Por Papa Flor
Apoio: Flora Urbana

No último dia 1º de outubro de 2025, um vereador de Maceió apresentou um projeto de lei que escancara um ataque frontal à democracia, à Constituição Federal e ao direito fundamental de liberdade de expressão. A proposta busca proibir manifestações, atos públicos e eventos que “promovam ou façam apologia ao uso de drogas ilícitas”, citando diretamente a Marcha da Maconha.
O projeto prevê ainda multas de até 30 salários mínimos para quem ousar exercer o simples direito de se manifestar. Uma medida autoritária, que tenta calar a voz de quem pensa diferente, criminalizando o debate público sobre políticas de drogas.
Vale lembrar: em 2011, o STF decidiu, de forma clara, que a Marcha da Maconha é legal em todo o Brasil, justamente porque discutir mudanças na legislação não é crime, mas sim parte do processo democrático. Ao tentar proibir algo já garantido pela mais alta corte do país, a Câmara Municipal de Maceió flerta com o autoritarismo e desrespeita a própria Constituição.
Mais do que um ataque à pauta da cannabis, trata-se de um ataque à liberdade de pensar, lutar e propor novos caminhos para a sociedade.
Hoje tentam calar os movimentos antiproibicionistas. Amanhã, quem mais será silenciado?
Maceió, cidade rica em diversidade cultural e histórica, não pode se tornar palco de retrocessos. É hora de reafirmar que nenhuma lei municipal pode se sobrepor à Constituição Federal. A marcha é legal, o debate é legítimo, e a liberdade não se negocia.
Mas o ataque não parou na tentativa de aprovar uma lei inconstitucional. Em meio a essa perseguição, minha imagem foi usada sem permissão em redes sociais, de forma difamatória, para sustentar um discurso de ódio e desinformação.
Circulando no Instagram, fui acusada de ser um “cavalo de troia”, como se defender a legalização da maconha fosse sinônimo de acobertar o tráfico. A narrativa é perversa: coloca cidadãos que lutam por direitos constitucionais no mesmo lugar da criminalidade que tanto diz combater.
Chegaram ao ponto de afirmar que quem deseja fazer uso da cannabis deveria “fazer fora do Estado de Alagoas”, como se fosse possível excluir cidadãos do exercício de seus direitos dentro de sua própria terra. É um discurso de exclusão, de abuso de poder e de total desrespeito à democracia.
O uso indevido da minha imagem, vindo justamente de alguém que ocupa um cargo público e que deveria defender o cidadão, e não atacá-lo, expõe como o medo e a intimidação ainda são usados como armas políticas. Violaram meus direitos, me expuseram em redes sociais e tentaram transformar minha luta em alvo de criminalização pessoal.
Mas precisamos lembrar: defender a descriminalização não é defender o tráfico, e sim defender vidas. É lutar contra um sistema de guerra às drogas que só mata, aprisiona e marginaliza, sobretudo jovens negros e periféricos.
Quando um vereador, que também é delegado, tenta criminalizar ideias e pessoas, precisamos perguntar: quem nos protege de quem deveria nos proteger?
Esse episódio mostra o quanto é urgente debatermos sobre abuso de poder e garantirmos que a liberdade de expressão seja respeitada.
Ainda bem que tenho a segurança de um habeas corpus que protege o meu acesso de forma legal a minha medicina, fruto de anos de dedicação e compromisso com a saúde e a dignidade. Porque a luta não é apenas minha: é coletiva. É da sociedade que acredita em direitos, democracia e liberdade.
E seguimos firmes, porque não há lei inconstitucional, perseguição ou difamação que cale a voz de quem luta por um futuro mais justo.
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