Na Breeza

Valentina Bandeira em crise com a maconha

A it girl do momento anda querendo dar um tempo com a erva, coisa que ela não faz desde que se iniciou no hábito, há um bom tempo
17|10|24

“Eu fumo maconha todos os dias, mas tô tentando agora não comprar mais pra não fumar mais todos os dias e viver a minha vida sem essa bengala, porque bem ou mal é uma puta bengala”, confidencia a apresentadora, influenciadora e atriz Valentina Bandeira. Ela classifica a relação com a erva como conturbada, isso porque ela fuma desde jovem, sem nunca ter conseguido dar um tempo de mais de uma semana longe da erva.

“Tenho mil questões psíquicas, sou depressiva, tenho ansiedade e a maconha me ajuda a desobstruir um pouco a tensão que o meu psiquismo vive”, conta ela, que apesar de não ter ficado sem fumar maconha por muito tempo, por vários momentos pôde diminuir a quantidade, coisa que ela está tentando fazer atualmente.

A sensação de Valentina, ultimamente, tem sido de que muitas vezes, quando ela “perde a mão” no uso, sente que o hábito, velho amigo seu, tem atrapalhado e atrasado seus projetos. E a mina tem projeto em tudo que é canto, todos exitosos, diga-se. 

No ar com “Tô Nessa!”, sitcom recém-lançada pela Globo, e também como apresentadora do programa “Beija Sapo”, da MTV; ainda está montando um monólogo pra estrear no teatro no meio do ano que vem; produzindo a 2ª temporada do “Passa Lá Em Casa”, programa de entrevistas no seu apartamento; e se preparando para as gravações de um podcast sobre amor, que começa em novembro. Tantos compromissos exigem foco e é por isso que ela “gostaria de ter um período limpo”.

Avessa a radicalismos, Valentina não acredita em cortar nada definitivamente. Não vai ser assim com a maconha, com o álcool, como também não é com a comida. “Não gostaria de me impor nada assim, nem faço dieta”, exemplifica a artista, que admite que vai precisar repensar seus hábitos matinais. “O meu baseado preferido é o das sete da manhã. Eu fumo beque, aí depois eu vou fazer meu exercício, eu gosto dessa manhã ralentada, gosto de estender a manhã.”

ELA TÁ LIGADA NOS PRIVILÉGIOS QUE TEM

Valentina tem plena noção dos privilégios de que usufrui. Menina branca, da elite cultural e financeira do Rio de Janeiro, filha de pais artistas e liberais e que, pra completar o combo, nasceu em Paris. “Eu nunca ouvi ´Você não pode fumar maconha´. Nunca foi uma questão, muito pelo contrário, era uma coisa muito comum e recorrente na minha casa, entre os amigos dos meus pais.” E, inclusive por isso, acha complicado abordar a maconha sem problematizar a questão. “É super complexo eu falar de baseado como se fosse uma coisa linda e maravilhosa, sem defeitos, e não é por aí. Eu não gostaria que os meus filhos fumassem maconha tal qual eu fumei, eu comecei precocemente e acho que isso me prejudicou em inúmeras instâncias.”

A influenciadora gostaria de aproveitar o seu alcance com o público para esclarecer aspectos em relação à cannabis. “A gente não sabe quais são os limites, o que pode e o que não pode, o que é bom e o que é ruim. Eu queria esclarecer isso, poder ser um ponto de luz nesse caminho porque as pessoas não vão parar de fumar maconha”, diz ela, argumentando que, afinal, “as drogas são ancestrais na nossa sociedade”.

Essa voz de referência no admirável mundo canábico que a Valentina deseja ser é a referência que ela não encontrou quando sentiu vontade de experimentar maconha e outras substâncias tidas como ilícitas. “Conversar sobre limites eu acho que seria importante. Essa é a minha grande dificuldade da vida e eu acho que poderia transformar isso numa grande resolução para outras pessoas”, diz ela, que, apesar da vontade de falar mais sobre o assunto nas redes, ainda se sente despreparada. 

“Não tenho estofo suficiente para chegar e bancar e não ficar com estigma de maconheira, zona sul, lesada, playboy, branca, filha da puta que compra maconha de favelado, tá ligado? Acho que eu preciso de mais estofo antes pra não virar uma coisa pobre de discurso”, reflete.

PRÓXIMO PASSO: EMPREENDER NO CANNABUSINESS

Valentina sente que a sua relação com a maconha é algo que permanecerá ativo no seu universo, independente de se ela fuma todos os dias, ou não, e considera já não de hoje levar essa relação para um nível de maior maturidade, digamos assim, para o plano dos negócios. “Eu adoraria trabalhar e empreender nesse campo, seria incrível canalizar isso para um lugar muito mais produtivo, não ser essa coisa meio apologia jovem ´vamos todos fumar maconha´ e ir para um lugar mais intelectualizado, conseguir estudar mais sobre isso e dominar esse assunto, saber mais o que eu tô fazendo’.”

Enquanto amadurece ideias de negócios canábicos e se organiza para equilibrar o seu uso recreativo com a rotina puxada de uma agenda abarrotada, Valentina tem estado mais atenta à origem da erva que chega na sua mão. “É a mesma relação que eu tenho com comida, eu não como qualquer coisa, e não deveria fumar qualquer maconha.” Pois é, uma questão importante como essa poderia ser definida por uma regulação simples dessa planta poderosa. Mas, por enquanto, “é tudo bagunçado e atravessado por uma política criminosa, racista, nojenta, moralista, que a gente fica distante da possibilidade de conhecer a origem dos produtos.”

Como boa maconheira que é, a apresentadora coleciona brisas divertidíssimas – e às vezes nem tanto –, como o dia em que roubou uma bike por engano. Depois de fumar uns no Coqueirão, em Ipanema, lá foi ela em busca da bicicleta pra voltar pra casa e encontrou “a sua” bike atada com um cadeado diferente. Pronto, a história se contou sozinha dentro do fantástico mundo de Valen: um suposto ladrão havia trocado o cadeado pra voltar mais tarde e levar a bike embora. Ela foi bater na porta de um chaveiro, e o convenceu a ir abrir o tal do cadeado. Quando chegou em casa, ainda montada na magrela, pá, deu de cara com a sua verdadeira bicicleta. Ainda lombrada, Valen voltou para o ponto onde havia realizado o furto não intencional, pra esperar a verdadeira dona da bike chegar, pedir desculpas, e ouvir esporros em português de Portugal, já que a dona, pois, era portuguesa.

Noutra vez, em pleno Carnaval, foi acompanhar um amiga fazer xixi – na rua, claro –, a amiga aflita para aliviar bexiga, foi se despindo da meia calça arrastão, da calcinha que enganchou, e largando o celular e a pochete em cima do capô de um carro, e bem do lado a Valentina deitou. “Daí chegou um cara e começou a falar assim ´olha essa pochete aí eu vou roubar vocês, hein?´, e a gente, assim, ´ah, moço não vai fazer isso não, tá maluco, que piada sem graça’. Aí ele falou ´eu vou roubar vocês e vou roubar agora, hein?’. Ele pegou a pochete, saiu correndo, e eu e a minha amiga com a calcinha no meio da perna correndo atrás do cara”, lembra ela, do único caso de assalto avisado “que a gente não conseguiu evitar por falta de condição de conectar os neurônios”.

Anita Krepp