Por Papa Flor
Apoio: Flora Urbana

Nos dias 03 e 04 de Abril rolou o segundo Festival Diamba na Paraíba, espaço de encontros, cultura, arte, música, dança, ciência… MACONHA.
E neste ano rolou uma parada que foi histórica, a Associação ACAFLOR, organizadora do festival, conseguiu unir 17 Associações nordestinas de 9 estados diferentes, foi lindo. Uma mistura de sotaques e flores deliciosas.
E ocupar um espaço de resistência e construção coletiva dentro de um momento histórico para o movimento associativo canábico nordestino.
Estive lá representando a Associação Liamba, não apenas como presidente, mas como alguém que carrega a responsabilidade de lutar diariamente pelo direito dos nossos pacientes e pela legitimidade das associações que sustentam essa causa na prática. Estar naquele território foi reafirmar que nossa presença não é simbólica, é política, é necessária e é parte fundamental dessa luta que seguimos travando todos os dias.
O Festival Diamba 2026 mostrou, mais uma vez, que cultura e ativismo caminham lado a lado. Entre música, arte, debates e encontros potentes, o festival se consolidou como um território de resistência, onde a maconha deixa de ser estigma e passa a ser pauta séria de saúde, de direito e de dignidade. Foi um espaço onde vozes diversas se encontraram para dialogar sobre o presente e, principalmente, sobre o futuro que queremos construir.
Estar ali, lado a lado com tantas lideranças comprometidas, reforçou a importância desses espaços como ferramentas de fortalecimento coletivo. Foram dois dias de debates, trocas sinceras e aprendizados que só quem vive a realidade das associações entende. Representar a Associação Liamba nesse cenário foi um ato de responsabilidade política e afetiva. Cada conversa, cada roda de diálogo e cada experiência compartilhada trouxe ainda mais clareza sobre o quanto precisamos estar organizados enquanto rede. Se muitas vezes não podemos contar com o apoio efetivo dos nossos estados, precisamos e estamos construindo nossa própria rede de apoio entre associações nordestinas.
O encontro deixou evidente que as associações não são iniciativas improvisadas. Somos nós que sustentamos, na prática, o acesso à cannabis medicinal para milhares de pessoas. Somos nós que acolhemos pacientes, orientamos famílias e garantimos que o cuidado chegue onde o Estado ainda não chegou. Por isso, não podemos aceitar que continuemos sendo tratados como se estivéssemos em uma “caixa de areia”, enquanto a regulamentação avança primeiro para a indústria farmacêutica, algo que, sejamos sinceros, já sabíamos que aconteceria.
A pergunta que segue ecoando depois do Festival Diamba é inevitável: quando é que as associações vão sair da caixa de areia? Quando será reconhecido, de forma justa e concreta, o papel central que desempenhamos na construção dessa política de cuidado? O Festival foi mais do que um evento cultural, foi um chamado à organização, à união e à luta. Voltei da Paraíba com o coração fortalecido e a certeza de que o Nordeste está se articulando, se reconhecendo e se fortalecendo enquanto movimento.
Gratidão ACAFLOR!
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