Por Murilo Nicolau
A realidade é que quase não existem fontes confiáveis de informação completa sobre a cannabis e seus usos. Faça um teste: procure na internet sobre tratamentos com cannabis, abertura de empresas e associações ou até como registrar um produto via RDC 660. A escassez de informações acessíveis e seguras é alarmante.
Diariamente, recebo questionamentos sobre como ingressar no mercado da cannabis, como obter dados confiáveis sobre a indústria e como se tratar de maneira segura e legal. Nesse cenário de desinformação, as associações têm se destacado como verdadeiros oásis de conhecimento e empoderamento para pacientes, prescritores e outros envolvidos na causa.
Foi em 2022, durante minha primeira visita a um cultivo de maconha da associação Maria Flor, que percebi a verdadeira potência e importância dessas organizações na luta pela regulamentação da cannabis. Sem as associações, considerando a atual conjuntura legal brasileira, não teríamos condições de cultivar cannabis legalmente no país. A Anvisa e o Governo Federal nunca regulamentaram o cultivo e são essas entidades, com seu caráter humanitário e medicinal, que garantem o avanço nesse campo.
Associações não só cultivam a planta, mas também cultivam conhecimento. Elas frequentemente organizam imersões e eventos para associados, prescritores e visitantes. Abrir um cultivo associativo para o público é, de certa forma, um ato de resistência, uma demonstração clara de que, apesar de todas as barreiras, é possível produzir tratamento em solo brasileiro.
As associações representam muito mais que um refúgio em meio à desinformação. Elas são uma prova viva de que, com determinação e apoio mútuo, é possível superar os entraves legais e sociais que ainda cercam a cannabis no Brasil. O fortalecimento dessas organizações é essencial para garantir o direito dos pacientes e para um dia tornarmos o cultivo e o acesso à cannabis uma realidade segura e regulamentada no nosso país.
Tem dúvidas jurídicas sobre a planta? Toda terça, responderei às perguntas enviadas pela comunidade breezada. Envie DM pelo Instagram da @breeza_revista. Ou pelo meu, o @omurilonicolau.