
A Breeza tem detectado uma onda de atores e atrizes que têm confiado na cannabis como caminho para a cura. Começamos, já em nossa primeira edição, conversando com Maeve Jinkings sobre o assunto. Agora, nos conta Marcelo Serrado: “Me faz bem, tanto que recomendo a quem pode precisar. Cannabis não é mais o futuro, é o presente.”
Aos 57 anos, o ator, eternizado em papéis com o de Crô (grande destaque da novela Fina Estampa e que ganhou filme próprio) e o de Carlos Eduardo, o vilão de Velho Chico, atendeu a Breeza em uma chamada de vídeo, direto de sua cama… ou, ao menos, uma cama na qual ele estava deitado, com cara de quem acordou ou de quem ia dormir.
Curiosamente, o início da conversa foi justamente sobre dormir. Serrado leva a cannabis para a cama todas as noites. “Ajuda a baixar a bola. Desligo o celular, relaxo e durmo.”
Assim como Maeve Jinkings nos falou, ele conta que iniciou o hábito durante a pandemia, por recomendação médica. “Estava com muitas crises de ansiedade.” Hoje, toma seis gotas de óleo medicinal pela manhã, seis à noite. Porém, não sabe dizer qual é a composição do medicamento indicado, já que segue as exatas recomendações médicas.
Quando questionado sobre se a cannabis lhe faz bem, ele afirma que sim, sem qualquer efeito adverso, mas com um alerta: “Cada pessoa tem um corpo e reage de alguma maneira (diferente da outra)“. Mais uma vez de forma curiosa, ele boceja nesse momento da conversa, pouco antes de complementar: “Me sinto mais tranquilo quando uso. É natural (ele compara, antes, a outras formas de medicamentos, digamos que mais usuais), não me vicia e não sinto que me cause dano.”
A MACONHA EM CENA…
Serrado nos conta que “lá atrás, já fumei uns”: “Todo mundo usava na minha área, no ciclo em que convivia.” Afirma, todavia, que nunca foi um “adepto disso, o máximo que tomo hoje em dia é um uisquinho e pronto.” Além do óleo, duas vezes ao dia.
Na juventude, ainda na adolescência, testou fumar antes de entrar em cena. Não deu certo. “As pausas ficam mais longas. Fico mais lento. Não usaria (mais) para fazer um espetáculo. Não me arriscaria a usar para entrar em cena. Tem de estar sóbrio e fazer a loucura que tiver de fazer, para depois voltar pro lugar em que você estava (antes).”
Em entrevista recente, Nelson Motta compartilhou com a Breeza a impressão de que o meio de atores e atrizes teria maior resistência à maconha, por supostamente afetar a memória. Serrado não vê esse efeito em si, pelo uso do óleo. Comenta, rindo: “Minha memória já é péssima, então não mudou nada. Talvez tenha feito até bem”.
Dos personagens memoráveis que encarnou, destaca dois que, para ele, seriam breezados. “O Vilão de Velho Chico, com certeza. Alguém que tá lá no sertão vai acender um e botar pra dentro. E esse meu novo vilão da HBO (de uma novela vindoura do canal), também. Iria na brisa. Tão doido que é. Esse que eu tô fazendo agora, neste momento, é o mais doido.”
… E EM CASA
O assunto não é tabu na família, pelo contrário. “Minha mãe teve Alzheimer e usou cannabis. Ela faleceu no ano passado, mas teve uma sobrevida muito boa com o cannabidiol. Conseguia identificar mais a gente, tinha menos crises, ficava menos ansiosa.”
A filha, de 19 anos, sabe que ele usa o óleo medicinal. “É tranquilo. Minha filha não é de experimentar. Mas se quiser, não tem problema.”
Ainda na cama, com expressão de quem não tem mais muitos problemas para dormir, Serrado encerra a ligação com a Breeza. Não sem antes voltar a ressaltar: “Isso (a maconha) é o futuro. Não, é o presente!”.
Filipe Vilicic