Por Papa Flor
Apoio: Flora Urbana

Vamos falar por onde tudo começou? Pois é, legalizou! Mas para maconha ser legal para uso medicinal, teve a mãe plantando em seu quintal.
Alguns temas chegam como vento que atravessa a pele: não fazem barulho, mas carregam memórias, dores e revelações. Falar de mães que usam cannabis medicinal é revisitar esse território onde o amor pulsa forte, mesmo quando o mundo insiste em colocar sombras sobre a luz.
Pelas mãos de mães, a cannabis medicinal começou a respirar no Brasil. Antes de qualquer regulamentação, antes de qualquer resolução da Anvisa, elas cansadas, exaustas, mas movidas por um amor que não aceita limites que bateram nas portas do Estado, enfrentaram tribunais, deram entrevistas, expuseram suas histórias e romperam o silêncio. Não foram médicos, nem políticos, nem grandes instituições. Foram mães.
Mães que seguraram seus filhos no colo e disseram, com a firmeza de quem já perdeu tudo menos a esperança: “Meu filho tem direito a viver sem dor.” Esse ativismo materno, tão íntimo quanto revolucionário, abriu caminhos, mudou legislações, sensibilizou juízes e obrigou o Brasil a olhar para a cannabis para além do estigma. A legalização do uso medicinal não nasceu de laboratórios, nasceu do amor. E foi o amor delas que empurrou o país para o futuro.
E, paradoxalmente, mesmo tendo sido protagonistas dessa conquista, essas mães continuam enfrentando o medo e a culpa. Não a culpa natural da maternidade, essa que todas conhecem, mas uma culpa imposta, moldada pelo preconceito. Culpa por tentar algo diferente. “Vai drogar o seu filho com maconha?”, é o que elas mais escutam.
Quando essas mães ousam dizer em voz alta o nome do tratamento, o julgamento vem rápido. Vem através dos olhares, em comentários em tom de “piada”, é como se o cuidado precisasse sempre seguir o roteiro que o outro espera; como se o amor tivesse regras.
Então quando conhecer uma mãe que escolheu a maconha medicinal para seus filhos, olhe com cuidado o ato de coragem. Não é aquela coragem grandiosa, que pede aplausos. É a coragem do dia a dia simples, firme, feita de cuidado e intuição.
Essas mães atravessam dúvidas, perguntas e medos. Mas, no fundo, seguem guiadas por algo muito básico: o desejo de ver o filho melhor. A cannabis entra como possibilidade, como respiro, como uma porta que talvez se abra onde antes só havia cansaço. E é preciso coragem para, mesmo com receio, empurrar essa porta.
Coragem para enfrentar olhares curiosos.
Coragem para explicar o que muitos ainda não entendem.
Coragem para confiar no próprio olhar, no próprio estudo, na própria vivência. Que possamos aprender com essas mães a revolucionar,
Que a culpa se dissolva e que a coragem de fazer mudanças nos guie.
Bora cultivar?
Comente o que achou do texto e me conte o que quer ver nas minhas próximas colunas lá no Insta da Breeza, o @breeza_revista, ou no meu, o @papaflor_.