
A cantora Jaloo se vê como profana, assim como o título de uma de suas músicas, “Profana”. Para ela, profano é o ato de romper com o pacto civilizatório, privilegiando uma conexão mais profunda com a natureza.
Referência da música brasileira moderna, é super ousada em tudo que faz. Multiartista – compositora, produtora, cantora, atriz, performer –, acaba de completar 10 anos de seu primeiro disco e neste mês lança seu próximo álbum que, como de costume, traz um repertório de músicas ótimas para dar uns pegas, mocozar, fazer amor chapadinho.
Na entrevista para Filipe Vilicic, aqui da Breeza, ela nos conta que já teve uma relação mais próxima e diária com a cannabis, que hoje usa de forma solitária, pontual e terapêutica, para enfrentar os próprios demônios. Fala que sente saudade de um tédio criativo que existia antes da onipresença digital, das telas e das redes sociais.
Jaloo compartilha sua experiência com ayahuasca, que ela quer repetir um dia na Amazônia, comenta do papel fundamental do estrogênio em sua transição de gênero, abre experimentações com cogumelos, e revela como foi o tratamento clínico que fez com cetamina. Confira a seguri esse papo que tá brisado, reflexivo e uma delícia.
Para começar aqui a nossa a nossa entrevista, tem uma música, um clipe seu, que chama “Profana” e que tem tudo a ver com a conversa que a gente vai ter aqui na Breeza, porque para muita gente a Breeza é profana, né? Para muita gente eu sou profano, maconheiro, bi, tem vários elementos aí profanos. Aí quero saber: para você o que é ser profana?
Tem várias leituras, mas o que me veio à cabeça agora é: quem rompe esse pacto civilizatório. Basicamente é quem se conecta muito mais à natureza do que às regras que a gente criou; tipo, algumas com necessidade, outras nem tanto. É ser mais animal.
Você é profana? E como se vê profana?
Eu sou até onde eu consigo. Porque não é fácil não seguir as regras. Eu sei que uma parte de mim, muito grande, é forte, é corajosa, já rompeu com muitas questões que me foram impostas desde criança. Lembro que nem tinha 10 anos (de idade) quando falei para a minha mãe, que na época era católica – e eu cheguei até a fazer a primeira comunhão –, e eu falava: “Mãe, eu falo com alguém (divindade), mas ninguém me responde, não, tá? Eu não tô ouvindo ninguém respondendo de volta, então eu não acredito”. Desde muito cedo eu já me coloquei dessa forma no mundo, como ateia. E a minha mãe, desde que ouviu isso, acho que entrou na cabeça dela. Hoje em dia ela é mais agnóstica e a gente, a nossa família, é bem mais afastada da ideologia cristã.
Tem várias músicas suas com a temática da maconha, e algumas são mais óbvias. E também são ótimas para fumar um, para mocosar, para transar chapadinho. É uma delícia. Por exemplo, “Odoiá”, que tem aquele início que fala “sente que a vibe que veio para ficar”, e fala dos olhos fumados, fala de larica. Tem também em “Pode”, que fala que fumou e vai bolar mais três. Nos conta, como é a sua relação com a maconha?
Curioso, porque na época que fiz “Odoiá”, tinha uma relação bem mais próxima com a maconha, e eu não sei à medida que eu fui ficando mais madura, fui me afastando. É o pacto civilizatório, né? Eu precisava estar mais funcional, mais presente, menos contemplativa, o que é meio triste, né?, de admitir. E isso acabou fazendo eu tomar essa decisão. “Cara, se eu continuar fumando do jeito que eu fumava, não vou dar conta dessa loucura toda que tá aqui na minha frente”. Mas eu tenho outra questão, a minha droga sempre foi o álcool, a droga que eu mais me conecto até hoje. Já tive época de parar. Fiquei quatro meses sem beber no começo do ano por questões pessoais, também de exagero. E é a droga que eu sou mais conectada, que realmente eu gosto do efeito, gosto como ela silencia a conversa interna. A maconha às vezes aumenta a minha conversa interna, que já é gigante, então sou muito mais do time do álcool. Ao mesmo tempo tive experiências lindas com a maconha. Lembro, quando eu estava me tornando adulta, de passar horas ouvindo música com dois amigos meus assim (fumando um). E a gente só fazia isso, ficava deitado olhando para cima. Esse tédio saudoso, né? Tenho muita saudade desse tédio, de ficar, sei lá, três pessoas num quarto fumando maconha e ouvindo música. Quem faz isso hoje, se conecta dessa forma?
Mas por que será que a gente não faz mais isso assim? O que corta esse barato?
(ela faz um gesto de que está mexendo no celular)
Explica pra gente.
Eu acabei de fazer um movimento com polegares, fingindo que eu tô mexendo em um celular. Mas é isso, vício em telas mudou completamente a forma como a gente se relaciona. De dez anos para cá, mais de dez anos, eu tinha 19, então sei lá, faz uns quase vinte anos. Eu vivi essas transformações! Então eu olho de forma saudosa. Eu sei que é muito errado fazer isso, mas é um comportamento humano mesmo, né? Até as gerações passadas, sei lá, meu pai e minha mãe já gostavam mais da época deles. Então isso sempre vai acontecer. Daqui a pouco a geração Z também tá dizendo que gostava mais da época dela, que já tão passando, né? Já estão se tornando adultos.
A maconha tinha qual papel na sua vida quando você fumava com frequência? Como é que ela entrou na sua vida e onde você colocava ela? Ajudava na criação, por exemplo?
É curioso porque ela é muito mais uma droga, para mim, contemplativa, ela não me torna uma pessoa muito funcional. Eu acho que cada caso é um caso, né? Eu tenho umas amigas que, meu, elas estão enfiadas no estúdio e fumando, um atrás do outro. Eu fico olhando, assim, “caramba, que legal que ela dá conta”. Mas eu não dou, tenho plena certeza disso. Tanto é que uma das coisas que sempre falo em entrevistas é que, por mais que eu use algumas drogas, eu sempre vou compor e produzir minhas músicas sóbria. Tem esse lugar de encarar a realidade para sentir ou para expurgar mais as coisas. E aí quando a música tá pronta ou tá em processo de sinalização, eu já entro pro lado contemplativo. Eu vou ouvir ela às vezes chapada, às vezes bêbada, às vezes sei lá o quê, e vou curtir e falar: “Nossa, eu realmente cheguei onde eu queria. Eu tô causando a sensação que eu queria”. Então tem essas duas fases.
E você tirou a erva de vez assim da da sua vida, foi uma decisão de “eu não quero mais”? Ou às vezes você ainda topa, você gosta numa roda, só não é no dia a dia?
Tem aquelas pessoas que fumam com muita frequência, que tem um dia a dia com a maconha, tenho vários amigos assim. E tem as pessoas que não dão conta. Eu sou do time que não dá conta, e eu aprendi e aceitei que cérebros são diferentes, né? Não tem jeito. Mas tem uma coisa que eu adoro fazer com a maconha, e que é esporádico. Às vezes num domingo à noite, ou durante a semana, quando eu tô com tempo livre: É encarar os meus demônios! Olha que curioso, a maconha às vezes me desperta esse lugar de olhar para a parte de mim que eu costumo não encarar de frente, coisas que me dão vergonha, partes de mim que eu não tenho orgulho de ter e de carregar comigo. Quando eu fumo maconha, eu consigo olhar para elas. Então é uma experiência bem solitária, eu fumo geralmente sozinha, e deixo vir. E é bom porque eu saio renovado, eu olho… olhar para as coisas é bom, né? Mais do que fingir que elas não existem, e eu sei que fingir que elas não existem também é necessário pra gente sobreviver. Mas tem hora que a gente tem que encarar, e a maconha me ajuda nisso.
Eu faço uso de algumas drogas de forma extremamente terapêutica, o que é meio curioso. O cogumelo, eu saí esse fim de semana e uma amiga minha tirou assim um envelope de cogumelo e falou “Quer?”. Eu já tinha bebido bastante e falei: “Não, de jeito nenhum. “Por quê?”. Falei: “Porque eu faço uso terapêutico?”. Aí ela: “Ah, tudo bem, então”. E guardou e ofereceu para outros amigos. Eu tenho esse lado de tentar entender as coisas mais do que, sei lá, me desligar, eu acho que eu me conecto muito com uso de algumas drogas mais do que eu me desconecto. Com a maconha, o cogumelo…. a ayahuasca eu fiz uma vez só, foi incrível, mas eu fiz aqui no interior de São Paulo e percebi muitas coisas que eu não sei se eu deveria, mas uma das coisas que eu mais senti quando eu usei foi “cara, eu não devia estar fazendo isso aqui, tá?”. “A experiência tá ótima, mas essas pessoas nem sabem o que estão fazendo”. Tipo, me veio um espírito muito ancestral na época, e na hora que eu tava sentindo tudo, parecia que tava muito fora do lugar de origem, tanto eu quanto a própria experiência. Então eu fiz essa promessa para mim: se eu for fazer o uso de novo, vai ser na minha Amazônia, com os meus.
Você falou aí de demônio, de uso ancestral, de encarar esse lado terapêutico. Me conta um demônio que você superou usando ayahuasca ou maconha. Me conta um pouco de uma experiência que você passou assim.
Quando eu lancei meu primeiro disco, começou a acontecer uma coisa que eu não fazia ideia que iria acontecer. E aí foi acontecendo diante dos meus olhos, que é o fato de eu ser observada em diversos lugares onde estou. Às vezes eu sou observada só porque eu sou uma figura curiosa ou bonita, mas muitas vezes é porque as pessoas me admiram, e esse olhar de admiração, de fã, é meio curioso. Porque hoje eu já me curei disso e, sei lá, eu encontro alguém no metrô que tá me encarando, e olha também disfarçadamente, depois vem falar comigo, e sempre respondo: “Eu já sabia!”. Aí ela fala: “Por quê?” E eu falo: “Porque você me olhou como se tivesse visto um fantasma”. Geralmente é esse o primeiro olhar, assim, quando me vê. E isso do lado daqui da fantasma, me assustava no começo, comecei a desenvolver uma fobia social que hoje eu trato, eu faço análise, tenho acompanhamento psiquiátrico também, muito leve, tá? Não sou uma pessoa dopada, já fui, mas não sou mais porque eu não conseguia dar conta.
Então, uma das palavras, no dia que eu fui fazer o ritual da ayahuasca… a pessoa responsável pelo ritual pedia pra gente pensar em uma palavra, falar uma palavra. E quase todo mundo falou “amor, amor, amor”. Ah, eu quero amar, eu quero sentir o amor, quero. E eu olhava para ela e, sério, gente, a mesma coisa. Vocês só querem isso? E aí quando chegou em mim, eu falei: “Coragem”. Eu queria coragem, e eu realmente saí uma pessoa muito mais corajosa. Depois disso, comecei a olhar para as pessoas de uma forma mais humana, tipo, tá todo mundo só tentando ser feliz, como pode, né? Ninguém tá me pressionando, ou querendo me assustar, ou querendo impor poder sobre mim. Às vezes ela só tá com medo, sei lá, desde a transfobia até outras coisas, são só pessoas no final das contas.
Falando da transfobia, falando da sua transição, a gente conversou com a Laerte, por exemplo, que comentou o quanto algumas drogas tiveram um papel muito determinante na transição, em realmente de se encontrar, né? Teve papel para você? Como é que foi na sua transição?
Drogas é uma palavra que se a gente for olhar para ela com calma, ela abarca muita coisa, né? E uma das substâncias que começou a fazer parte da minha vida é o estrógeno. O estrógeno me trouxe sensações muito incríveis. Depois da minha transição, eu me sinto muito mais forte, muito mais vigorosa, com vontade de mastigar o mundo inteiro, sabe? E eu devo uma parte disso ao estrógeno, que é o hormônio feminino. Eu já bloqueei muito mais a minha testosterona, o que eu acabei descobrindo no meio do caminho que é algo perigoso. Tem muitas meninas que até tiram a vida por conta disso, porque a testosterona é um hormônio necessário, e ambos os sexos, biológicos ou não, produzem esse hormônio. A gente tem que tirar da cabeça que tem que tirar testosterona e encher de estrógeno. O equilíbrio é necessário para todo mundo, e agora eu tô num lugar muito equilibrado, tanto em relação à testosterona quanto ao estrógeno. Tenho desejo, tenho alegria e também tenho as características femininas que me faltavam desde sempre. Eu tinha essa lacuna faltando ser preenchida, sabe? Então, se eu for pensar em substância, que a gente pode chamar de droga, o estrógeno me ajudou muito.
Você falou do uso terapêutico, e hoje se fala bastante do fim medicinal. Aqui a gente vê planta como planta, maconha como maconha, pra gente cannabis e maconha é a mesma coisa, mas se fala muito aí de do fim medicinal, que é o fim legalizado já no Brasil.
CBD, né?
Isso. CBD, cogumelos também, como fins medicinais. Você explorou também nesse sentido mais formal? Você disse que faz terapia, por exemplo. Te recomendaram de uma maneira formal?
Tem uma coisa curiosa, que eu nunca tinha falado, mas eu vou abrir o jogo, algo que eu fiz neste ano. Foi uma experiência bem intensa, mas necessária. Teve um momento da minha vida, uns dois anos atrás, até o começo do ano passado, que eu senti muita anedonia, que é a falta de prazer pela vida. É como se a não tivesse mais o grato, né?, o positivo, o negativo, e tudo é importante. Eu tava só ali no meio, e isso tava me deixando muito apática. E eu comecei a pesquisar coisas. Então, desde as drogas, como o cogumelo, a ayahuasca, pode te ajudar com isso. E os óleos, o CBD também, o THC. Mas tinha uma outra substância, que tá muito em voga agora, que é a cetamina. E eu fui até uma médica, falei sobre o meu caso, e fiz quatro infusões de cetamina, que é um processo extremamente terapêutico, ele é feito em ambiente clínico, é colocado num soro, na tua veia, a experiência demora uma hora, no máximo, e termina, tem um começo, tem um fim. Ela é bem alucinógena também, ela traz muita coisa que tá engasgada, sai para fora, então você resolve algumas coisas. E é um tratamento muito utilizado para depressão severa, para vício em algumas drogas, por exemplo, o álcool, que eu tenho um pouco disso, e para anedonia. Então, no geral, eu me sinto bem melhor depois da experiência.
Obrigado por compartilhar a sua experiência. Sempre legal essa confiança. E eu senti que você teve um período em que estava menos nas redes sociais, que foi até um período entre álbuns, um período que, como eu gosto bastante da sua música, foi também quando percebi que pode ter sido também o da transição, né? E agora pouco você falou do vício também, nas telas, nas redes. Houve mesmo esse afastamento das redes?
Houve, foi ali no começo dessa década, e o motivo era muito claro, foi tudo planejado. Já sabia que, a partir daquele momento, eu ia entrar no processo de transição, e isso inclui muitas mudanças físicas. Por exemplo, eu tinha pelos no rosto, e até você lidar com isso, fazer laser, os hormônios e tudo, você vira meio que um casulo antes de se tornar a borboleta, né? E esse período do casulo causa muita disforia com o próprio corpo, com a própria aparência. Ao mesmo tempo, eu também não queria tornar a minha transição um assunto público, acho que eu sou uma pessoa, no final das contas, e eu tenho direitos, posso tomar decisões que inferem só a mim mesma. O conjunto de tudo isso fez eu me afastar, mas nem me afastei tanto, né? Porque eu criei uns personagens meio malucos, lembro que na época as pessoas achavam que eu estava maluca, e eu tava, sim, um pouquinho, mas eu tava principalmente não me mostrando. E aí meu Instagram virou praticamente uma página de memes. Parei de trabalhar nessa época também, tinha uma grana guardada, e eu falei “é o momento também de eu finalmente parar”. Foi o conjunto de todas essas coisas. E aí eu tive um hiato ali de um ou dois anos, mas eu nunca parei de trabalhar, né? Nesse momento eu produzi o disco da Gaby Amarantos, o “Purakê”, que antecedeu o “Rock Doido”, e fiz o primeiro disco do Os Amantes, que era um projeto que é um projeto que eu tenho pra banda Strobo. A gente criou essa banda, que é uma forma também de eu sair de mim um pouco, de eu focar em outras coisas. Então, eu nunca parei de trabalhar, só parei de me mostrar.
Falando aí de música, da sua carreira, acho que foi fim do ano passado que fez 10 anos do seu primeiro álbum, que super te bombou, assim, imediatamente. Depois do pequeno período de hiato sobre o qual a gente conversou, você lançou um novo álbum que tem a música “Profana”, que a gente citou, e agora saiu um single. Como é que tá a sua produção, para onde você tá indo? Vamos esperar mais um álbum agora?
Ah, eu volto pro início, né? A gente tem que firmar alguns pactos civilizatórios, e o pacto que mais urge atualmente é você ser extremamente produtiva. Eu acho que você tá percebendo já essa conversa silenciosa de que a gente tem que trabalhar três vezes, quatro vezes mais do que já trabalhou um dia. E eu tô fazendo isso, focando muito em trabalho. Eu já lancei um disco agora, quer dizer, a gente vazou o disco. Essa história é curiosa, a gente prometeu pro Sesc Pompeia o lançamento do disco, mas acabou que eu saí da minha gravadora. Então, várias questões burocráticas fizeram com que o disco ainda não estivesse nas plataformas. A saída que a gente teve foi vazar ele, para que assim a gente pudesse lançar. Mas agora eu tô firmando os contratos, assinando. Acho que nesta semana a gente sobe o disco finalmente, e vamos fazer um lançamento bem bonito, com tudo que se tem direito, com material visual, a gente trabalhou em tudo isso. Então já tem um disco neste ano, mas eu já tô trabalhando num próximo. Não posso dar detalhes porque não é o quarto disco da Jaloo, mas é um disco da Jaloo também.
Quanto mistério, quanto mistério. E eu também já te vi como atriz, né? Tem um filme com Júlio Andrade, que você tá lá. Como é que você explora também essas outras artes, porque você é um tanto múltipla, né? Eu te vejo muito como performer, com os clipes que você dirige. Como é que você explora a arte como um todo?
Sem querer me dar muita pompa com essa comparação, mas eu sou um pouco Leonardo da Vinci. Não sei se você já ouviu falar da história dele, mas ele fazia tudo, desde pintar até, sei lá, invenções. Eu sou exatamente assim: desde criança, eu lembro que eu construía robô com elástico, cotonete, sei lá, meus próprios brinquedos eu fazia, sempre estava testando coisas, cozinhava. Lembro de fazer bolo criança e, quando eu descobri que podia criar também em cima do áudio, da manipulação das ondas quadradas, redondas, mixagem, fiquei encantada e pulei de cabeça nisso, mas não é só o que eu faço. Tanto é que lá vem os clipes, tem os roteiros, eu adoro escrever roteiros, veio essa oportunidade de ser atriz também, eu abracei muito e tentei fazer o máximo possível. Lembro que eu fiquei muito insegura até o dia que eu assisti o filme, sabia? Não tinha certeza se eu tinha entregado, porque eu sou extremamente crítica. Eu vejo novela e às vezes eu fico “gente, isso tá muito ruim”. Sou assim comigo mesma, né? Tipo, acho que eu sou a minha pior hater, então vocês podem me hatear à vontade. E quando eu assisti o filme, eu me perdi nele, me perdi na história. Eu tava torcendo pelos personagens,0 então foi nessa hora que falei: “Caramba, realmente eu dei conta”. Eu fiz muito bem o que eu tinha que fazer. Acho que não tem resposta melhor do que você esquecer que você tá naquele enredo, naquela história. E eu tenho muitos projetos, tô pensando muito atualmente em filme, mas não no lado de atuar. Talvez atuar, né?, pode precisar, mas fazer mesmo.
Suas músicas são super psicodélicas, né, como eu comentei. Mas, para você, qual é sua música mais brisada, aquela psicodelia que o pessoal do público realmente brisa, né? Qual é a sua música mais psicodélica, seu momento mais psicodélico?
Eu vou pro disco “Mau”, agora, com “A verdade é que a cidade vai me matar”. É uma música bem intensa, fala da minha relação com a cidade num lugar muito sincero, e tem uma coisa que eu sou apaixonada há anos, e que sinto falta em algumas músicas hoje em dia, que é o drop. É um é um pré-refrão que é construído, às vezes até o próprio refrão, ele vai crescendo, crescendo e no final não vem mais vocal, vem esse conjunto de frequências e batidas que fazem a gente sentir uma espécie de gozo. E esse é o drop dessa música, por exemplo, que eu acho incrível. Não é porque eu fiz não, mas eu acho incrível. “A verdade é que a cidade vai me matar”.