Por Murilo Nicolau
Apoio: Murilo Nicolau & Associados
O governo federal descumpriu o prazo estabelecido pelo STJ e não entregou, até 30 de setembro de 2025, a regulamentação do cultivo de cânhamo no Brasil. O atraso não é apenas um detalhe burocrático, significa que mais uma vez o país perde a chance de se inserir de forma estratégica em uma cadeia produtiva que movimenta bilhões de dólares em todo o mundo.
O discurso oficial aponta para a criação de um marco regulatório seguro e responsável. Mas, na prática, a principal barreira já está anunciada: o limite de 0,3% de THC. Essa cifra, importada de legislações estrangeiras, ignora as condições climáticas brasileiras e possivelmente inviabiliza financeiramente o cultivo em larga escala. A cada safra, qualquer desvio natural na planta poderia transformar o agricultor em criminoso, um risco que nenhum empresário está disposto a correr.
O resultado previsível é um mercado artificialmente travado, onde apenas grandes corporações, com recursos para arcar com tecnologias caras de monitoramento e destruição de safras, terão condições de operar. O cidadão comum ficará de fora.
Enquanto isso, relatórios da Embrapa estimam que a regulamentação da cannabis, incluindo o cânhamo, poderia gerar centenas de bilhões de reais até 2030. Mas, sem regras claras, a indústria permanece na incerteza, investidores recuam e agricultores perdem uma oportunidade histórica de diversificação de culturas.
O cânhamo brasileiro segue preso não a questões técnicas, mas por escolhas políticas. Quem se beneficia com isso tudo?
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