Por Filipe Vilicic

A democracia venceu no Brasil. E aqui não é sobre direita ou esquerda, mas sobre preservar os valores e o jogo democrático, inclusive blindando a existência da esquerda e da (real) direita, aquela que se guiava pelo Adam Smith e prezava pelas liberdades individuais, pela autopropriedade (do corpo e da mente), e que defenderia pautas como legalização das drogas, aborto, eutanásia, e que mesmo quando falava de mercado livre, não desvinculava do conceito de coexistência. A direita com a qual um cara como eu, social-democrata de esquerda, gostava de conversar, debater, chegar a princípios comuns.
Flávio Bolsonaro não é de direita, nem de esquerda, é um miliciano filhinho de papai (ou, como disse Lula, grã-fino) que nunca defendeu valores como os de Adam Smith, e que representa uma abominação política, criminal e social desta década de 2020. Nessas eleições tão conturbadas, nós – os brasileiros, os cidadãos, os verdadeiros patriotas, os democratas, os republicanos, os maconheiros, os progressistas… – devemos muito a alguns nomes que deram a cara a tapa e que nos defenderam na linha de frente. Na Breeza temos orgulho de, ao longo de nossos quase 3 anos em cena, termos entrevistado dezenas dessas figuras, sejam da esquerda ou da direita (como Alberto Fraga, deputado federal pelo PL de Bolsonaro).
Em uma semana que comemoramos a vitória do processo democrático brasileiro, destacamos aqui o que alguns desses nomes nos disseram sobre pautas progressistas, como dialogar com quem pensa diferente de nós, legalização das drogas e outros temas que formam os pilares da nossa revista (e da democracia). Em entrevistas para Anita Krepp e para mim, Filipe Vilicic, que somos os fundadores da Breeza e do podcast Saindo da Estufa. Confira:
“Sou um Romário da política porque o Romário é alguém que nunca se furtou de assumir posições, tanto em campo quanto fora (…) As fake news e ataques que sofro são, em parte, consequência da forma como ajo. Eu ataco, cobro, aponto o dedo, então seria incoerente me vitimizar — estou colhendo o que plantei”
André Janones, deputado federal (Rede-MG) e “general” do Exército do Lula. Confira a entrevista completa também em nosso podcast.
“Nós temos hoje um Congresso que é o que é (…) eu de fato olho pra esse Congresso hoje e tenho pavor de pensar nesse lugar. Mas eu espero muito que nós estejamos construindo esse lugar. Até ontem não podíamos nos imaginar vereadora, nos tornamos deputada federal, podemos nos tornar senadora e, por que não, nos tornarmos presidente da República”
Erika Hilton, deputada federal (Psol-SP). Confira a entrevista completa também em nosso podcast.
“A melhor maneira da gente conseguir mudanças significativas na sociedade é a partir da consciência, da mobilização, da gente ter um discurso e uma narrativa que nos aproxime e não afaste. Eu acho que hoje a extrema direita joga muito com a questão do medo, o medo das famílias, das mães (…) se a gente quer avançar, a gente precisa ter as nossas narrativas, disputar elas e mostrar para as pessoas as melhores saídas”
Guilherme Cortez, deputado federal (Psol-SP). Confira a entrevista completa também em nosso podcast.
“A extrema direita perdeu o espaço na agenda de defesa da soberania, da bandeira do Brasil. Como é que eles vão justificar uma agenda de defesa da soberania com Eduardo Bolsonaro estimulando um ataque dos Estados Unidos ao Brasil? (…) A manutenção das nossas forças contra os ataques dos reacionários tem que ser respostas coletivas”
Glauber Braga, deputado federal (Psol-RJ). Confira a entrevista completa também em nosso podcast.
“A composição do Congresso é uma distorção da composição da sociedade, não acho que é um retrato fiel. Quem tem mais dinheiro, quem tem mais estrutura, tempo de TV, menos pudor ou família já na política, tem muito mais condição do que qualquer pessoa que venha de um movimento, então aquilo não é um retrato real, e é por isso também que é tão desigual”
Sâmia Bomfim, deputada federal (Psol-SP). Confira a entrevista completa também em nosso podcast.
“O Congresso só aprova o que tem apelo popular ou está na ‘janela de oportunidade’ (…) A gente vive um tempo em que derrotar a extrema direita também faz com que candidatos majoritários tenham que fazer concessões na agenda”
Manuela d’Ávila, ex-deputada federal e foi candidata a senadora pelo Rio Grande do Sul. Confira a entrevista completa também em nosso podcast.
“Muitas manadas, a maioria delas, e a do bolsonarismo hoje é um exemplo, rumam sempre para um precipício”
Renato Freitas, deputado federal (PT-PR). Confira a entrevista completa também em nosso podcast.