvir e assistir sobre cannabis, antes de consumir! Sair da bolha! E extrapolar a bolha vai pedir educação.  As pessoas que estão ouvindo falar disso, vão se perguntar: para que a planta serve?

A cannabis vai se tornar mais acessível, comprar óleo valerá mais (pelo preço mais em conta) na farmácia do que o importado. Então as marcas terão de se diferenciar nas formas de uso, já que o óleo será dominado pela Big Pharma. E terão de fazer investimento em educação e em quebrar o tabu com a cannabis”. 

Santo Legaliza, ativista e político

Espero que sejam postas em liberdade as mais de 65.000 pessoas presas com menos de 40g; que a polícia não atormente mais quem está com sua maconha na quebrada, na balada ou viajando; e que o cultivo caseiro se torne uma realidade em todo o país, com cada pessoa adulta tendo o seu direito aos 6 pés fêmeas garantido. Assim, teremos mais de 1 bilhão de plantas espalhando o seu aroma pelo Brasil.

Para o mercado, espero que continue crescendo, mas que compreenda que a maconha é cultura popular e que foi a resistência negra que manteve a chama acesa por todos esses longos anos de violenta opressão. Com isso em mente, que saibam dividir o seu lucro, com a reparação social e histórica que se faz necessária”.

Filipe Vilicic