Saindo da estufa

Leandro Lima: “Gosto muito da psilocibina, é a minha onda real”

Fotos de Brunno Rangel / Divulgação

Leandro Lima já foi cantor de axé, modelo de passarela, pai aos vinte e poucos anos, e agora é ator em horário nobre. Quem olha de fora, só enxerga o carrossel: Paris, Milão, Nova Iorque, novela na Globo, tapete vermelho. Quem olha de perto, percebe outra coisa, a intenção de desacelerar. 

Nessa entrevista com nossa editora Anita Krepp, Leandro conta que nesse processo de desaceleração, o seu uso de maconha também diminuiu, o que abriu espaço para ele conhecer a psilocibina, seu psicodélico favorito.

Das mesas de jantar com Morgan Freeman e Uma Thurman, e sandálias de 2.500 euros, à louça do dia anterior que ele gosta de lavar todas as manhãs como meditação ativa, e o Fusquinha que curte dirigir para lembrar que luxo também enferruja.

Leandro viu por dentro a engrenagem da moda e da fama global, mas hoje prefere falar da Paraíba, de sotaque corrigido à força, de cogumelo contra ansiedade, de um parto no trânsito. O cara que já teve tudo aprendeu a pedir pouco e é aí que começa a conversa.

Leandro, você que já fez de tudo nessa vida, teve banda de axé, depois virou modelo, morou na Itália, em Nova Iorque, rodou o mundo e agora tá indo de vento em popa, como ator, no ar na novela Vale Tudo etc. Com tanta vida vivida, qual é a vida que vale a pena ser vivida pra você?

O supra-sumo dessa existência é estar próximo daqueles que você escolheu, sabe? Como amigos e pessoas que você quer estar perto. Você ter essa possibilidade, eu acho que é o supra-sumo, seja onde for. Seja Rio, São Paulo, Nova Iorque, Paris. Eu tô cada dia mais querendo ter contato com os meus poucos, aqueles que são de verdade, que a vida já ensinou. Acho que é uma tendência mundial dar um slow na vida, não precisa ser esse desespero todo, não tem que estar encontrando gente nova, não tem que estar vendo pessoas novas. Eu vou tentar cultivar os meus poucos, que no meu caso já são muitos, porque são muitos países, são muitos lugares. 

Você sempre teve essa noção?

Eu achava que eu tinha que estar em todos os lugares o tempo inteiro. Eu tinha um FOMO louco da vida, queria estar em tudo. E aí acaba dissipando energia, uma energia vital que você vai dissipando sem ter razão, sem ter pensamento. Quantas vezes você foi a um lugar só porque disseram que era legal? Você nem pensou muito, apenas foi. E quando chegou lá percebeu: ‘Isso não tem nada a ver comigo… o que estou fazendo aqui? Eu acredito muito na energia quântica das coisas. Você realmente projetar uma coisa, criar imagens. Eu faço isso, eu crio imagens das coisas que eu quero. Peço exatamente o que eu quero e vem acontecendo. O grande exercício é saber o que pede, porque vem. Então, seja responsável.

Você pratica algum tipo de ritual?

Pratico um muito simples. Todo dia que eu acordo, eu primeiro agradeço. A gratidão eu acho que é o grande motor, o grande motor de você receber de volta. Então, eu agradeço a minha saúde, a minha vida, a vida das pessoas que estão em volta. Se eu lembro de algum amigo em especial, eu peço por ele. E vou lavar a loucinha, que eu gosto de deixar a louça para outro dia, porque é a minha meditação ativa, a maneira que eu encontrei de ir respirando, e digerindo e planejando o meu dia. Eu faço isso de verdade. Nem que eu faça um lanchezinho qualquer à noite, assim, e deixo os pratos lá bem arrumadinhos, mas de manhã eu faço a meditação ativa. Lavando, enxugando, e botando tudo bonitinho. E vou planejando o meu dia, vou pedindo o que eu quero, agradecendo o que aconteceu. 

Você teve acesso a muita coisa material e um status que a maioria das pessoas tenta uma vida toda conseguir. E aí quando você chega nesse lugar tão cedo, de duas, uma, ou você perde o interesse pela vida, ou ressignifica esse interesse. Como foi esse processo com você?

É, isso é muito louco. Ser modelo foi uma coisa que aconteceu muito por acaso na minha vida. Surgiu uma scouter na agência em que eu trabalhava, eu trabalhava numa agência de publicidade na época, e essa scouter chegou e falou Ah, você está sendo modelo? Não sei o quê. Resumindo, eu saí da Paraíba para Milão. E eu não sabia nada de moda, e acabei tendo acesso a muitas coisas que eu não tinha, e fui pai muito cedo, não era um cara que ia para a balada, nem tinha acesso a baladas, às festas e, de repente, eu estava nos rooftops de Nova York. Nas baladas de Paris e Milão, que eu não pagava para entrar, e recebia drink, estava tudo acontecendo, tudo rolando o tempo inteiro. E o fato de eu ter sido pai muito cedo me aterrava, eu acho que o grande dharma da vida de Júlia foi justamente isso. Se não fosse ela, talvez eu não estivesse nem vivo, porque eu sempre fui de me jogar, vou para o flow. E aí ela sempre me aterrou. E também saber que tudo é efêmero. Essa consciência eu sempre tive. Às vezes eu vejo coisas que eu já passei. Falei, gente, eu sentei em uma mesa que estava o Morgan Freeman do lado e a Uma Thurman de outro. Eu estava em uma pista de dança com ela. E a galera fica viajando em umas coisas, umas pequenas coisas que acontecem na vida, aqui no Rio de Janeiro, a gente fica embriagado com o sucesso. A vida, tudo é muito efêmero. Tudo que vem também vai, é tipo um flow da vida. Então eu fazia questão de aproveitar esses lugares e de voltar para um lugar que fosse muito simples, e encontrar o prazer naquilo também. Dirigir um carro super esportivo e voltar a dirigir o Fusquinha. Eu coloco o Fusca até como um símbolo disso. Nossa, estou dirigindo um carro que é super confortável, luxuoso. Não, a gente tem que voltar lá até pra poder valorizar de novo. Porque se não se acostuma e acha tudo banal. Quando eu dirijo meu carro, que é confortável, eu vou lá e dirijo o Fusquinha. E aí a marcha não entra, eu levo o mecânico. É um cheiro de gasolina. Vai ressignificando as coisas todo dia. 

Mas chegou a dar uma pirada no ego?

Teve sim, alguns momentos, mas sempre estive atento. Opa, será isso? Aí deu uma coisa assim. Mas foi muito breve. E eu tenho uma companheira maravilhosa que está atenta e falou. Se liga, eu te conheço de verdade. Então foi coisa muito breve. Fico sempre também atento a esses sinais e aprendendo com os mais velhos que estão em crise. Os Tony Ramos da vida. É um homem que tem uma carreira de 60 anos na televisão. A Globo nasceu junto com ele, é pra ele que eu olho. Não vou olhar pra colegas que… São problemáticos, que são mal-educados. Eu olho pra Tony Ramos. É um cara que sabe o nome de todas as pessoas que trabalham ali. Se passa uma pessoa da limpeza que trabalha ali. Ficam quase invisibilizadas. Ele faz questão. Ô, fulano, tudo bem, querido? Como é que você está?

Você modelou pra mil marcas. Versace, Calvin Klein, Dior e tal. Como é hoje a sua relação com as grifes? 

Cara, a primeira vez que eu conheci isso, fui fazer um vídeo da Armani e eu nem sabia o que era. Dolce & Gabbana, então… também não fazia ideia. Eu fiz lá sem saber de nada. Só fazia porque dava um bom dinheiro pra andar aqui. Botava a roupa e pronto. Outro dia estava lembrando que fiz também um Bottega. Nem existia no Brasil ainda. E fui lá. É muito luxuoso, muito caro. Aí a minha roupa era só uma sunga verde, uma bolsa maravilhosa e uma papete de couro bonita. Terminei o desfile bem inocente, cheguei pro stylist e perguntei:  — Rapaz, quanto é que custa essa sandália? Gostei dela. Ele respondeu: — Isso aí é só 2.500 euros. Eu fiquei chocado. Mas fui aprendendo. Claro que isso vai refinando o gosto, porque é moda. Não essa imposição da moda, mas a moda como trabalho: o cara que faz uma alfaiataria bem feita. Eu gosto da beleza, gosto das coisas. Não gosto muito dessa indústria da moda, que às vezes incomoda. Mas a artesania é maravilhosa. É acompanhar de perto e entender como é uma peça bem feita, que dura. Os italianos têm essa cultura. Não ficam comprando terno toda semana. Têm um terno que dura a vida inteira. Tenho um amigo, o Federico, que usa o mesmo terno desde que se formou, faz mais de 20 anos. Acho isso legal: é a moda desse lugar. Hoje em dia acompanho de longe. Não sou aficionado por moda. Gosto mais da ideia de fazer uma peça sustentável, no sentido de que você vai usá-la por muito tempo. Já fui de ficar trocando, usando coisa nova o tempo inteiro. Mas agora estou mais realizado. Acho que essa seria a função da minha relação com a moda.

Você fez quatro peças de teatro até hoje, e duas delas musicais. Você tem uma predileção por musical?

A verdade é que eu não sou… Não é todo musical que eu gosto não. Eu não sou um cara do musical. Como as pessoas que fizeram o Elvis comigo. É porque o Elvis vem muito encaixado pra mim. Quando eu vi aquela oportunidade…eu falei. Eu vou fazer esse negócio. Quando eu… E foi muito… Não foi por acaso. Não é aquele negócio. Por acaso não é. Eu estava no prêmio do Vivi Ferreira. Que eu estava indicado pelo Gaslight. Que foi a última peça do Jô Soares. Que eu amei fazer. Que é uma peça de prosa. Mas maravilhosa. Eu estava indicado. E saindo do prêmio numa hora. Com o Pazeto. Pazeto que é nosso amigo querido. Que é amigo do Miguel Falabella. E o Miguel Falabella chegou e falou… Falou… Ah, eu estou fazendo. Ah, eu vi seu trabalho. Coisa mais linda. Falou, Miguel. Ah, eu estou fazendo agora um musical, Pazeto. Mas assim… Foda, né. Como é que eu vou achar esse Elvis? Pelo amor de Deus. O Pazeto só olhou pra mim assim. Nem sabia que eu teria essa vontade. Só fez assim, ó. Ó o seu Elvis aqui do lado. Falou, Miguel. Você é barítono? Eu sou barítono. Falei, barítono? Estou grávido. Eu vou te chamar pra audição. Na hora que ele falou que ia me chamar pra audição. Eu entrei nessa. Demorou um tempo. Estava fazendo novela. E pediram um vídeo. Desesperadamente. Pra eu mandar um vídeo cantando e tal. Eu falei, ó. Agora eu não posso. E deram o prazo. Aí ele falou, deram o prazo. Porque esse ano, as coisas. Deram o prazo a um mês. Não, até o dia tal. Você pode fodar. Aí eu terminei a novela. Fui pra praia. Esqueci. Fui com a Flávia pra Bahia. Eu queria, mas eu sabia que tinha um prazo pra frente. Só que eu não sabia nada. Aí fui eu, Flávio e Tony pra Barra Grande. Estava lá curtindo. A produtora me mandou uma mensagem. Falei assim, querido. Pelo amor de Deus. A gente está terminando as audições. Acabamos as audições. E você não mandou um vídeo. A gente queria tanto ter visto um vídeo seu. Ela falou, espera que eu vou agora. Fui ali. Corri. Eu estava já queimado pra caramba. Não tinha levado uma camisa. Nada. Só regata. Peguei, prendo a luz. Decorei uma música que eu mais sabia. Aquela que eu cantava às três. Só cantei uma. Mandei. Isso era numa segunda-feira lá na Bahia. Ela falou, amanhã à tarde você pode estar aqui. Aí eu peguei um show no outro dia. Cheguei à tarde. Fiz o teste. Briguei um. Estava com ódio de me aprovar. Mas teve que me aprovar. E foi maravilhoso. Mas eu, falando predileção de um ou outro, depende do projeto. Eu tenho um amor muito grande por esses dois. Tanto o Elvis, que eu faria fácil aqui no Rio, porque as pessoas perguntam sempre, porque eu não venho pra cá. E o Gaslight também é uma delícia. É um elenco pequeno. E é muito bom de fazer. E com certeza eu fui cobrado já nas redes sociais sobre peças novas. E quando eu terminar essa próxima, saindo do Vale do Clube, com três graças, eu já vou estar pensando numa peça. Com certeza. Principalmente falando de Nordeste. Eu acho que é a minha missão.

Me conta isso. Me conta essa missão de falar de Nordeste, que eu também acho super interessante quando surgem pessoas de fora do eixo.

Muito importante. Porque o Brasil é Enorme, porra. O que me aconteceu foi justamente isso. Eu fiquei… Eu não comentei essa toalha. Eu estava no auxílio de um impostor. Foi a violência que me aconteceu quando eu cheguei aqui pro Clube Nordeste pra seguir. Pra tentar ser ator e tal. Eu cheguei num curso onde 80% eram do eixo Rio-São Paulo. Eu comecei a falar, comecei a ficar muito mais forte. O ordenador falou assim, olha querido, essa situação é cara. Não vai dar pra você querer se chutar. Eu falei, não é isso. Eu vou chutar? Não, não. Eu nunca vou te chamar pra fazer um português. Eu juro que eu ouvi. Bom, entubei aquilo e falei, tá, o que é que eu tenho que fazer? Eu sempre fui nessa sobrevivente. O que é que eu preciso fazer pra chegar no nível? Tudo bem. Eu não tinha essa consciência. Tá, tá. Vou ter que concordar com ele. Ele sabe mais do que eu. E aí, fui fazer trabalho de prosódia pra poder neutralizar o máximo do meu sotaque. Hoje em dia, eu tenho que forçar pra fazer o meu sotaque, quando eu tô em público. Quando eu tô com os meus, é bem natural. Eu tô com atores alemães, pernambucanos, agora que eu tô mais aqui no direto, é como se fosse uma outra língua. Isso, é uma coisa que a neurolinguística explica, mas é isso. Eu fui ancorado em que quando eu falo em público, eu devo neutralizar meu sotaque. De uma certa forma, eu tava conversando isso com o Tomás, e ele me dizia, é uma violência. E agora eu tô vendo o Tomás falando disso, o Renato falando disso, e nessa hora, no mesmo tempo, eu parei essa parada. Eu vou ser com a minha cara, italiano, onde eu preciso usar as pessoas. Eu não sou, na verdade, sou uma grande mistura, não tenho descendência direta, próxima. Mas, fui com meus pais. E eu nunca fiz nada com a minha prosa e velocidade.

Você acha que segue acontecendo esse tipo de violência nas formações de atores aí, nesse eixo de produção?

Tem diminuído muito, né? Hoje em dia, isso se enquadra como xenofobia, então, as pessoas têm que ser mais cuidadas, ser mais humildes pra falar. Não se fala assim na cara, não vou te chamar pra fazer um porquê, mas, mas é… Eles falam, mas de um jeito muito… Tipo, sabe por quê? Eu vejo o seu personagem como um cara mais sofisticado. Eu ouvi isso aí esses dias. Então, o nordestino não pode ser sofisticado? Aí os caras se embaralham. Não, não é isso não. É porque não é verdade. Eles já passam o tempo. Isso acontece. Os pontos vão rolando. É isso que rola. Mas diminuiu bastante.

E vem cá, Leandro, no ano passado, saiu na Amazon Prime a série Matilha, em que você interpreta um traficante. E eu queria que você contasse pra gente como é que foi essa preparação pra encarnar esse personagem.

É, foi… Interessante isso. Foi uma coisa também que foi muito rápida. Eu fiz esse teste por vídeo com o diretor. E ele falou, de semana que vem, vem pra Portugal. Então, você lê, o que a gente quer. Pode vir. Aí eu fui levando família, eu fui levando Flávia, eu fui no ônibus, eles arrumaram tudo. Eles foram super rápidos com a produção. E aí foi… Era isso. Era um… Por mais entender quem era esse cara, era um cara que… A história tem dois irmãos que trabalham junto com o tráfico e o pai é o grande chefão da história, era um cartel Colômbia, Brasil e Europa. E a gente traficava levando ele de frutas. A gente era uma empresa de exportação de frutas e a gente vendia bananas. E tinha essa rixa dos dois irmãos. Um dos irmãos com o braço português era gay. E o… O meu personagem que na produção era o Hitman, o Bruno Hitman, ele era escrotaço Então, é muito de certa forma, distante de mim hoje em dia. Mas eu fui buscar esse cara, criando coisas desse cara sujo, escroto, machista, misógino. Com pessoas que eu tinha na minha memória, fui montando um grande filho da puta que eu amo fazer, risos. 

Eu ouvi dizer que você é maconheiro dos bons, risos…

Cara, não, (risos), sabe que eu não sou tanto? Eu tenho uma relação, agora, muito madura com a cannabis, bem pouca, e uso com destinações específicas. Às vezes eu fumo uma indica pra relaxar e dormir ou pra assistir um filme, sentar na praia, às vezes, não sou aquele maconheiro de todo dia, não.

E por que só agora você considera sua relação com a maconha madura?

Eu cheguei a fumar quando não devia e acabou me tirando da clareza das coisas. Não me dou bem no sentido de… Tem gente que fica funcional, e consegue controlar tudo isso, e eu, muitas vezes, entrava numa paranoia, porque eu estava achando que não estava dando conta do que eu precisava dar. Então, por isso que eu falo que não sou aquele cara que consegue fazer tudo, como muitos dos meus amigos. E tem gente que não consegue fazer nada se não fumar, risos.

Seu primeiro contato com a maconha foi na Paraíba ou já foi na Europa?

Foi na Paraíba. Porque ele é bem naturalzinho lá. Bem naturalzinho. A famosa soltinha, soltinha no quintal. Foi com um primo mais velho. Mas eu gosto muito da psilocibina, essa é a minha onda, real. Psilocibina é uma substância que eu me dou super bem.

Você faz microdose?

Fiquei fazendo microdose por um tempo, quando eu estava muito ansioso, isso controlava a minha ansiedade. Tem muita gente que faz microdose todos os dias, né? Quando eu soube que o Fernando Meirelles fazia há 20 anos, eu falei: “acho que é uma boa, esse cara é uma boa pessoa”, que eu tenho como referência. Porque o cara continua fazendo coisas… trabalhando muito. Ele é genial. E tem aquela aura dele de tranquilidade. 

Você tem acompanhado essa questão da legalidade das substâncias no Brasil? A psilocibina tem ficado cada vez mais popular, né?

É, a gente conta pela internet, imagina. Claro que deve ser liberado, por favor, seja o que for. A legalização de todas as substâncias pode ser positiva. 

Sabia que a Paraíba é um dos principais polos de desenvolvimento da cannabis no Brasil?

Sim, sim, sim. Eles… Esqueci o nome do instituto e do projeto. Mas os primeiros estudos de saúde, pra tratamento de pessoas que têm convulsão. Inclusive a filha do Fogaça também faz tratamento com cannabis. E ela melhorou muito, através desse instituto.

O seu segundo filho nasceu no trânsito, né? Eu queria muito que você contasse essa história, porque eu adoro histórias de parto.

Isso. A gente estava tão tranquilo, tão preparado. Fizemos um curso de hipnobirthing, ouvimos todos os vídeos, de verdade. Estávamos tão confiantes que quase parimos em casa. Ninguém nunca me disse, em tudo o que a gente estudou e nos relatos que ouvimos, que o trabalho de parto podia durar menos de seis horas. Todo mundo falava: pode levar 12, 14, até 48 horas. E o meu filho nasceu em menos de três. Então foi isso: a gente sabia o que ia acontecer. A doula só chegou na hora de dizer: ‘entra no carro agora’. E eu ainda queria buscar o Yuri, o fotógrafo do parto. Tudo acontecendo: Flávia de camisola, com a manta do gato nas costas, de pantufa. Entrei no carro e falei: ‘vou passar na padaria para pegar o Yuri’. A doula só respondeu: ‘você não está entendendo, ele vai nascer agora’. Subi a rua e já estava quase nascendo. Falei: ‘vou parar’. Ela disse: ‘não, continua’. Depois: ‘para, vai nascer, vai nascer’. Mas eu insisti: ‘não, vou continuar’. Segui mais uma esquina… e ele nasceu. Demorou uns quatro ou cinco segundos até ele chorar, mas, para mim, dirigindo e olhando pelo retrovisor, aqueles segundos pareceram cinco horas. Até que ele chorou. Fui até a esquina e cheguei lá: parecia cena de série médica, lotada de gente na frente, sirene, maca de emergência. A Flávia olhou, abriu a porta soberana, quase pulando a placenta, risos.

Que brisa! Aliás, deixa pra gente umas sugestões de músicas boas para brisar? 
Sabe o que eu estou ouvindo muito pra brisar? Música francesa é a música que eu estou mais ouvindo agora. E tem uma playlist bem boa também.