Reportagens

A Breeza se espalha

Um relato de como foi a ExpoCannabis pelo nosso olhar. No espaço da Breeza recebemos o público, tivemos roleta de brindes, visitas ilustres e o que mais espalhou: nossas entrevistas ao vivo, que vão virar podcast e videocast

Um relato de Filipe Vilicic, nosso publisher

“Vem, vem, vem pra Marcha, vem… fumar maconha!”. No bandeirão à frente, “Não à PEC 45”. A PEC 45 é a proposta do Congresso que visa regredir na descriminalização pelo STF, criminalizando qualquer posse de drogas. Projeto apoiado pelo PL, partido de Jair Bolsonaro e também do prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi. Ele tem a ver com a história pois estava lá sentado no estúdio da Breeza na ExpoCannabis Brasil do último fim de semana (dias 14, 15 e 16 de novembro). Enquanto falava, pedimos um pouco de silêncio para ouvir e respeitar a Marcha passando.

Será que Volpi é o primeiro político do PL, da direita mais pra lá da direita, a estar numa Marcha da Maconha? Olha, provavelmente apoiando a cannabis, deve ser o primeiro, mesmo, pois se teve outro, aposto que estava lá na turma do contra. Perguntei a Volpi o que achava disso, mas logo o político divergiu, num caminho de positivismo para a causa.

O prefeito de Ribeirão Pires, cidade no interior de SP, tem a dizer sobre a erva e por isso lá estava sentado para ser questionado por mim, Filipe Vilicic, e por Anita Krepp, fundadores da Breeza. Trouxemos para a roda de conversa dezesseis nomes da Cultura, das Ciências, da Política e mais, em entrevistas ao vivo e que foram gravadas para com o tempo publicarmos nos canais e redes da Breeza, em vídeos, podcast e textos.

Volpi foi convidado porque Ribeirão Pires foi a primeira cidade paulista a criar, em março de 2022, lei para implantação de política municipal de medicamentos à base de canabidiol. Três anos depois, em março de 2025, inaugurou a primeira clínica pública de cannabis medicinal do Brasil. Tudo em parceria com a associação Flor da Vida, com sede em Franca e que atende 15 mil famílias. E isso ele sendo do PL, mesmo partido do delegado e ex-prefeito paulista que coordenou a desastrosa operação que destruíu a Associação Santa Gaia; e não deixamos de questionar Volpi sobre isso também, confira quando sair o podcast e o vídeo completos.

A diversidade de ideologias dos nomes que estiveram em nossas entrevistas reflete como a cannabis pode ser pauta que perpassa direitas e esquerdas. Da esquerda, falamos com o deputado estadual Renato Freitas (PT-PR), preto e assumidamente maconheiro (como nós da Breeza, ele não esconde que fuma), que enquanto escrevo esse texto tem um vídeo viralizado no qual troca socos com outro homem, branco, numa calçada em Curitiba. Freitas inclusive foi perguntado por nós como foi ter sido perseguido, caçado, preso em outras situações. E também tivemos na roda os mais próximos de um centro mais à esquerda, como Caio França (PSB-SP) e Eduardo Suplicy (PT-SP). 

Trouxemos personalidades da Cultura, do Comportamento, da Ciência e mais. Do pesquisador e escritor Bruno Paes Manso, que tudo entende de segurança pública, à influencer Hana Khalil e os rappers Don L e Afro-X, ícone da era MTV.

Eu e a Anita ficamos concentrados lá no nosso estúdio, com entrevistas atrás de entrevistas. Vou compartilhar com vocês, breezers, que no plano inicial eram para ser três conversas, uma em cada dia. Porém, convidados e convidadas aceitaram os convites, nos empolgamos, viraram 16 entrevistas. Algumas inéditas e deliciosas demais de ouvir vão sair como podcast e videocast, outras que já tínhamos como papos de nosso Saindo da Estufa, como o Don L e o Suplicy, vamos dar agora em vídeo, e todas são e serão compartilhadas em nossas redes em vídeos e outros conteúdos.

Vários estilos de maconheiros

A ExpoCannabis nos traz cenas inusitadas, ano a ano, principalmente se você vivencia intensamente, da montagem pré-feira à desmontagem pós. Tem político do PL em meio à Marcha, tem de muito ao menos um pouco. Em uma conversa em uma reunião um dia antes da abertura com a Maria Eugênia Riscala, da Kaya Mind, e a Ana Júlia Kiss, da Humora, rimos de como o mundo canábico tem de todo tipo de gente: quem é da maquiagem e roupas caras; os e as mais hippies; farialimers; ativistas; cientistas; médicos; quem vai pela música, quem vai pelos negócios, quem vai apresentar paper, quem vai pra fumar uns baseados (aí, quase todo mundo, né?, tâmo junto).

Há maconheiros de todos os tipos e isso tá longe de ser inesperado. Algo é certo: quem vai, quer saber mais da planta e de diversas formas de uso de drogas. Um assunto que nos trouxe a influencer Hana Khalil, por exemplo, é o de como balancear a cannabis com seu hábito de fumar tabaco – ela, como virou costume de muitos e muitas da sua geração, mescla os dois na hora de bolar. Tem como curtir com consciência e responsabilidade?

Sim, tem como, e comprovamos com nosso Guia da Boa Breeza, que espalhamos gratuitamente a quem procura táticas de redução de danos, seja na vida pessoal ou como profissional da área, que abrange da saúde à assistência social. O Guia foi um sucesso, esgotaram nossos 700 exemplares e apareceu gente procurando depois que acabou. Após pegar e conferir, tinham aqueles que voltavam pra nosso stand da Breeza Ao Vivo para comentar e perguntar mais sobre.

O Guia da Boa Breeza teve edição especial para a ExpoCannabis, mas é aberto pra todo mundo no site boa.breeza.com.br, onde pode baixá-lo gratuitamente. É uma referência em redução de danos, em projeto construído já ao longo de quase dois anos, e que traz informações e conhecimento do assunto com reportagens e respondendo a perguntas essenciais de quem usa, sempre com base em conversas com dezenas de especialistas.

Não só do que é planejado vive a Expo, é bem pelo contrário. Se propor a estar na Expo é se abrir para as surpresas de vários tipos.

Na pré-feira, tinha de ir e voltar de outra cidade próxima, pegar estrada, e numa dessas um carro rodou na minha frente e, por algum instinto de sorte… ou seriam as divindades? viva Jah!… consegui desviar três vezes dele e escapamos de um grave acidente, eu e o outro motorista. Somam-se a ideias que queremos mudar ao levantar o stand, buscas por brindes, bug no celular logo no início da Expo, e uma ansiedade que só alivia com sativa. Um bolo de expectativas compartilhado pelos e pelas colegas que empreendem no cannabusiness: uns só acabaram de levantar o stand no dia de abertura, outros tiveram equipamentos furtados, cada um em sua novela.

A apreensão nunca sai de vez, pois dá aquele nervosismo de “tudo tem de dar certo”. Chegar ao primeiro dia, já é uma glória, assim como terminar o último vem com felicidade e alívio. A ExpoCannabis linda, diversa e fazendo barulho, de sexta a domingo. Não lembro de ter visto tantas filas em um evento de maconha quanto naquele sábado e, para mim, sem esse público grandioso, a Expo não seria o que é. “Bombou”, do jeito que falamos em Sampa!

Quando a roleta da Breeza começou a girar, veio o “ufa!” de que estava rolando, fazendo filas que chegaram a se dobrar várias vezes para caber no nosso cantinho no setor cultural. A parceira Flora Urbana, que desperta a atenção do público com suas sementes de primeiríssima e é nossa apoiadora na coluna de cultivo A Semente, ajudou a elevar a brincadeira a outro patamar. Com a marca Breeza, fez cinzeiros e cuias que distribuímos aos sortudos da roleta, junto com kits que os visitantes iam buscar na área de nossa parceira, logo ao lado do palco principal, que trouxe variedade da música canábica.

O pessoal comentou que lembrava da brincadeira de quando a Breeza montou seu circo na Head Grow, em agosto. A roleta Breeza, virando tradição nas festas canábicas! A Flora entrou com a gente nessa na Head Grow, se abrindo para a ideia lá mesmo, e aprimorou a proposta pra ExpoCannabis.

Desta vez, complementou a roleta a Lion Rolling Circus, que oferecia kits a breezers que nos visitavam e depois passavam pelo stand da marca, a poucos metros do nosso. Esperamos em breve contar de uma parceria de conteúdo que estamos construindo com a Lion para 2026.

Teve DJ set de improviso, quando o Jota3 colocou lá as pick-ups e pediu pra fazer uns minutos de som antes de começarmos uma entrevista mais das caretas, ar mais sério, com o deputado Caio França, seguida de outro com ele próprio, o DJ. Também houveram imprevistos técnicos, encontros inusitados, aglomeração na porta do estúdio de quem esperava Eduardo Suplicy sair para pedir autógrafo.

Ver a Breeza fazer ao vivo na Expo e dar tão certo, é um prazer imenso. Mas só é possível porque temos vocês, breezers, não só nos visitando, como sempre aqui no nosso site, no nosso podcast, nas nossas redes e em breve com os vídeos que fizemos na maior feira canábica da América Latina.

É gostoso demais ouvir de quem nos ouve: “Que legal poder ver o rosto de vocês, que escuto no podcast”. Ser parado pelos corredores para elogiar nossas entrevistas e reportagens. Vocês gostarem do nosso conteúdo é o que faz a Breeza e estar presente ao vivo nos dá mais gás necessário para continuar a ousar, a não ter medo de seguir em frente, por maior que seja o desafio de construir uma nova mídia… em tempos de jornalismo em crise… sobre assuntos ousados e polêmicos… com a grana do próprio bolso… passando desventuras em série com entrevistados, processos judiciais de quem quer reprimir nosso trabalho, Instagram que derruba nosso perfil… e tanto mais.

Obrigado, breezers, por nos permitir resistir, existir e fazer ao vivo.