Saindo da estufa

Gabriela Morais: “A cannabis me ajuda a tranquilizar a mente, fico mais legal”

A pioneira das influencers do país fala sobre sua rotina com cannabis, influência acelerada que coloca em risco a saúde mental, corpo no pós-parto e mais
06|02|25

Gabriela Morais, que você muito provavelmente conhece como Pugliesi – tipo o X, que para sempre será o Twitter – decidiu sair da estufa só agora, mais de cinco anos depois de ter incorporado a cannabis na rotina, em alto estilo, numa conversa sincerona com Anita Krepp, editora desta Breeza, a quem Gábi confidenciou não temer a reação das marcas que pagam milhares de reais para se associar à sua imagem (agora, a de uma entusiasta canábica).

“Se falar de cannabis medicinal desagradar patrocinador, são eles que têm que se informar porque é algo que só traz benefícios”, defende a empresária que tem participação em 15 empresas e não duvidaria que a 16ª fosse um empreendimento no cannabusiness. Por enquanto, nada concreto, mas é do feitio dela investir em marcas que tem a ver com o seu estilo de vida e a cannabis entrou na rotina de bem-estar diário.

A Breeza também mergulhou no universo de Gábi e surgiram outros assuntos, como a forma que a vida de influencer coloca em risco a saúde mental, o corpo no pós-parto, a vida de recém-mudada ao Uruguai e a lógica de equity, o novo cachê preferido das influencers.

Você é uma empresária e mãe de família, com todas as tarefas que a gente que é mãe sabe que demandam tempo, como você faz pra equilibrar o tempo que você dedica à vida pessoal com o tempo dedicado à vida profissional, um desafio para mães de todas as classes sociais?

Olha, nem penso muito sobre isso, na verdade. Acho que é algo natural meu, as coisas vão surgindo, as demandas vão acontecendo e sempre fui muito proativa com as minhas coisas, multifacetada. Então tenho essa habilidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, eu gosto disso, então meio que fui me adaptando a essa nova realidade. E o ser humano é assim, não sou diferente, e mulher, mais ainda, a gente vai dando um jeito. Eu consigo naturalmente me equilibrar entre o meu trabalho, porque trabalho o dia inteiro, mas eu tenho também esse privilégio de poder trabalhar à distância. Então isso me ajuda muito a conseguir fazer muita coisa de forma remota. Tenho uma rede de apoio, lógico, então também sei dos meus privilégios. Mas ainda assim, consigo ser uma mãe super presente na medida do possível e fazer as minhas coisas, porque eu sou uma pessoa… Eu sempre fui assim, sempre consegui fazer muitas coisas ao mesmo tempo e vou me organizando. Mas sei que eu tenho privilégios que muita gente não tem e que isso ajuda bastante, principalmente a rede de apoio que tenho pra me ajudar.

Você se tornou influencer numa época em que esse conceito nem existia ainda. Como é que você tem percebido a evolução da influência ao longo desses anos todos? Algum palpite sobre como deve se transformar a influência nos próximos anos?

Realmente, eu vim de uma época que não existia isso. E agora tô me acostumando com essa nova geração. Hoje em dia, virou realmente uma profissão que é um sonho para os jovens, eles são muito mais engajados em produzir conteúdo rápido, de agilidade. Muita coisa que eu, sinceramente, não consigo acompanhar mais, e ainda bem que eu vim de uma outra era, onde era tudo muito mais calmo. Embora a gente estivesse na rede social, era um timing mais tranquilo. Hoje é muito difícil porque é muita informação, é muito rápido. Atrelo muito disso a várias doenças, como ansiedade, estresse, que tá vindo de uma forma muito mais exorbitante do que era na minha época. Então tento me blindar um pouco disso. E por esse motivo também que venho de um caminho contrário disso, construindo minhas empresas mais sólidas, pra estar cada vez menos com essa necessidade da exposição, com essa necessidade de criar conteúdo 24 horas. Porque isso me adoece muito, aflora a minha ansiedade de um jeito que não aflorava antes. Então pra me blindar disso, tô fazendo esse caminho contrário. E construindo mais as minhas coisas offline, pra ficar cada vez mais sólida. Se a gente não cuidar da nossa saúde mental de fato isso vai ficar cada vez mais perigoso. Da mesma forma que é incrível a capacidade que esses jovens têm de gerar conteúdo de qualidade, de uma forma muito rápida, me preocupa muito a falta de cuidado com a saúde mental deles desde novos. Porque assim, não dá tempo de você produzir tanto no online e cuidar da cabeça o tanto quanto deveria. Então sou uma Flintstones nessa geração, não consigo acompanhar de forma alguma, me sinto uma vovó das influencers. Eu sou assim, nunca comecei na internet querendo ser influenciadora ou nada, porque nem existia isso, foi tudo muito orgânico comigo, é por isso que foi bom e que é bom, porque nunca foi algo forçado, nunca fui atrás, nunca me forcei pra fazer algo, porque se for assim, eu não vivo. Eu vivo bem hoje porque sempre consegui ser a influenciadora que eu sempre fui, do meu jeito. Não tento me comportar pra caber nessa nova era, por mais que eu devesse. Não consigo ser assim, porque eu preciso ser feliz. E eu não seria feliz tendo que me esforçar demais pra estar nesse meio. Acho que hoje as pessoas se esforçam muito e elas até sofrem pra fazer parte desse meio, o que graças a Deus não foi o meu caso, justamente pelo timing que comecei, foi natural. Eu acho que tudo que acontece de forma natural na nossa vida é muito mais gratificante do que você fazer algo forçado pra se encaixar num modelo.

“Sou uma Flintstones nessa geração, eu não consigo acompanhar de forma alguma, me sinto uma vovó das influencers”

Você já chegou a pensar em sair das redes sociais?

Eu só tô no Instagram, nunca tive Twitter, não consigo. O TikTok eu tô, mas é uma coisa muito leve ainda, porque é o que eu te falei, se não for algo natural meu, não consigo. E o Instagram é tipo minha casa, eu até me esforço às vezes pra fazer mais Reels, mais tal, até porque eu preciso ainda estar presente, principalmente pra divulgar as minhas empresas. Eu não posso me dar esse luxo de sumir. Então, esse esforço que tenho, ainda que seja, é um esforço do meu jeito. Só tô ativa mesmo no Instagram hoje. Já tive muitas fases, já tive fases muito difíceis, com a exposição, com crítica e tal, e outras fases mais tranquilas, que faz parte. Mas, assim, eu só saí mesmo naquela época do cancelamento, porque eu me vi forçada a ficar fora um tempo, dar um passo pra trás pra me reorganizar, mas só isso, nunca pensei em abandonar tudo. Até porque eu sou muito grata à internet, eu sou muito grata a isso tudo, porque graças a isso eu tenho o que eu tenho hoje.

Como é que de influencer você se tornou empresária?

Foi um movimento natural. Também tem muito a ver com a maturidade que a gente vai adquirindo com a vida, com o tempo. Até com esse tempo de rede social. E fui vendo o movimento e pensando assim, cara, eu ajudei a construir muitas empresas que não são minhas, que são empresas dos outros, que cresceram muito a partir da minha entrada. E isso é um fato. E aí pensei “bom, nada mais inteligente do que eu construir a minha própria empresa e ser dona do meu negócio”. Porque dá muito mais prazer eu divulgar algo que é meu do que eu divulgar algo dos outros para ganhar um valor fixo que é bom, mas que a longo prazo é incerto. Eu abri mão de valores líquidos que eu tinha mais fáceis porque eu deixei de fazer muita coisa, tive que abrir mão de muitos contratos que eu tinha pra focar na minha empresa e divulgar 80% do tempo da minha empresa e 20% pra divulgar empresa dos outros. Eu comecei a pensar muito mais a longo prazo do que a curto prazo. Hoje, eu tenho muitas empresas mas eu não faço retirada de nenhuma delas, a ideia é engordar elas pra que elas tenham um valor de mercado alto e daqui uns anos vender. Tudo que eu faço hoje é muito mais prazeroso mas é muito mais pensando a longo prazo do que o dinheiro que eu tinha de outras empresas que me pagavam esse fee mensal, mas que eu não tinha nada sólido meu. Hoje em dia, se fala muito de media for equity, que várias influenciadoras já estão entendendo que é o modelo de negócio mais inteligente que tem. Em vez da empresa que te contrata te pagar um valor fixo por mês pra você anunciar, você negocia um equity pra sua mídia. Ah, não, eu não quero só ser uma anunciante. Só faz sentido se eu entrar de sócia nessa empresa, óbvio, se essa empresa fizer sentido com a sua vida, com a sua verdade, etc. E aí a gente negocia esse media for equity que é o que eu tô fazendo hoje. De 80 empresas que eu anunciava antes hoje eu anuncio cinco e eu sou sócia delas. É um formato que antes não se falava. Porque foi acontecendo, a partir do momento que foi crescendo esse mercado de influenciadora e essa troca das marcas com a divulgação, nós, como influenciadoras, fomos entendendo que seria mais inteligente a gente ser sócia dessas empresas do que só ter um valor mensal pra anunciar algo de terceiros.

Você comentou agora há pouco que esses tempos que a gente tá vivendo de depressão, ansiedade… E eu imagino que você deve ter se visto nesse lugar, sobretudo na época do seu cancelamento, foi aí que você começou a tomar CBD?

Cancelamento virou moda depois. Fui cobaia de várias coisas da internet, de coisas boas e de coisas não tão boas. Mas faz parte da minha trajetória como influenciadora. Eu comecei a tomar CBD… acho que eu já tomava. Sempre gostei e me identifiquei muito mais com a medicina alternativa e natural do que com a medicina ocidental, de remédios. Sempre fui mais do chá, do óleozinho de copaíba pra cicatrizar em vez de uma pomada com antibiótico, sempre fui muito entendida e curiosa com tudo que é dessa linha, e aí o CBD já era super difundido e disseminado fora do Brasil. Quando eu comecei a usar, não falava nada porque no Brasil era, tipo assim… Imagina eu, que tudo que falava era polêmico, um espirro que dava era ´nossa, um espirro´, se eu falasse de CBD naquela época, ia ser presa. Hoje tô me sentindo mais à vontade, graças a Deus, e me sinto responsável, porque é um conteúdo que acho importante as pessoas se informarem, porque esse preconceito que existe hoje é totalmente infundado. Só das pessoas se informarem, elas não precisam nem fazer uso, mas elas têm que saber que existe, o que é e a quantidade de pessoas que o CBD tá ajudando com doenças, não só neurológicas, mas físicas, com dores, com tudo. É um alívio pra mim, hoje, como influenciadora, poder falar sobre isso, porque agora, finalmente, no Brasil tem Anvisa, tá tudo regulamentado, e é muito mais fácil da gente ter esse acesso. Mas eu uso há uns cinco anos já, eu só parei nas minhas gestações. E era muito difícil de comprar, eu tinha que fazer maior trâmite, era um mês pra chegar, e hoje você, com receita, compra na farmácia. Isso é maravilhoso, entendeu? E foi por esse motivo que eu quis abordar esse assunto, pra que haja essa discussão e que as pessoas, finalmente, possam entender o que é. O CBD ajuda mesmo na qualidade de vida como um todo. A minha vida é outra vida, eu posso falar sobre mim. E eu falo com segurança mesmo, com propriedade de quem usa, entendeu? Só me ajudou.

“Imagina eu, que tudo que falava era polêmico, um espirro que dava era ´nossa, um espirro´, se eu falasse de CBD naquela época, ia ser presa. Hoje, tô me sentindo mais à vontade, graças a Deus”

Por que você deixou de usar quando engravidou?

É, eu não usei, porque eu acho que não pode, né? Aí eu voltei agora, tem uns três meses. Pra não arriscar, eu falei não. Por um respaldo, por uma segurança extra.

O que a cannabis te trouxe? No que ela te ajuda?

A minha mente é muito inquieta, eu sou uma pessoa extremamente ansiosa, e eu percebo uma diferença nítida ao longo do meu dia. Eu, quando uso, e eu uso, tipo, toda noite, além do sono me ajudar muito, nunca tive problema de sono, mas eu percebo que o meu sono é mais tranquilo, que eu descanso mais, e o meu dia seguinte, né?, todos os meus dias… Eu acho que fico uma pessoa, não mais calma, porque ele não deixa você apática, mas eu fico mais tranquila mentalmente. Eu não fico nervosa, irritada, que nem às vezes eu fico quando não uso. Me ajuda nessa tranquilidade da mente mesmo, na ansiedade, no estresse, acho que fico uma pessoa mais legal perante o convívio social.

Em algum momento quando você tava grávida, você ficou preocupada de não voltar ao shape anterior? E se foi assim, queria saber como é que você atravessou essa fase?

Olha, sinceramente, preocupada não, porque sou muito focada, a gente tem que ter força de vontade. Eu sabia que não ia ser do dia pra noite que o meu corpo ia voltar, mas sabia que ele ia porque sou focada. Simplesmente isso. Mas, assim, confesso que nas minhas duas gestações… Na segunda foi muito mais fácil porque já sabia que voltava. Em seis meses já era quem eu era antes. Mas assim que o filho nasce, e a gente volta pra casa a gente não se reconhece, é desesperador. Você acha que nunca mais vai voltar, e na minha primeira gestação eu fiquei horrorizada. Gente do céu, como é que eu vou fazer? Eu sei que volta, mas assim… Tá puxado. Nas duas, engordei dezoito quilos e voltei em seis meses, porque eu sou focada. Assim que deu, eu fiz meu exercício todo dia, alimentação, e o corpo volta também, porque o corpo tem memória. Mas a gente tem que saber que existe um processo natural e tem que ter paciência porque “puta que pariu, quem é essa pessoa”? A gente não se reconhece, a gente tá inchada, acabada, com olheira, e a gente acha que nunca mais vai voltar, mas volta, só tem que fazer a nossa parte. E, cara, eu queria tanto ser mãe, eu queria tanto viver isso, que por incrível que pareça, pensar no meu corpo não ocupava o meu pensamento naquele momento, eu tava muito mais preocupada em amamentar, em estar com o meu filho. Eu tava tão feliz que o tempo foi passando e, naturalmente, o meu corpo foi voltando. 

Você acabou de mudar pra Punta del Este. O que mais te surpreendeu na cultura e no comportamento dos uruguaios?

Os uruguaios são incríveis. Nunca imaginei que fosse me identificar tanto com eles. E, assim, ainda estou aprendendo, né? Porque, na verdade, a gente só passou um mês aqui em novembro e agora que a gente veio pra ficar. Mas eles têm outro ritmo aqui, é outro ritmo, é outra atmosfera, não tem essa ansiedade, essa coisa de ficar produzindo e fazendo, eles estão no ritmo deles, eles têm uma mentalidade muito mais profunda no sentido de consciência, de dar valor ao que tem valor, de dar valor ao tempo, à saúde, à yoga, alimentação. É que São Paulo é um baque, não é que eu vim da roça, da fazenda… É um choque quando você vem daquele ritmo. E eu tenho um ritmo frenético, sou frenética. Então pra mim, chegar aqui e dar essa respirada e ver que eles vivem muito bem, com muito menos que a gente, eles vivem muito bem com a natureza, com essa coisa mais tranquila, e isso é o que eu mais tô aprendendo aqui e valorizando, porque acho que é necessário, às vezes a gente vive num automático, principalmente em São Paulo, e não se dá conta de que a gente não respira. Então só o fato de respirar, parar, prestar mais atenção na natureza aqui que é divina, aqui são cinco vacas pra um ser humano. Só o fato de ter muito mais bicho do que gente aqui já dá uma tranquilidade tão grande, que é isso que eu tô reaprendendo, reorganizando as minhas prioridades pra conseguir viver mais em paz aqui do que eu vivia em São Paulo, com certeza.

Já deu tempo de você ver como é que funciona a questão canábica por aí?

Menina, cheguei ontem aqui, mas a gente passou novembro aqui e a gente conversou com muita gente. Aqui é um mercado muito produtivo, muito procurado. E muita gente tá investindo nisso aqui porque tem muita gente fazendo dinheiro com isso aqui. A gente fez um casal de amigos que plantam, produzem e comercializam há cinco anos, que se dão bem. E aqui é super disseminado isso, é normal. É um mercado como qualquer outro, super amplo, respeitado e organizado, incrível. Você vai aqui nas lojas e tem óleo de cannabis, tipo cheirinho, spray, borrifado, tem tudo, é normal. É muito legal.

“Você vai aqui (Uruguai) nas lojas e tem óleo de cannabis tipo cheirinho, spray, borrifado, tem tudo, é normal. É muito legal”

Você já pensou em investir em algum negócio de cannabis?

Olha, com tanta coisa que eu tô agora, não tá nos meus planos ainda investir. Tipo, começar do zero, não. Mas não é algo que eu falo nunca vou, até porque tudo que tem a ver com a minha verdade, com o que eu uso, com o meu estilo de vida, tem chance de eu querer fazer e empreender com algo que acredito. Pra quem tá com 15 empresas, 16, a gente já tá no automático. E é um assunto que eu gosto, sim, que eu quero que as pessoas entendam mais. Então, me agrada muito, mas ainda não tem nada definido, não.

Você fuma maconha?

Nunca, nunca. Não gosto, não tem a ver comigo. É o óleo medicinal mesmo, mas maconha não… Não é a minha onda.

Eu tava vendo esses dias uma foto do Ice Blue na sua casa, e o Blue também tem uma empresa de cannabis, eu tava pensando… será que de repente eles estão aí cozinhando uma sociedade?

Não, não. Nada disso. Por enquanto, não. Você acabou de falar e eu nem me lembrava, mas ele tem mesmo. A gente nunca falou disso. Ele é amigo e irmão da família, porque o Túlio, meu marido, e o irmão, têm uma gravadora de rap, a Baguá, há muitos anos. Eles estão nesse meio do rap, eles vivem isso, e o Ice Blue é amigo deles de muitos anos, amigo e irmão mesmo. É engraçado ver junto, né?, porque é um outro mundo. Mas assim, essa galera do rap é de casa. A gente nem falou sobre isso, mas eu sei que ele tem, ele investe, já tá nisso há muito mais tempo que eu.

Você tá disposta a falar sobre cannabis sem ter medo de perder ou de desagradar patrocinador?

Ah, se falar de cannabis medicinal desagradar patrocinador é eles que têm que se informar porque é algo que só traz benefícios. Eu acho que nada é pra todo mundo. Ai, você tem que usar? Não. Mas a gente tem que se informar. A informação é útil, ela que faz a gente entender da vida. Eu me sinto responsável em informar as pessoas que essa alternativa natural existe.

“Se falar de cannabis medicinal desagradar patrocinador é eles que têm que se informar, porque é algo que só traz benefícios”

Na época que você começou a tomar lá, que você consumia dos Estados Unidos, como fez pra se informar?

Já gostava desse assunto, desses temas há muitos anos e sabia que lá fora já era algo muito disseminado e usado, sabia que era seguro pra mim. E é o que tem a ver com o meu estilo de vida, sempre gostei mais. É o que eu te falei, sempre me identifiquei mais, e me alinho mais com a medicina (natural), e mesmo que no Brasil fosse um assunto ainda muito polêmico, porque as pessoas não tinham esse acesso à informação, eu já tava vendo lá na frente, sabia que lá fora atletas de ponta usam (CBD) pra dores. Então, me sentia segura e obviamente que eu falava com médicos, um ou outro, que são dessa linha, que já prescreviam isso no Brasil há muito tempo. E aí eles me deixavam segura. Hoje tem uma cambada de gente, ainda bem, que prescreve, que fala disso, mas na época era um ou outro. E eu tinha acesso a esses médicos que já estavam mais à frente com esse tema, e aí eu me consultava com esse tipo de profissional.

E no Brasil, tudo tão atrasado, não te angustia?

As pessoas não se informam, elas não sabem exatamente como que a cannabis medicinal pode ajudar de fato. Para o tanto de questões que ajuda, para dores, para estresse, doenças sérias. No Brasil, tá tendo mais esse acesso fácil do que antes. Isso já é um super avanço, isso já é maravilhoso. Mas é assim, tudo sai na frente lá fora pra depois aqui no Brasil a gente correr atrás. E é isso que tá acontecendo com a cannabis. É o mesmo movimento, é um pouco mais atrasado, mas já tá sendo disseminado.

“As pessoas não se informam, elas não sabem exatamente como que a cannabis medicinal pode ajudar de fato”

Você pensa em adotar a bandeira da cannabis?

Eu não tive essa estratégia. Agora eu vou falar sobre… me deu vontade de fazer aquele vídeo. Até porque os donos da Blis, que é o único aplicativo que é mundialmente, né?, que faz esse trâmite, são meus amigos. E aí eu falei “cara, eu tô usando, eu gosto”. Agora, tipo, tá tendo mais possibilidade de acesso, tem a Blis, e aí, eu quis fazer esse vídeo, não foi algo bolado, de aí, agora eu vou ter uma pauta disso. Pode ser que eu fale mais, pode ser que não. Eu realmente quis falar e gostei de ter esse espaço. É muito legal a gente, ao menos, abrir esse espaço pra ter essa troca, acho que pode ser que eu fale mais, mas acho que as próximas vezes pode ser de uma forma mais natural, vou sentindo o que a minha base quer falar, se as pessoas querem. Tem essa necessidade de debater mais sobre esse tema que acho importante, e tudo que eu acho importante falar, vou falar. Se eu sentir que é importante que eu fale disso novamente, eu vou falar. Não sei com que frequência, mas é assim que eu toco minha vida. Eu me sinto na responsabilidade de falar sobre isso. Acho que as pessoas têm que saber que isso existe.