Saindo da estufa

João Gordo: “Provavelmente o juiz vai me exigir serviço comunitário. Mas eu já faço isso, sirvo 300 marmitas por dia”

Foto: Marcos Hermes

Maconheiro assumido e convicto desde adolescente, foi só aos 62 anos que João Gordo virou notícia por conta da erva. Pego no aeroporto de Belo Horizonte com 1 grama de flor e 2 de haxixe, o vocalista da lendária banda Ratos de Porão, aguarda implicações administrativas que ele acredita, mais dia menos dia certamente virão. Seu advogado diz que o mais provável é ter que fazer prestação de serviço comunitário. “Mas eu já faço isso. Sirvo 300 marmitas por dia.”

Nessa conversa com Anita Krepp para a Breeza, em sua 1ª entrevista depois da notícia que se espalhou como festim, o mais punk dos artistas conta dos altos e baixos com as drogas, o porquê de ter ficado quatro anos sem fumar maconha,  e como foi “salvo” pelo amor da esposa, que decidiu se declarar quando ele ainda estava no hospital se recuperando de uma overdose de heroína.

Em tempos de escândalo do Banco Master, você conseguiu ser trending topic nas redes durante vários dias por ter sido detido com maconha. O que você acha que fez essa notícia ganhar proporções tão grandes? Foi porque as pessoas acharam realmente absurda uma detenção por quantidade tão pequena, num país onde a planta está descriminalizada?

Descriminalizada é nada. Pode, mas não pode. Tem essa questão meio duvidosa, só poucas pessoas conseguem e por aí vai. Mas a curiosidade foi porque o pessoal exagerou no título da matéria, e as pessoas leem só o título. Quando colocaram “João Gordo preso com drogas”, a galera imaginou que eu tava com dois quilos de cocaína, um em cada cu. Ninguém lê a matéria. Na real, fui pego com três gramas, uma de maconha e duas de haxixe. Se isso estivesse no título, ficaria ridículo e ninguém teria curiosidade. É esse jornalismo predatório que temos hoje em dia.

Vi algumas matérias, mesmo assim, em portais que normalmente seriam sensacionalistas, mas que explicavam a situação, comentando que vivemos num país com a substância descriminalizada e questionando por que tanto auê em torno da sua prisão.

Foi justamente pela minha posição política também. O pessoal gosta de ver a gente se foder, isso é uma grande verdade. Veio desde os anos 80, meu confrontamento político. Eu nunca mudei, sempre pensei igual. Tenho música de 1989 que faz mais sentido hoje do que quando foi gravada. As pessoas querem ver a gente se foder, mas não conseguem, porque o bagulho é tão minúsculo que a gente se fode só um pouquinho (risos).

Tem uma puta hipocrisia no mundo ainda em relação à maconha, e como você vem dando a real durante toda a sua trajetória como figura pública sobre babaquices em geral, eu queria te ouvir sobre essa hipocrisia.

Não é no mundo não, é mais da extrema direita e dos cristãos. Eles que são a grande pataquada. Geralmente quem fala contra a maconha é todo mundo que quer cheirar pó. É tudo uma burrice meio escondida. A hipocrisia é enorme. E muito do que impede a cannabis de engrenar aqui no Brasil é por causa do cristão que pega no pé e fala que é droga, porta de entrada de todas as drogas. Todo mundo sabe que a porta de entrada de todos os males é o álcool, não a maconha. E se o pessoal gosta tanto de imitar os Estados Unidos, por que não imitam também nisso, de liberar a maconha completamente? Além do governo ganhar uma grana absurda, ia livrar a cara de muita gente doente e ia quebrar as pernas dos traficantes e da polícia corrupta.

Toda vez que entrevisto um político, um legislador, eu pergunto se não regulamentar a maconha não é deixar o monopólio da venda na mão do tráfico…

Totalmente. E o lance econômico é absurdo, a cannabis é tudo. É religião, é medicina, é comida, é vestimenta. O que ela não é? É a planta mais importante, a maior amiga do ser humano. E eles simplesmente não liberam por causa de uma questão racista e da hipocrisia desses crentes, que são todos bêbados, todos gostam de pegar menor, são todos contra homofobia, mas são todos gays. 

E naquele dia lá em Confins, você chegou a perder a grana do voo?

Perdi a grana de dois voos, porque tive que pagar o do meu produtor também. Até agora tô pagando essa porra. Os policiais estavam fazendo o trabalho deles e foram gentis, até. O que queimou o filme foi a imprensa idiota. Tinha um repórter da Rádio Itatiaia de plantão. Não sei onde ele arrumou uma camisa do DRI, colocou e veio com o microfone. Falei que não ia falar sobre uma grama de maconha, que não tinha nem graça, que se eu fosse preso com dez quilos, aí sim. Tudo o que ele perguntava, ele mesmo respondia. Eu só ficava: é, é, é. Em dez minutos, antes de eu chegar em São Paulo, já estava em todos os sites. Todo mundo viu e ficou, João Gordo maconheiro, traficante, mau-caráter.

Mas acho que todo mundo que viu ficou do seu lado, porque era ridículo demais. E você chegou a pensar em aproveitar de alguma forma essa atenção enorme?

Senti isso, que era ridículo demais para me crucificar. Crucificaram mais os portais de notícias por terem dado proporção tão grande a uma notícia de merda. Mas de algum jeito teve uns benefícios que ainda não posso falar, mas vai rolar. A notícia foi cretina, mas deu uma puta bombada. Me considero um radical de esquerda. Se eu pudesse fazer tudo o que penso, me colocaria de outra forma. Mas, como sou militante, milito com as minhas músicas, não fico militando pela internet. Já milito há muito tempo…

Dá uma pista do que vem por aí.

Eu achei que tinha fodido, que tinha queimado o filme. Pelo contrário. Me deu um holofote bacana e o negócio acabou rolando. É cedo para falar ainda, mas a gente vai ficar sabendo. É sobre banda, festival, essas coisas.

Não é necessariamente sobre o cannabis?

Não. Você sabe desde quando eu fumo maconha? Desde os 17 anos, e tô com 62. Tem gente que começa a fumar com 11, 12 anos. Sou contra isso, porque acho que atrapalha o desenvolvimento da cabeça da criança. E na minha vida, só deixei de fumar maconha por quatro anos. Fiquei quatro anos sem fumar.

Seguidos?

Seguidos, seguidos. Voltei a fumar na pandemia.

O que aconteceu que você deixou esses quatro anos?

Voltei a sonhar. Voltei a sonhar e a lembrar dos sonhos. Você não deixa de sonhar, você só não lembra. Não tinha a preocupação de ter sempre maconha por perto. E quando eu via a polícia na rua, ficava: ah, se foder, porque não tinha nada, nada a perder. Fiquei muito menos pastelão também, não fiquei tão cozido para fazer as coisas. A procrastinação diminuiu. Mas eu sou maconheiro nato. Tenho um problema no pulmão, mas vou levando a maconha pela frente. O tabaco é o meu problema. Não bebo mais. Não uso mais droga pesada. Tenho preguiça de tomar coisa alucinógena, cogumelo, tenho preguiça. A única coisa que me resta é a maconha e o café.

Quando você deu essa pausa em 2016, o que te fez parar com a maconha naquele momento?

Parei de fumar maconha por 4 anos porque tinha que dar bom exemplo para a minha filha, que começou a consumir muito cedo. Esse foi o motivo. Eu achava errado ela começar tão cedo, então tive que dar o exemplo. Mas aí um começou a fumar escondido do outro. Depois desses quatro anos, ela fumava escondido de mim, eu fumava escondido dela. Nós todos fumávamos escondido da minha mulher. Minha mulher fumava escondido da gente. Foi uma libertação quando a gente abriu o jogo. Viramos uma família maconheira, um monte de segredinhos acabou, só acabou. Foi muito bom isso.

Você conseguiu parar de boa ou deu uma sofrida?

Os primeiros dias foram meio sofridos, sim. Mas como eu tava empenhado em dar bom exemplo para a minha filha, foi mais fácil. Não era um quero parar porque quero parar. Tinha um motivo e eu consegui. Foi interessante, gostei de ter passado por esses quatro anos na minha jornada maconheira.

É bom dar uma resetada de vez em quando. E como foi o retorno? Foi por conta da Pandemia, com todo mundo em casa e aí ficou difícil esconder?

É, e eu com o pulmão ruim, porque tinha acabado de voltar do hospital. DPOC, internação. Não podia fumar. Aí comecei a pedir para o Felipinho, pro Hermes e Renato, pro Badauí. Eles passavam de carro e me deixavam uns baseados, escondido da minha esposa. Eu pegava o carro e ia fumar na praça lá em cima, para ninguém saber. Mas ao mesmo tempo todos estavam fumando. A Vitória estava fumando, a Vivi estava fumando, o Pietro estava fumando escondido, todo mundo fumando. É uma puta hipocrisia, porque qual o problema de uma família fumar unida? Acho que melhorou bastante o relacionamento familiar depois que a gente abriu essa parada e acabou toda essa paranoia.

Como você tem essa clareza de que para o adolescente não é tão legal, se você mesmo começou com 17?

Com 17 tava ok, porque quando eu comecei meu cérebro já estava formado, já tinha alguma base. Uma criança que começa a fumar maconha com 11 anos entorta cedo e fica curiosa com outro tipo de droga. 

Depois de assinar o Termo Circunstanciado em Confins, você chegou a ser convocado por algum juiz para responder pelo ato?

Ainda não. Tô esperando. Vai ter, mas demora um pouco. Estou com o advogado, e ele fala que o mais provável é eu ter que fazer prestação de serviço comunitário. Mas eu já faço isso. Sirvo 300 marmitas por dia. Então vai ter que ter algum acordo. Vai ter uma questão de processo, porque é óbvio, mas o advogado resolve.

E viajar com maconha é supernormal, né? Eu sempre que posso também levo de casa…

Eu levo, mas não trago. Dessa vez estava trazendo porque estava doente e não fumei quase nada do que levei. Tava ruim do pulmão e o bagulho ficou guardado dentro da mala, eu não estava usando. O que apitou foi o isqueiro dentro da necessaire, porque não pode. Dois isqueiros, que idiota. Se não fosse isso, os caras não estariam nem aí. A diferença é grande. Aqui em Guarulhos, o cara olha assim e entrega o isqueiro pra você. Lá em Confins, você fica numa sala da Polícia Federal com câmera, com o cara mexendo na sua mala lá embaixo. A hora que ele abriu, subiu aquele cheirão de flor. Por mais pouquinho que você tenha, quem não fuma sente de longe. O cara foi direto no slick de borracha e eu pensei: fodeu.

Mas você não usa bolsinha anticheiro?

Não, era uma bolsinha da Havaianas. Os caras ficaram só com o conteúdo, que não era nada, uns dois baseados.

Mas antes disso você já tinha viajado com maconha e nunca tinha pegado nada?

Nunca tinha pegado nada. Mas tem lugares no Brasil onde sou marcado. Em Recife, baculejo é certo. Não teve uma vez que fui lá que não tomei baculejo, e os caras ainda falam que é aleatório. Uma vez a gente estava voltando do Porto, em Portugal. O voo era Porto, Recife, São Paulo. Chegamos em Recife, levamos um baculejo e perdemos a conexão. 

Onde está o limite entre o uso recreacional e o medicinal?

Tem limite? (risos). Uso uns bagulhinhos para dor. Tenho as gotinhas da Cultive, com HC, tudo contra a dor. Misturo tudo e fico chapado 24 horas por dia. Foda-se.

E você é associado a associações de pacientes?

Tô na Cannarinho. E sou amigo do pessoal da Cultive. Fui lá falar no evento deles no Sérgio Cardoso. Sou bem amigo da Cidinha, ela fornece gotinhas de THC para a minha mãe, que tem Alzheimer. Melhorou muito a vida dela, muito. Não tem mais crise, aquela coisa de pessoa com Alzheimer quebrando tudo, não sei o quê. Acalmou. Ficou bem mais fácil para a minha irmã, que é quem cuida.

Na sua adolescência, sua mãe era contra o seu uso de maconha?

Lógico. Meu pai era PM, minha mãe cabeleireira católica, nos anos 70, 80. Imagina. Eu era o bandido da família. Meu fim ia ser o hospício ou a cadeia, meu pai falava isso. Tem até música minha que fala isso. O pessoal ignorante tem essa visão da maconha como coisa de ladrão. Não faz conexão com medicina, com comida, com tecido. É coisa de Satanás. E como o Brasil hoje é quase todo cristão, com essa cabeça de burro medieval, fica cada vez mais difícil. Mas já teve ganhos, o medicinal avançou, o pessoal pode plantar. As pessoas estão entendendo que a maconha não é só droga, não é só ficar louco e vai estuprar. Os caras pensam isso. O Bananinha, filho da puta, tem a maior fama de maconheiro. Vai falar merda nos Estados Unidos com os olhão vermelho, doidão lá. Um hipócrita. A grande maioria dos bolsonaristas é tudo hipócrita. Cheira pó, bebe para caralho, tem duas famílias, tem amante, mas fala em família. E a maconha entra nessa grande hipocrisia da extrema direita e do pessoal cristão.

Voltando à sua mãe. Ela tem noção de que toma cannabis?

Não. Ela tem Alzheimer avançado, não lembra nem quem eu sou. Tadinha, virou criança. Sem a cannabis seria muito pior. Ela não sabe o que está acontecendo, não pensa em nada, mas a gente viu o efeito da aplicação do CBD sobre ela.

E você usa mais CBD ou THC?

Eu uso mais THC. Tenho umas lesões, artrose, e a gotinha de THC me ajuda muito com a dor. Nos Estados Unidos tem tudo de maconha. Rango, sorvete, frango de maconha, terno de maconha, chapéu, tênis, drops, refrigerante, cerveja. Os caras não perderam tempo. E aqui, por causa de crente idiota, fica nessa de não liberar nada. Perdendo grana, perdendo trabalho, perdendo tudo.

Você parou de beber faz quanto tempo?

Uns três anos. Já tive umas recaídas, claro, era mais o costume, o hábito de beber. E o hábito acabando, você fica mais forte para negar as outras merdas que as pessoas vão te oferecer, porque bêbado você não nega nada. Quando a pessoa chegava me oferecendo outro tipo de droga, eu idiotamente aceitava. Hoje não aceito mais. Estou muito mais sossegado. O que me resta é o café e a maconha.

E sobre psicodélicos. Você já usou?

Tomei uns 400 ácidos na vida. Ecstasy, uns mil. Cheguei até a tomar heroína e ter overdose. Esse foi o meu grande fundo do poço. Daí fui saindo até chegar onde estou agora. Era a época clubber, final dos anos 90. Techno, Hell’s Club, que começava às cinco da manhã. Quem sobreviveu, sobreviveu. Eu estou aqui, sobrevivi, usei para caralho e agora estou sossegado.

Não tinha ideia dessa história com a heroína. Você tava com outras pessoas?

Tinha uma mina que vinha de Amsterdã e vendia heroína no Love, cem dólares a grama. Era 1999, 2000. E em vez de injetar, eu cheirava. É bom para caralho, mas você vicia. Começa a doer quando você não usa. Não cheguei à fase do cold turkey porque tive overdose antes. Me levaram para o hospital, fiquei internado. Encobriram o motivo, não saiu na imprensa que foi overdose de heroína. Aí eu pensei: se eu ficar nessa, vou empacotar. E foi quando a minha esposa, que eu conhecia desde 95, tinha um contato assim, mas eu não dava muita bola, ela resolveu se declarar para mim por causa justamente dessa overdose. Na cabeça dela, ela falou: preciso falar para esse cara que gosto dele antes que ele morra. E foi o que aconteceu. A Vivi chegou para o bem, tô com ela há 25 anos.

E depois da overdose, você continuou com outras substâncias?

Depois que casei e tive filho, foi diminuindo drasticamente. Sempre tinha umas recaídas esporádicas, mas nada perto do que eu era antes de casar com a Vivi. Ela foi meu lastro, não me deixava desandar. Lógico que tive umas quedas, umas coisas horríveis, mas, aos poucos, fui parando e hoje estou tranquilo.

Como foi esse processo? O que você fazia quando o vazio aparecia?

Força de vontade. Difícil para caralho. O cigarro também é difícil. Tudo é muito difícil. Não vou virar crente para parar. Você tem que ter uma certa força de vontade. Vai parando aos poucos. Você tem ímpeto, pensa em fazer e não faz. Tem psicólogo, tem um monte de coisa.

Existe o uso abusivo que leva para o buraco, e o recreacional. Você acha que existe diferença entre as classes de drogas?

Tem, lógico. A cocaína te leva para o buraco. Psicodélico, não. Deixa você fora da caixinha, mas é praticamente saudável, porque no outro dia você tá inteiro. E, depois dos 60, qualquer uso é abusivo. O corpo não aguenta mais. Qualquer porre é uma semana doente.

E você não quer mais se aventurar com psicodélicos?

Tenho preguiça. O último que tomei foram umas gotinhas de LSD na boca. Uns dois, três anos atrás. Foi um dos mais fortes da minha vida, porque LSD em gotinha não tem anfetamina, só o LSD mesmo. Não conseguia falar, não conseguia dirigir, não conseguia fazer nada. Só conseguia ficar olhando para a parede e vendo umas mandalas lindas. Queria falar com a Vivi, que também tinha tomado, mas não conseguia. Tudo que eu queria falar ia subindo, virando mandala. Muito foda. Mas tenho preguiça de ficar assim. De manhã você fala: caralho, quero dormir. Cogumelo também traz muita carga, tenho preguiça. Sempre tenho um envelope prateado na carteira, mas dá preguiça de tomar. Guardo para se acaso aparecer uma festinha de repente (risos).

E da morte, João. Você tem medo?

Tenho medo, mas tenho curiosidade de saber o que vai acontecer naquele momento, porque já quase morri e tive umas experiências meio loucas. Entrei na emergência igualzinho a filme de médico, o cara falando: 10mg disso, 5 daquilo. Fiquei escutando e desligou tudo. Ficou tudo no preto. Aí uma hora eu estava numa doideira fortíssima, tudo muito colorido, muito forte. Apareceu meu médico, o Dr. Ciro, vestido de centurião romano, e falou: foi por pouco, hein, Johnny? Aí depois apareceu um monte de cascavel embaixo da cama, e eu ia cortando elas assim. Minha mãe aparecia e sumia. A Astrid aparecia e sumia. Era todo mundo me visitando. Caiu a ficha quando uma enfermeira estava me dando banho e eu, com vergonha, perguntei onde eu tava. Ela falou: você tá na UTI do Sírio-Libanês. Aí pá. Depois disso fui para o Hospital 9 de Julho, entubado. E entubado, eu vi a televisão da UTI ligada, a Lilian Witte Fibe, que era do jornal da Globo, falando: está internado em estado grave o apresentador, João Gordo, um dos vocalistas do Ratos de Porão. E eu entubado, escutando aquilo. Depois fui desentubado, fiquei com a garganta toda fodida, tive que fazer um monte de procedimento. Mas passou. Tô aqui.

Vida longa, querido.

Obrigado, senhorita.