
Em entrevista para a Breeza, Larissa Uchida, CEO da ExpoCannabis Brasil, comentou sobre como a feira, que neste ano promete atrair 40 mil visitantes e se tornar a maior do gênero em todo o mundo, movimenta também um fluxo fora do evento: “A economia como um todo. Tudo que tá ali ao redor. Desde alimentos a restaurantes, hotelaria”. Ela calculou que, se no ano passado 3 mil empregos temporários foram gerados pelo Expo, a segunda edição neste novembro de 2024 deve beneficiar 8 mil profissionais. Isso representa não apenas o sucesso da feira, mas também toda uma cena paralela que se forma em um Novembro da Erva.
“Onde encontro a pós da Expo? Não tinha after da Expo (no ano passado, na primeira edição)”. Daí veio a ideia do produtor cultural FredyKz de trazer a festa Toca Flores, sucesso em Curitiba, para São Paulo, propositalmente em novembro. A balada será, é claro, no after da Expo, no primeiro dia da feira, em 15 de novembro, na Casa Rockambole, no bairro paulistano de Pinheiros.
Para FredyKz, esse mix de encontros no mês é saudável para o setor. “Uma junção de marcas essencial para a legalização. As artes têm papel fundamental em normalizar o uso da maconha”. A festa contará com atrações queridas pela comunidade breezada, como o grupo Pedra Branca, conhecido pelas fusões de estilos.
O NOVEMBRO DA ERVA
Quando perguntamos ao pessoal que nos apresentou a Toca Flores sobre se sabiam de outros eventos no off Expo, logo listaram oito. Há alguns mais oficiais, como o Cannabis Business Hub, promovido pela própria Expo no dia 13, no Hilton São Paulo Morumbi, e dedicado a promover rodas de negócios.
Mas a grande maioria que surge nas conversas são de encontros culturais, gastronômicos, artísticos, de diversos tipos que se multiplicam à parte. Violeta Dib, presidenta da Acuca (Associação Cultural Cannábica de São Paulo), que desde 2012 representa usuários de maconha nos eixos da saúde, de advocacy e de cultura, observa um “grande boom em novembro”, enquanto continua a listar eventos de nossa praia. Ao mesmo tempo, vê desafios que surgem com a Expo.
Violeta está envolvida com uma série de iniciativas canábicas, como a Xah com Mariaz, na qual é mentora no curso para mão hempreendedoras, e o Expo Manas, um encontro cultural na praia de Ubatuba, em SP, em 30 de novembro. Com a Acuca, ela está ligada à ACUCArte, uma exposição de artistas inspirados pela maconha que ocorre de 8 a 24 de novembro em São Paulo, no Canto Centro Cultural.
“Mas nos dias 15, 16 e 17 de novembro tivemos o desafio de levar as obras para a ExpoCannabis”, conta ela, mostrando como a feira, por seu tamanho, acaba fazendo com que os eventos menores também gravitem em torno dela.
Rafael Roque, artista canábico que assina como diretor da ACUCArte, que está em sua primeira edição, diz que a ambição é depois fazer com que a exposição percorra diferentes cidades ao longo de 2025. “A arte pode ser uma poderosa ferramenta de diálogo social”, afirma.
Ele destaca que novembro foi escolhido por ser um mês com “diversos eventos de cannabis, incluindo a ExpoCannabis (…) período ideal para atrair um público engajado, interessado em discutir sobre a cultura canábica e atento às novidades”.
É notável como, apesar de haver exemplos que vão da ciência (como o Vamos Falar de Cannabis, em 18 de novembro, em São Paulo) aos negócios, a maioria dos eventos da lista do Novembro da Erva é do campo cultural. “A ‘arte canábica’ é aquela que incorpora, seja em temas, materiais, ou mensagens, a estética e a cultura da maconha. Ela busca traduzir em expressões artísticas toda a diversidade e profundidade de uma planta que atravessa fronteiras, gerações e contextos sociais”, procura definir Rafael Roque.
Na autodescrição da ACUCArte, a exposição se coloca como um “manifesto cultural que desafia estigmas e a censura das big techs”. Defende ele: “É uma batalha para ajudar a todos que estão nessa luta da maconha, mas também é uma luta pela nossa liberdade de expressão num sentido geral”.
LARICA
É comum os eventos se venderem como “porta de entrada” para o conhecimento e para informações sobre a maconha. Uns pelo caminho das artes, outros pelo dos negócios, e há ainda os medicinais. A Comida Space escolheu outra abordagem: conquistar o público pelo estômago.
No dia 9 de novembro, a iniciativa, que congrega eventos e encontros bem mais privados, comemora sete anos com um evento robusto com shows e muita comida boa (e brisada), em São Paulo. O organizador, que prefere não se identificar devido ao teor do rango, vê evoluções desde que começou com a Comida Space. “Nosso público tem recebido muito mais informações do que quando começamos, tabus estão sendo quebrados, as pessoas estão mais interessadas no que está rolando no cenário. Hoje nosso público vai de 20 a 70 anos”, avalia.
Mesmo para uma empreitada mais antiga, o efeito do Novembro da Erva foi notado. “A ExpoCannabis é recente aqui no Brasil, com sua segunda edição, mas vem fortalecendo o mercado”.
Ao mesmo tempo, ele nota como há uma estrada mais longa pela frente. Por exemplo, para o seu carro-chefe, a culinária, “não muda, pois ainda estamos vivendo em um país proibicionista”. Com a cena se fortalecendo ano a ano, espera-se que não por muito mais tempo.
Filipe Vilicic