
Guilherme Cortez é uma ovelha negra da política. Uma daquelas que faz jus à canção de Rita Lee, pela ousadia que a gente gosta na Breeza. Bissexual, líder estudantil, o conheci pessoalmente em cima do trio do bloco de rua Ezatamentchy, no Carnaval deste ano em SP. Montado, fantasiado, de glitter, batia o leque rosa que a Breeza distribuiu na folia, enquanto discursava da importância de estar com PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) pra fazer um sexo gostoso.
Guilherme ganhou fama nacional em 2022, ao protagonizar um vídeo viral na qual bateu de frente com o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (aquele que queria passar a boiada), nas ruas de Franca, sua cidade-natal. Aos 24 anos de idade, foi catapultado para deputado estadual e, agora, quatro anos depois, avalia se vai ou não aceitar o convite de seu partido, o Psol, para se candidatar a federal.
Na entrevista a seguir comigo, Filipe Vilicic, editor aqui da Breeza, Guilherme Cortez fala de seu uso de cannabis medicinal para lidar com ansiedade e insônia no primeiro ano do mandato, da defesa da legalização da maconha e de como vê seus amigos maconheiros, apesar dele próprio ser careta.
(O deputado também é um dos convidados da roda de conversa que a Breeza ajuda a promover na 25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ em São Paulo, no Vale do Anhangabaú, a partir das 12h30. Vamos abrir os debates da Feira, que integra o calendário da semana dedicada a ações de diversidade, que termina no domingo (7) com a tradicional parada realizada na Avenida Paulista)
Você pode também ouvir essa entrevista em nosso podcast, o Saindo da Estufa
Deputado, Guilherme, tava um tempo aqui querendo essa conversa na Breeza e a gente conversou assim rapidamente em cima de um bloco de carnaval e você tava lá, deu um discurso super impactante, a galera ovacionando e você lá no glitter, fantasiado e falando pra galera para tomar PrEP, fazer sexo gostoso, né? Eu lembro do discurso e vi lá um tipo de comoção, de identificação que você não vê naquele político de terno, sabe? De onde vem esse rebuliço bom, carnavalesco? Faltam mais deputados, deputadas, senadores, senadoras que se montam no glitter, que falam de sexo gostoso?
Acho que a política hoje é uma coisa muito pouco atrativa para as pessoas por conta desse estereótipo. A política é feita por pessoas que não se parecem com a maior parte do nosso povo, tem um perfil predominante ali que não representa a diversidade do nosso povo. E a política ela tem uma forma majoritária que é muito quadrada, muito antiquada, engravatada e tal. Isso afasta as pessoas da política, a maioria não vê mais a política como algo interessante ou como algo que deveria servir para melhorar a vida, para garantir os direitos. Acho que quando a gente começa a povoar a política com outras caras e outras formas de se fazer, a política volta a ficar mais interessante. A gente tem outros casos nesse sentido também, acho que eu sou uma dessas expressões por ser um parlamentar, uma pessoa que tem um mandato muito jovem, LGBT, progressista, portanto, os espaços que eu circulo, as pautas que eu falo, são pautas que geralmente não têm espaço na política. Adoro o Carnaval e acho que enquanto tem políticos conservadores que querem censurar o Carnaval, eu fico feliz de ver o povo se divertindo na rua cada vez mais. Acho que tenho que falar abertamente sobre a sexualidade, sem pudores, com muita consciência, muito respeito. Agora, hoje você tem um aumento dos casos de infecção. Eu acho que já tá mais que comprovado na história que só o discurso moralista não resolve nada, você resolve isso com educação sexual, você resolve isso com métodos de prevenção e, felizmente, hoje a ciência avançou pros métodos da PrEP, com outras maneiras de você se prevenir.
Eu acho que uma política com mais glitter, que consequentemente é uma política com mais alegria, uma política mais próxima das pessoas e uma política mais democrática, é uma política que as pessoas se identificam mais. E daí eu fico feliz com isso, porque eu nunca vi um político, qualquer que seja ele, que seja reconhecido ou bem recebido num bloco de Carnaval, justamente porque geralmente essas duas figuras são antagônicas. O político não tá no bloco de carnaval e no bloco de carnaval as pessoas não estão pensando em política. Então, poder fazer essa junção e aproveitar esse momento tão importante que as pessoas estão reunidas para poder conscientizar, eu acho que é uma política que faz mais sentido para mim.
Você falou de conscientização, né? E aqui na Breeza a nossa ideia é sempre ser sem hipocrisia para falar dos assuntos que precisamos falar. Então é sexo, drogas, rock, funk, sabe? A gente já deu muito estudo aqui que mostra que na população LGBT+ tem uma maior presença em porcentagem de uso de drogas, seja cigarro, maconha, quetamina – que tá uma epidemia aí –, vape, cigarro eletrônico. Como é que você vê essa informação?
Historicamente, assim como no caso de epidemia de HIV-Aids, não é porque a população LGBT seria mais propensa a determinado comportamento, qualquer que seja, pois a identidade de gênero das pessoas não torna elas mais ou menos propensas a nada, só diz respeito a algumas dimensões da sua personalidade. Fato é que por conta da estigmatização, por conta da discriminação, a população LGBT foi empurrada para determinados espaços onde se sentia segura, onde podia confraternizar, e onde ficou mais vulnerável. Isso foi o caso com a epidemia de HIV-Aids. Por isso, toda uma campanha voltada para prevenção para todo mundo, porque HIV-Aids não é uma particularidade da comunidade LGBT, mas por isso que a gente sempre fez uma campanha direcionada para a comunidade, para você reforçar os métodos de prevenção. Acho que em relação ao uso de drogas, vale a mesma coisa. Não sou especialista no tema, mas imagino que esse número elevado está associado a isso, aos espaços que a comunidade frequenta, aos espaços e práticas que a comunidade se sente à vontade, confortável, que encontrou refúgio, né?
Ao mesmo tempo, a minha preocupação é com a saúde das pessoas e apenas essa, não é com moralismo barato, não é com populismo. Acho que essas saídas já mostraram há muito tempo que não resolvem o problema. Qualquer problema que seja; pelo contrário, aumenta o problema. Você tem toda um uma política de insegurança pública que é baseada na repressão a determinadas drogas, que na prática nunca resolveu o problema de vício de ninguém, pelo contrário, só tornou a sociedade mais violenta, a nossa população carcerária mais superlotada. Eu acho que as pessoas deveriam se preocupar, assim como eu me preocupo, com a saúde delas próprias, porque toda substância usada em excesso pode causar um risco grande. Vejo um trabalho muito bacana de pessoas especialistas, médicos, que falam sobre a redução de danos, que ensinam as pessoas a como se proteger, se respeitar e conscientizam a respeito disso. Eu acho que essas estratégias são muito mais eficientes do que o mero moralismo, que na prática não impede ninguém de nada. Então eu entendo dessa maneira, não com moralismo, não com populismo, mas com uma preocupação, eu acho que questão de dependência química e o vício em drogas é um problema de saúde pública, que é um problema sério, que traz consequências para as pessoas.
Você falou aí de um um tema muito querido pra gente que é Redução de Danos. Como transformar a redução de danos em políticas públicas? Como é que o Estado pode fazer isso se tornar mais comum na vida das pessoas?
O primeiro passo é você entender qual é a estratégia mais eficiente para você combater o vício em drogas. Hoje a estratégia do Estado é de tentar esconder, criminalizar e fingir que não existe. Essa estratégia, eu considero pouco eficiente, com respaldo nos dados que a gente tem. Até hoje isso não conseguiu reduzir o vício em drogas em nenhum país do mundo, e criou uma série de outros problemas como tráfico de drogas, e assim por diante. Acho que o primeiro passo é você mudar essa estratégia do Estado. O Estado tem de começar a entender que uma forma mais eficiente de você lidar com a questão do vício, a questão das drogas em geral, é pela redução de danos, é pela conscientização.
Acho que até estratégias como Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência)… que você poderia dizer: “Ah, mas você não tá falando de Proerd?”. Eu acho que é diferente porque a estratégia do Proerd também era uma estratégia moralista, então não conheço ninguém que por conta do Proerd deixou de consumir qualquer droga, porque eu acho que é uma linguagem que não é coerente, não é razoável, entende?
O melhor caminho é através da conscientização, as pessoas saberem exatamente os seus limites, as consequências, sem um ar de julgamento, sem um teor moralista. Acho que é a melhor maneira de se fazer essa discussão. Então, fico feliz que vejo em boa parte da sociedade civil, de vários movimentos, esse debate avançar, sobre uso consciente, sobre a Redução de Danos. Eu acho que isso ajuda muito mais as pessoas a se protegerem, a cuidar da sua saúde, a evitarem problemas maiores do que essas outras estratégias que focam no moralismo, que focam na repressão e que na prática não resolvem o problema de ninguém. Nós temos projetos, inclusive apresentados na Assembleia, no sentido de estabelecer políticas públicas para Redução de Danos, para uma orientação voltada para esse tema.
Mas, infelizmente, acho que ao contrário da gente aprovar um ou outro projeto, é necessário que seja uma política pública global, e para isso precisa ser uma estratégia. Para isso, o Estado tinha que mudar a sua estratégia de como lida com essa questão, que hoje é a estratégia da Guerra às Drogas, da repressão; para uma estratégia de conscientização e de tratar isso como questão de saúde pública, assim como com outras drogas que são lícitas – os remédios farmacêuticos, o cigarro, a bebida alcoólica. O melhor caminho possível é a informação ampla e consciente das pessoas sobre os riscos, os limites e as maneiras seguras de se utilizar.
Sou de São Paulo e vejo São Paulo muito como um estado de duas caras, né? Você falou dessa questão de que o moralismo e a Guerra às Drogas não resolve, e eu via isso na prática correndo lá no Minhocão (no centro de São Paulo) todo fim de semana, e via a Cracolândia aumentando, aquela questão aumentando, os dependentes químicos sendo cada vez mais desprezados pela sociedade, aquele problema só aumentando, e a repressão aumentando também. Como é que aumenta a repressão, e só aumenta o problema do outro lado também? Quer dizer que só tá piorando, né?
Com certeza, com certeza, com certeza. E daí, sobre a premissa de você combater a dependência química, você cria uma série de outros problemas, porque no Brasil e no mundo você não têm onde essa política foi de fato eficiente para resolver um problema de saúde pública. Primeiro porque está tentando resolver um problema que é de saúde pública, no máximo de assistência social, como um problema de polícia, um problema de segurança. Então você não tira ninguém do vício na base da repressão, na base da porrada, na base da violência. Pelo contrário, já tá mais do que comprovado que essa política só acaba alimentando as redes criminosas, as facções, o tráfico de drogas, que faz seu negócio justamente nessa ausência de política pública do Estado. Você tem ligações do tráfico de drogas e do crime organizado em geral na polícia, em bancos. No ano passado houve uma operação do governo que encontrou um esquema de lavagem de dinheiro de uma facção criminosa na Faria Lima. Então veja como você cria uma série de outros problemas com a premissa de resolver um. Você nem resolve o que você disse que ia resolver.
Então você nem tem uma redução no número de pessoas que consomem ou que são viciadas em drogas de qualquer tipo, por conta dessa política. Nem no Brasil, nem em nenhum outro país do mundo. Você não tem dados que confirmem isso, porque isso se resolve de outras maneiras. Cria uma série de outros problemas, aumenta a violência, por não tratar corretamente a questão do vício, as pessoas se perdem nesse vício; ter a situação que é muito triste, que ninguém respalda, que é o que acontece na Cracolândia, que é uma situação realmente de pessoas que estão numa situação absolutamente vulnerável, reféns e vulneráveis a qualquer tipo de situação, inclusive de serem aliciadas pelo crime… aquilo ali deveria ser a expressão… então, sabe, da falência dessa política de segurança que a gente tem no estado de São Paulo, que tem no Brasil… aquilo ali é uma grande expressão de como isso não leva a nada. Só leva as pessoas a se afundarem mais, só leva as pessoas a se prejudicarem mais, só leva a uma engrenagem do crime organizado se beneficiar com isso. Isso deveria ser o melhor exemplo que a gente tem no Brasil da falência dessa política de drogas. E daí o governo, de uma maneira populista, diz que acabou com a Cracolândia, sendo que, na verdade, apenas espalhou a Cracolândia, que antes ficava concentrada num ponto, para mais de 50 pontos pela cidade de São Paulo. Então, é você tapar o Sol com a peneira. A Cracolândia não era uma, não era apenas um ponto fixo. Cracolândia está espalhada por vários lugares da cidade de São Paulo. É porque a estratégia que o governo utilizou foi a estratégia da dispersão, e não uma estratégia de conscientização, de redução de danos, uma política de moradia associada a uma política de assistência social, inclusão no mercado de trabalho, que são as maneiras que você consegue resolver os casos de vício.
Falando aqui da maconha, que é assunto central na Breeza, São Paulo também é um estado meio duas caras nisso. De um lado é uma referência na questão medicinal, você tem iniciativas públicas, você tem articulações com Caio França e Suplicy, deputados encabeçando, e você também está envolvido. Por outro lado, teve a invasão da associação medicinal Santa Gaia lá em Lins. Você tem também esse outro lado repressor. Como é que você vê o cenário da maconha, da cannabis, em São Paulo?
Toda essa questão que a gente tem sobre a cannabis medicinal e o quanto que demorou pra gente poder avançar com a legalização de um tratamento médico, mostra justamente como esses preconceitos, estigmas que se criaram na questão da droga, da maconha em particular, trazem consequências para a sociedade. Então, felizmente, esse ano a Anvisa, depois de muita pressão, muita luta, tomou uma decisão que reconhece, que valida o tratamento à base de cannabis. A gente já vinha acompanhando há muito tempo as associações como a Associação Flor da Vida de Franca, a Santa Gaia de Lins, que foi invadida, e outras associações que faziam esse trabalho no estado de São Paulo, mas em situação muito precária, porque funcionavam por autorização da Justiça. Sem a regulamentação da Anvisa, elas estavam permanentemente em risco, como foi o caso lamentável que aconteceu lá em Lins, em que uma delas foi invadida e teve parte da sua produção destruída por uma ação ignorante da polícia na cidade, não é? Isso que a gente tá falando de um tratamento médico, de associações que trabalhavam produzindo medicamento que ajudam milhares de pessoas, que têm TEA, que tem Parkinson, Alzheimer, e várias outras síndromes e doenças raras cujo tratamento à base da cannabis medicinal é reconfortante, às vezes a única saída para você controlar crises, para você poder atenuar aquela situação.
Isso mostra o quanto o preconceito com essa questão da droga leva a lidar de uma maneira dualista, simplista, e acaba prejudicando muito para você poder explorar outras políticas públicas. Acho que nós tivemos uma vitória muito significativa, não queria menosprezar, na decisão da Anvisa. Digo isso porque fui um dos parlamentares que participou do movimento para que essa vitória fosse possível. Agora estamos num período de adaptação, ficou uma lacuna da da regulamentação da Anvisa, que é a regulamentação das associações. A Anvisa tá num período que chama de sandbox, que é como se fosse a caixa de areia, não é? É um período de, se eu não me engano, 5 anos, em que ela quer acompanhar, estudar de perto o funcionamento das associações depois dessa nova regulamentação, para poder regulamentar então o funcionamento das associações em si. A gente agora teve uma vitória importante e estamos num período em que todo mundo tá acompanhando, observando como que se desenvolve a luz dessa legalização da cannabis medicinal.
Certamente episódios lamentáveis como aquele que a gente viu em Lins, não deveriam acontecer, já não deveriam ter acontecido. Agora isso perde ainda mais legitimidade, porque hoje tudo que é feito nas associações está respaldado pela Anvisa, dá uma segurança jurídica para as associações que durante anos tiveram que viver à base de decisão judicial e que qualquer outra decisão judicial podia colocar eles em risco. Eu lembro de quando eu conheci a Flor da Vida, que hoje é uma das maiores associações canábicas do Brasil, e durante alguns dias eles chegaram a ficar interditados por conta do Ministério Público, por conta dessa controvérsia jurídica. Com essa decisão da Anvisa, não é mais pra isso acontecer. Claro que por conta desse populismo antidrogas que você tem, isso é sempre um risco. E, portanto, eu acho que é o momento de todos nós ficarmos vigilantes. Por fim, conversava com representantes das associações e perguntava para eles: Agora que nós já conquistamos a pauta número um, que era a liberação da cannabis pela Anvisa, qual que é a luta? A luta a partir de agora é para que o acesso à cannabis medicinal seja universal, no SUS”.
Hoje acontece principalmente através das associações; ou quem tem dinheiro para pagar bastante caro pra importar. O que a gente quer é que a cannabis medicinal esteja disponível nas farmácias do SUS, em todos os serviços que o Sistema Único de Saúde atende. Passada a simples permissão de uso, que é o que a Anvisa fez, para se tornar uma política pública de fato. Acho, Filipe, que a cannabis medicinal, além de ser uma pauta justíssima, importantíssima e urgente para as pessoas que dependem desse atendimento, é uma maneira muito inteligente da gente hackear esse debate sobre as drogas. Você tira dessa perspectiva moralista, repressora, e consegue dar outros sentidos para isso, mostrar outras abordagens que não sejam baseadas no moralismo e na repressão, na caçada, mas que sejam baseadas de fato em política pública, em ciência, na medicina. Como você consegue ter resultados muito mais eficientes em todas as áreas?
Deputado, se fala muito até das suas ambições federais, quem sabe jogar glitter aí no Congresso (risos). Como é que você vê a legalização e regularização da maconha em âmbito federal, e também de outras drogas? Os psicodélicos estão aí vindo como uma onda no mundo, você vê até o Trump assinando acordos sobre psicodélicos lá nos Estados Unidos, e vape, cigarro eletrônico, todo esse novo mundo das drogas, em particular da maconha. Como é que você vê a legalização e a regularização?
A política de criminalização que nós temos hoje, sobretudo com a maconha, não tem resolvido os nossos problemas. Não resolve o problema da dependência, não tem sido suficiente para inibir as pessoas, até porque elas conseguem de outras maneiras. Não resolve o problema do crime, pelo contrário, alimenta o crime porque, como já dissemos, na ausência do Estado, quem administra essa rede é o crime organizado. E vai criando outros problemas, quando a gente estende isso para outras drogas, e assim por diante. Então acho que a gente precisa decretar a falência dessa política, assim como outros países do mundo tão chegando à conclusão que essa política não tem servido à sociedade, tem servido para você manter uma atmosfera permanente de vigilância, de medo, em que inclusive quem se beneficia disso no fim é o próprio crime organizado.
A gente precisa avançar com o debate da descriminalização da maconha, sobretudo no Congresso Nacional. Essa brecha que se abriu em relação à cannabis medicinal é o principal avanço que a gente teve na consciência da sociedade ao longo das últimas décadas em relação à questão das drogas, e da maconha em particular. Hoje você tem uma quantidade muito grande, muito grande de famílias que têm uma melhoria significativa na qualidade de vida graças ao atendimento médico à base da cannabis, porque é um filho e tem toda uma família, ou um avô, ou um membro da família que tem toda a família consciente de que aquela pessoa só conseguiu encontrar um tratamento através da cannabis. Isso aí começa a desestigmatizar um pouco de todo esse ranço que se tinha. Claro que hoje a gente tem uma bancada conservadora muito forte no Congresso Nacional que faz essa questão da repressão às drogas, do populismo penal, policial, uma das suas principais bandeiras. Né? É um desafio grande, e a gente tem que ser muito estratégico. Por isso que eu valorizo muito esse avanço que a gente teve em relação à cannabis medicinal, porque eu acho que numa conjuntura muito adversa, muito difícil, a gente conseguiu ter uma vitória concreta nesse debate, e que inclusive deixou a extrema direita, os conservadores, sem ter o que dizer, porque se tornou tão evidente, o movimento de famílias pressionando por esse atendimento foi tão forte, que mesmo a extrema direita não teve condição de se opor, como eles faziam no começo do processo. Esse é um exemplo, porque mais do que dizer, Filipe, o que nós queremos, o que nós defendemos, na política a gente tem que pensar como que a gente é capaz de fazer isso. Eu acredito que a melhor maneira da gente conseguir mudanças significativas na sociedade é a partir da consciência na sociedade, da mobilização, da gente ter um discurso e uma narrativa que nos aproxime das pessoas e não afaste. Eu acho que hoje a extrema direita joga muito com a questão do medo, o medo das famílias, das mães, das famílias se desestruturarem por conta do vício. Isso é uma realidade, porque existem pessoas que, de fato, por conta do vício, não só em droga, em bet também, e não só em drogas que são ilícitas, também por conta do álcool, também por conta de outras drogas, famílias que se desestruturam por conta disso. E a extrema direita joga com isso, com essa consciência que as pessoas têm. Acho que se a gente quer avançar, a gente precisa ter as nossas narrativas, disputar elas e mostrar para as pessoas as outras saídas, as melhores saídas, mostrar como que essa política de criminalização não tem resolvido problema nenhum.
Pelo contrário, ela tem servido mais para desestruturar famílias, aliciar pessoas pro crime, do que de fato resolver. Mostrar como no caso da cannabis, por exemplo, da cannabis medicinal, esse pensamento preconceituoso atrasou o atendimento, o acesso à saúde de muita gente, e mostrar também como que esse esse discurso é hipócrita, sobretudo quando a gente compara com as indústrias de outras drogas que são legalizadas, como é o caso do cigarro, como do álcool, causam bastante dano. Porque tem uma indústria forte, elas são naturalizadas, são aceitas. Acho que tem tido um avanço nesse debate no Brasil e no mundo inteiro, como você diz, até uma parte da extrema direita tem aderido parcialmente à esse debate. A gente não vai vencer o debate sobre drogas de uma maneira sectária, em que eles parecem que estão cuidando das pessoas, e nós parecemos que não estamos nem aí com nada, porque não é disso que se trata. Pelo contrário, nós achamos que a maneira, o que eles vendem (os proibicionistas), o que eles propõem, não cuida de ninguém, só expõe as pessoas mais ao risco, à repressão, a outros problemas.
Nós temos uma saída para essa questão que entendemos que é muito mais respaldada, eficiente e cuida melhor das pessoas, da saúde delas, das famílias delas, e da segurança na sociedade. Tenho insistido muito isso nos debates da esquerda, que não basta só a gente afirmar nossa posição e a gente falar mal de quem pensa diferente da gente. A gente tá só todo mundo como errado, como conservador, como isso, como aquilo. Se a gente não apresenta, e não tem a capacidade de apresentar as nossas ideias como ideias melhores, com ideias mais acessíveis, como ideias mais poderosas do que a deles… porque eles trabalham com ideias simplistas, mas que respondem aos anseios das pessoas. As pessoas têm uma preocupação em relação à segurança pública. Eles têm uma cartilha muito simplista, muito ineficiente, mas que dialoga com isso, que é a cartilha de prender, matar, criminalizar, e assim por diante. Se você me perguntar se eu acho que as saídas são eficientes, eu digo que não, acho que são maneiras simplistas de você lidar com negócios complexos. Mas mais do que isso, a gente tem que mostrar como que nós queremos tornar a sociedade mais segura para as pessoas, não apenas falar que as ideias deles são ruins, porque senão a gente fica nessa situação em que parece quem se preocupa com esse tema são eles e que nós não estamos nem aí, não é? Essa é a verdade: nós nos preocupamos tanto que nós achamos que a abordagem que eles sugerem é ruim pra sociedade e queremos trocar ela para uma abordagem melhor.
Deputado, Guilherme, como é a sua experimentação com as drogas? Você é um experimentador, você usa cannabis no lazer, no medicinal, já experimentou?
Por incrível que pareça, as pessoas me taxam só por ser de esquerda, só por ser jovem, só por defender as pautas. Toda a campanha que eu fiz, as pessoas me chamaram de maconheiro, embora eu nunca tenha utilizado nenhuma droga ilícita. Eh, eu apenas utilizei a cannabis medicinal numa época, inclusive no começo do mandato, em que eu estava muito ansioso. Graças a esse tratamento, que inclusive foi recomendado pelo Eduardo Suplicy, meu parceiro, que começou a fazer o tratamento com a cannabis medicinal para tratar o Parkinson. Eu comecei a fazer uso da cannabis medicinal, e isso me ajudou muito naquele período. Me ajudou muito naquele período. Mas não defendo a descriminalização, ao contrário do que as pessoas pensam, em causa própria. Eu não defendo a descriminalização porque eu, em particular, uso ou quero usar. Defendo a descriminalização porque eu acho que essa é uma política pública melhor para todo mundo, para a sociedade, para quem usa e para quem não usa. Acho que a sociedade vai ficar mais segura se a gente descriminalizar a maconha, por exemplo; além de quem queira usar, vai ter mais liberdade para poder fazer isso de maneira segura, controlada. A minha experiência é mais restrita nesse aspecto. Mesmo álcool, não costumo utilizar, apenas socialmente. E o máximo que eu cheguei foi na cannabis medicinal, com acompanhamento médico, com toda a orientação da Flor da Viva, que inclusive é uma excelente associação, é de Franca, da minha cidade. E é muito interessante porque as pessoas não imaginam que no interior do estado de São Paulo você vai ter associações que trabalham com a pauta da cannabis fazendo um trabalho tão de ponta como é o caso da Santa Gaia, como é o caso da Flor da Vida e de outras associações.
E como é que foi para você o uso medicinal?
Foi muito bom. Eu estava com uma dificuldade, com crises para dormir, com dificuldade para dormir. Por conta do começo do mandato, de toda aquela pressão que é entrar na política tradicional, precisei desse atendimento, desse tratamento da cannabis medicinal. O Suplicy foi um exemplo, uma pessoa que iniciou isso e que me deu essa confiança. Procurei a Flor da Vida, passei por um profissional e recebi um frasco, uma dose, eu tomava, se eu não me engano, três ou quatro gotinhas por dia, e que era suficiente para mim, que me ajudava a estabilizar o sono, me ajudava a reduzir cortisol, a tensão, ansiedade. A outra opção era ir atrás dos remédios de tarja preta, que eu também não tenho pudor, restrição nenhuma, preconceito nenhum em relação a isso, mas eu acho que o acesso à cannabis medicinal foi uma coisa mais leve, mais segura, mais confiável para mim. Me ajudou muito. Depois eu consegui estabilizar essa situação, e parei em seguida.
Faz quanto tempo que você parou?
Foi no primeiro ano de mandato, foi 2023, deve ter sido até o finalzinho, novembro de 2023, mas quem tá passando por alguma dessas situações, agora devidamente regulamentado pela Anvisa, eu recomendo que procure alguma dessas associações. A gente tem várias aqui no estado de São Paulo. Espero que a gente possa avançar, inclusive nossa luta é para que isso torne uma realidade na saúde pública. Eu visitei recentemente a primeira clínica pública de cannabis medicinal, no ABC Paulista. A nossa luta é para que esse acesso, esse tratamento, esteja disponível para todas as pessoas na rede pública, porque faz uma diferença. No meu caso, era um caso absolutamente simples. Eu estava com ansiedade, estava com dificuldade para dormir, estava com uma situação relativamente simples. Agora, conheço muitas pessoas que têm filhos com TEA, que tem pais com Parkinson, como o próprio Suplicy, ou tem outros problemas que a cannabis medicinal tem ajudado, dá extremamente mais qualidade de vida para as pessoas, para as suas famílias.
É interessante que você citou a clínica do ABC, que é de Ribeirão Pires, né? Quem promove muito é o Guto Volpi, que é o prefeito de Ribeirão Pires, e que é do PL. Então tem alguns assuntos que estão unindo aí a direita e a esquerda, né?, como a da clínica de cannabis medicinal.
É exatamente isso que eu estava falando. Você tem a direita, e tradicionalmente ela tem um discurso, esse discurso que a gente falou que é o moralismo, é o discurso da Guerra às Drogas, e é muito difícil, a gente tem que ser muito estratégico, criativo, pra gente conseguir furar essa bolha, porque senão a gente fica falando com a nossa bolha, e eles estão falando com a bolha deles. E eu acho que o caso da cannabis medicinal é um caso muito interessante, em que a gente conseguiu furar essa bolha, porque num primeiro momento você tinha um preconceito maior, inclusive das figuras políticas com mandato. Com o passar do tempo, com o trabalho que as associações vinham fazendo, um trabalho real, e a partir disso começa a encontrar o atendimento, começa a fazer uso, e isso muda a realidade daquela pessoa e daquela família.
É uma coisa muito concreta, uma percepção muito concreta. Acho que isso foi pressionando a direita por uma outra posição em relação a esse tema. E hoje mesmo as figuras da direita não conseguem falar contra a cannabis medicinal. Só que eu acho que deveria aproveitar essa porta aberta para falar como, assim no debate da cannabis medicinal, a criminalização generalizada também é uma coisa ineficiente, uma coisa que não resolve os problemas que a gente tem. É muito interessante esse caso na prefeitura do PL, partido do Bolsonaro, um dos partidos mais extrema direita do Brasil, que fez da de uma das suas principais políticas públicas. Eu estive lá na inauguração, era o aniversário da cidade e a principal entrega da prefeitura na cidade foi a inauguração da clínica pública de cannabis medicinal, o que mostra como essa é uma questão que vai além das ideologias. Claro que historicamente somos nós, os progressistas, que defendemos essa abordagem, mas que quando você conquista a opinião pública, quando você faz esse debate de uma maneira que não é sectária, mas que é uma maneira que convence as pessoas, sobretudo pela prática, aí o seu adversário no discurso acaba ficando sem palavra, sem alternativa, precisa se dobrar.
Só fazendo uma analogia, é o mesmo caso agora da escala 6×1, que é um um tema que foi levantado pela esquerda, pelo movimento social, os parlamentares de esquerda, e se tornou uma coisa tão ampla, tão aceita, tão coerente. É tão negativo se dizer contra, defender que as pessoas trabalhem seis dias, um de folga, que a própria direita tem que ficar encontrando subterfúgios. Eu participei de um debate recentemente em que todos os candidatos da direita falaram que se a escala 6 por 1 vai acabar, tem que acabar, porque hoje fica muito feio para eles falarem que não. A questão é que eles tentam sabotar, né? Então eles tentam criar empecilhos para que não acabe de fato. Mas eu acho que são dois exemplos de debates em que a gente ganhou a opinião pública a partir de um de um convencimento da sociedade, e deixou a oposição, aqueles que são contra, sem poder criticar, e daí tiveram que mudar suas opiniões.
Deputado, você não é maconheiro, mas você quebra um paradigma com isso, vamos dizer assim. Você representa a comunidade universitária, que muita gente associa a maconha, comunidade acadêmica. Eu sou acadêmico e tem a presença da maconha mesmo, como tem em vários segmentos da sociedade. E você também tem a comunidade LGBT, que também tem a maconha presente. E aqui a gente já falou com vários políticos que falaram sobre uso de maconha, que vai desde a Mara Gabrilli até Renato Freitas, que fala que é maconheiro, não canabizeiro. E dentre vários aí, né?, como a Erika Hilton. A pergunta direta é assim: “OK, você não é maconheiro, mas tem muito maconheiro no seu meio. Como é que você vê o maconheiro?”.
Não tenho nada contra, tenho vários amigos que fazem o uso, acho que é um direito das pessoas. Já tá mais que comprovado que é muito mais seguro do que outras drogas que são legalizadas. Você tem todo um estigma em torno do maconheiro que você não tem hoje, por exemplo, em relação a outras drogas que já foram legalizadas, e que foram legalizadas porque tem um lobby empresarial forte, né? Indústrias gigantescas que lucram na comercialização de outras drogas tão ou mais nocivas, mas que são socialmente aceitas, e são realmente aceitas porque geram dinheiro. Tenho vários amigos maconheiros, respeito absolutamente. E aí é o que eu te digo, Filipe, eu não luto só pelas coisas que eu vivo. Eu não luto só pelas vivências que eu tenho, eu não luto só pelas coisas que eu gosto, ou que deixo de gostar. Eu luto por políticas públicas que sejam boas para todo mundo. Eu acho que a descriminalização é boa pro usuário, pro maconheiro, porque você facilita o acesso de maneira segura, de maneira regulamentada, correta. Você reduz o estigma que tem em relação a isso, porque hoje o usuário, o maconheiro, é vítima de preconceito, de estigmatização no trabalho, nos espaços, na política e assim por diante. E é boa também para quem não é, porque a partir do momento que você descriminaliza, você desmonta toda aquela estrutura do tráfico, que é o que dá essa imagem pejorativa, essa imagem negativa, que é toda a indústria extralegal, ilegal, que se criou fruto da criminalização.
Por isso que algumas pessoas têm esse estigma de que é uma coisa que é perigosa, de que é uma coisa que é nociva, de que é uma coisa que é preocupante. É melhor para todo mundo, para quem é, para quem quer fazer uso, para quem quer ter oportunidade de fazer uso, mas quer fazer isso de uma maneira segura, controlada. E para quem não é, mas quer viver em tranquilidade, em paz. A descriminalização é uma boa saída para todo mundo.
Quero voltar para aquela ideia da sua ambição federal, que se fala bastante. Como é que tão os planos? A gente tem chance aí de ver você no Congresso defendendo pautas ousadas da cannabis, pautas LGBT, que também são muito importantes agora nesse momento que tá uma onda mundial contra, né? Você vê aí até redução de apoiadores, patrocinadores, para a Parada LGBT+ por conta de uma onda trumpista.
Se o povo quiser, depende das pessoas. O que a gente tem concretamente foi um convite do nosso partido para que eu me candidatasse a deputado federal como um reconhecimento do crescimento que o nosso mandato teve. Não sei se você sabe, Filipe, mas eu me elegi em 2022 com o menor orçamento de campanha de todos, o deputado mais pobre. A minha candidatura foi a zebra, foi a surpresa daquela eleição, porque eu não vinha de um partido grande, eu vinha de uma região que nunca tinha eleito ninguém de esquerda. Eu não era sequer vereador, eu não era uma pessoa famosa, não era uma candidatura que a maior maior parte das pessoas falava: “Você vai ganhar, você é viável, eu tô apostando em você”. E me elegi!
Ao longo desses 4 anos, conseguimos mostrar o nosso trabalho, crescemos o reconhecimento, fizemos um trabalho do qual eu me orgulho muito e por isso tem uma expectativa do partido de que a gente possa ajudar a ampliar a nossa bancada na Câmara, que eu acho que é uma ideia interessante, não vou mentir, eu acho que é uma ideia interessante, porque os grandes temas nacionais, como esses que a gente tem conversado, uma política crítica para as drogas, descriminalização, direitos da população LGBT, escala 6×1, combate à mudança climática, são temas que eles necessariamente têm que ser debatidos nacionalmente.
Você pode até ter projetos a nível estadual, eu tenho vários, mas eles dependem de uma regulamentação nacional, dependem de um debate que é federal. E nos últimos 4 anos, a gente viu um congresso que anda na marcha ré de todos esses debates. Acho que é importante a gente ampliar a nossa bancada de esquerda lá. Não é uma decisão que já foi tomada, uma decisão que eu devo tomar ao longo das próximas semanas, depende que dias esse podcast nosso vai sair. Mas é uma decisão que a gente, eu não quero tomar sozinho, sem demagogia nenhuma, não tô escondendo o ouro, não. É porque eu tenho um senso muito grande de coletividade. Eu acho que esse mandato, embora eu o represente, esteja com meu nome lá, não acho que ele é só meu, ele é de outras pessoas que ajudaram a eleger. Ele é de outras pessoas que vieram depois, conheceram depois, apoiam, incentivam. E eu sinto que eu tenho uma responsabilidade com essas pessoas, não de decidir onde eu quero estar, mas onde a gente pode contribuir mais. Se é na Assembleia Legislativa, que também acho importantíssima, tive lá durante os últimos 4 anos e acho que a Assembleia recebe pouca atenção, é palco de muita coisa ruim.
A Assembleia Legislativa de São Paulo hoje só vira notícia por coisa ruim, quando acontece algum crime, como a deputada que fez black face ou o deputado que tá sendo acusado de agredir a ex-mulher. Quando acontece algum ato bárbaro de violência, um retrocesso, como o caso da privatização da Sabesp. A Assembleia Legislativa hoje tem essa cara. Acho que só vai mudar essa cara quando tiver mais gente como a gente lá. Se vai ser em Brasília, debatendo esses temas que me animam bastante… acho que, antes de ser deputado, sou um militante, penso como que eu posso contribuir dentro das minhas possibilidades, das minhas habilidades. Uma coisa que eu tô muito empenhado hoje é debater com a nossa geração, a tal geração Z, que eu inclusive descobri que faço parte, porque eu nasci em (19)97, que é considerado o primeiro ano da geração Z, mas que é uma geração que tá no olho do furacão de muita coisa. Tem pesquisas que falam que é uma geração que é reacionária, ao mesmo tempo pesquisas que falam que é a geração mais infeliz, mais adoecida mentalmente da história. É uma geração que tá sendo intensamente disputada, sobretudo através das redes sociais, pelas ideias mais conservadoras, mais preconceituosas que a gente tem. Acho que parte da esquerda tem falhado muito em dialogar com essa geração, e sinto que, como um dos expoentes, um dos parlamentares mais jovens que a gente tem aqui no nosso campo, tenho a responsabilidade de contribuir nessa discussão, de enfrentar essas ideias da direita e dialogar com a nossa geração. Onde eu puder fazer isso melhor, estarei. E se as pessoas quiserem ver a gente em Brasília, acharem que a gente deveria ter a oportunidade de debater, de incidir sobre esses temas, aí eu confio que elas vão colocar a gente lá.
Deputado, adorei o que você falou: “Não vou mentir, tenho interesse”. Adorei essa frase.
É claro, é claro, porque não é não é uma decisão que a gente tomou. Eu também não posso te dizer se serei, porque eu levo muito a sério o debate com as outras pessoas. Mas é fato, eu acho que Brasília possibilita muitas possibilidades de debater vários temas, né
Então vamos ver aqui quando sai o podcast, e quando sair, se a gente falou com o candidato ou não a deputado federal, Guilherme Cortez.