
Todo mundo tem uma opinião sobre a Gretchen. E ela não tá nem aí pra nenhuma delas, afinal, só ela conhece as dores e delícias de ser Gretchen, uma mulher que sempre fez o que quis, e que acredita no amor sobre todas as coisas.
Nesta conversa com nossa editora Anita Krepp, Gretchen fala de amor, claro. Pelo marido, com quem está há 5 anos, pela vida em Portugal, onde ela jura nunca ter sofrido xenofobia, e pela cannabis, uma planta que ela diz ser maravilhosa.
Gretchen descobriu o poder terapêutico da planta quando precisou tratar de um problema no útero, e, desde então, faz experimentações com diversas formas de uso, seja em óleo, creme, pomada, gummie e até supositório.
Nesse papo, ela também contou como era a realidade das substâncias nos bastidores do programa do Chacrinha, falou sobre os cuidados necessários para procedimentos estéticos e sobre os caminhos que percorreu para se tornar uma nova mulher, mais tranquila e centrada.
Gretchen, você tá morando em Portugal há um tempinho, né? O que você tá achando?
Não, eu já morei em Portugal, só que morei em outra região. Morei no Algarve, morei em Guimarães. E morei sete anos em Mônaco, na França.
E aí, como é que tá sendo em Portugal, com tantos brasileiros, me conta.
Então, na verdade, nós moramos num lugar de Portugal que não tem tanto assédio, porque nós moramos a 20 quilômetros de Coimbra. Numa região muito, muito pitoresca, pequenininha. Então, a gente não tem muito assédio.
Mas, assim, a vida em Portugal, o que você tá achando?
Ah, amando, né? Nós temos um apartamento em Belém. Agora é verão, e meu marido trabalha muito por aqui, porque como ele faz aqueles shows sunset, ele toca saxofone no pôr do sol, então ele trabalha bastante nessa época do verão aqui. Mas a gente ama Portugal, a gente ama morar aqui, nossa vida aqui. Nós somos sênior (risos). Você sabe que eu tô com 66 e ele tá com 52? A gente tem uma vida muito tranquila, acordamos cedo, vamos pra academia… Daí hoje, por exemplo, nós fomos… Imagina que a gente vai fazer isso no Brasil. Nós fomos pra uma piscina pública, fomos tomar sol, coisa que a gente jamais faria no Brasil. E aqui é super tranquilo, não tem quase ninguém. A gente toma sol o dia inteiro, vamos pra casa, eu faço comidinha… Porque adoro cuidar das minhas coisas, até porque aqui na Europa, a gente não tem empregada. Então eu vou, faço comida, a gente almoça, ele vai gravar alguma coisa ou vai ler, eu vou resolver minhas coisas. E quando são 21 horas, nós estamos na cama.
Temos acompanhado muitos casos de xenofobia contra brasileiros em Portugal, vocês já passaram por algo do gênero?
Olha, eu vou ser muito sincera com você, a xenofobia existe quando você não vive a cultura do país, quando você quer dar o seu jeitinho brasileiro de viver em outro país, aí é lógico que você vai ser maltratado. Nós nunca fomos maltratados aqui. Nós nunca tivemos problema de xenofobia, muito pelo contrário. A gente mora numa aldeia e os portugueses que moram lá amam a gente. Sabem que somos muito conhecidos no Brasil. A junta de freguesia da onde a gente mora já nos contratou pra fazer show na festa da cidade, e eles adoraram. Mas por quê? Porque nós vivemos a cultura europeia. A gente vive a cultura do país, a gente não quer dar o jeitinho brasileiro. Então o que eu acho é que existe xenofobia, mas existe também brasileiro que quer viver igual no Brasil, e é impossível. Eu sou brasileira, mas eu não vou defender. Por exemplo, saiu nas notícias que um português jogou uma pedra numa brasileira. Eram mais de dez horas da noite, elas estavam as duas gritando, rindo no meio da rua. Você sabe que aqui todo mundo dorme cedo, que todo mundo trabalha muito cedo. Então quer dizer, tomou uma pedrada. Deveria ter sido feito? Não. Mas o cara tinha razão? Tinha. Porque você tem que respeitar que 22 horas são o horário do silêncio.
E Gretchen, como você, que faz parte da história da televisão no Brasil desde os primórdios, vê a televisão hoje em dia? Como é que você analisa a TV brasileira hoje?
Eu acho que hoje a TV brasileira tá meio morta, porque agora o streaming é a moda. Todo mundo quer saber de assistir os filmes, assistir os programas, primeiro, sem muita propaganda. Depois, a TV brasileira, como, por exemplo, os realities, todos puxam pra violência, pras agressões. Acham que isso é legal nos programas. Então, eu acho que a TV brasileira perdeu muito. Na minha época, era muito musical, era o Bolinha, o Chacrinha, o Globo de Ouro, tinha muitos programas musicais, era outra realidade.
Você participou de mais de 10 realities nos últimos anos. O que te motiva a participar? É pela grana ou o que exatamente?
Não, grana não, porque não é um grande cachê. Quando eu participei, logo no começo, era pra mostrar como eu sou de verdade. Porque a gente, nos programas de TV, não tem essa oportunidade de ficar tanto tempo no ar, nem de você se expressar como você realmente é, mostrar sua realidade. E o último programa que eu fiz, que foi o Power Couple, foi exatamente na intenção de mostrar a realidade minha e do meu marido. Todo mundo acha que a nossa vida é fake, que a gente posta nossas coisas na internet, escrevem assim… “Ah, só na internet, duvido que na vida deles seja assim”. E aí, o pessoal viu que a nossa vida é assim, que nós somos assim, que a gente vive essa realidade de verdade. Eu cuido dele, ele cuida de mim, nós somos muito unidos. Nós somos muito cúmplices, muito companheiros. E é isso que a gente quis passar nesse programa.
Pode-se dizer que quem assistiu a todos os seus realities te conhece realmente na sua intimidade?
Olha, conhecem, porque eu nunca fiz um personagem. Na época que eu fiz A Fazenda, era uma realidade. Na época que eu fiz o Power Couple, era outra realidade. Eu era muito mais explosiva, muito sangue quente. Mas, agora, eu mudei muito, amadureci muito. Então, quando eu fui pra esse novo reality, as pessoas esperavam aquela Gretchen de anos atrás que não existe mais. Eu sou uma mulher muito mais madura, muito mais centrada, muito mais calma. Tenho um relacionamento estável, nós temos uma vida muito tranquila, diferente daquela vida que eu tinha. Então, quando eu cheguei e mostrei essa nova Gretchen, talvez não tenha agradado todo mundo. Agradou, acredito que 90%, mas teve um 10% que se incomodou de eu não fazer barraco, não fazer escândalo, não gritar, e de ser uma pessoa ponderada.
Me conta um pouco dessa nova Gretchen. O que impulsionou essa mudança em você?
Não foram vários motivos que me fizeram mudar, foi um só, o meu casamento com o Wesley. Ele é uma pessoa extremamente calma. Ele é uma pessoa que fez com que eu me estabilizasse principalmente emocionalmente. Por quê? Porque quando eu dava aquelas explosões, ele falava muito baixo comigo, ele sentava na minha frente e dizia assim… “Mas o que você gostaria de falar pra mim? O que é que está te incomodando?” Mas assim, num tom muito baixo. E eu morria de vergonha de estar fazendo aquelas explosões, de gritar. E foi assim que eu comecei a mudar meu jeito. Fui mudando por causa da paciência dele, da calma dele, do tom de voz. Ele nunca levantou a voz pra mim. Ele não tem essa coisa de gritar, ele não gosta de grito, ele não gosta de briga, e isso foi me fazendo amadurecer.
Você foi sempre acreditou no amor…
Pra mim tá consumado, eu não preciso procurar mais nada, porque a pessoa que eu desejava, do jeito que eu desejei, tá tudo nele. Eu queria um homem que fosse fiel, primeira coisa, porque eu fui traída inúmeras vezes. E eu queria um homem que não fosse agressivo, que fosse trabalhador, honesto, carinhoso. Enfim, ele reúne todos os quesitos que eu queria num homem. Eu consegui me realizar emocionalmente, acho que o meu grande problema era eu não me realizar emocionalmente. Se eu não me estabilizasse emocionalmente, eu acho que ia ser pra sempre daquele jeito. Eu sempre fui daquele jeito, exatamente porque eu não tinha essa estabilidade emocional. E depois que eu casei com ele, desde entao são cinco anos de paz na minha vida. Eu só tenho paz. Por isso tá consumado. Por quê? Porque eu não tenho nem como querer pensar em ter outra pessoa na vida, não vou conseguir encontrar tudo que eu tenho nele.
Você foi diagnosticada recentemente com ansiedade e depressão, inclusive, você saiu do último reality por conta disso. Você usa cannabis para combater esses sintomas?
Sim, eu já conhecia antes, eu usava cannabis pro meu útero. Eu tava com adenomiose, e fiz um tratamento, na época, com cannabis, que foi muito bom. Mas o caso é que meu útero já tava muito grande. Se eu tivesse começado logo que eu desconfiei, talvez eu nem tivesse tirado o útero. Mas também, com 66 anos, por quê que eu quero útero? Já tive seis filhos, tá bom demais, né?
Você conheceu através da sua médica?
A minha médica que faz a minha reposição hormonal me apresentou. Eu uso um produto da Humora, sempre, no Brasil. Aqui na Europa é mais fácil, a gente vai na loja e compra. Uso principalmente os gummies, os cristais, os óleos. Os óleos são muito importantes.
Então você tem acesso aí muito mais facilitado?
Todo lugar da Europa, porque tem as lojas no meio da rua.
Como é que foi a sua história com a cannabis?
Ah, é maravilhosa. Foi depois que eu vi um caso de uma pessoa com Parkinson e a pessoa não conseguia segurar um copo pra tomar água, mas depois do tratamento, ela começou a viver uma vida normal. Aí eu fiquei encantada, mais encantada ainda do que eu já era. E os óleos, os óleos de passar quando a gente tá com alguma coisa inflamada. É muito legal, é muito perfeito. A minha experiência com cannabis é maravilhosa. A cannabis medicinal é um grande achado na ciência mundial. E espero que as pessoas, por causa de preconceito, não deixem de experimentar. Porque é uma liberdade.
Você sofreu algum tipo de preconceito por usar cannabis?
Não, porque eu já vivia aqui na Europa e também eu nunca comentei sobre isso. A verdade é que ninguém nem sabe.
E experiência com a forma fumada, você já teve?
Não. Nunca.
Te interessou?
Não, porque primeiro, eu não fumo, e tenho uma alergia à fumaça muito grande. Eu não posso nem com gelo seco de show, tenho um problema sério com fumaça. Fumaça de cigarro, fumaça de qualquer coisa. Fumaça de churrasco, fumaça em geral.
E Gretchen, é difícil alguém que tenha vivido os anos 70 e não tenha tomado um LSD ou um cogumelo. Como é que foi pra você?
Nada, nada. Eu odeio, droga.
É mesmo?
Eu tenho um problema sério, quer dizer, não sei se é um problema ou se é uma qualidade, mas eu não gosto de sair do meu equilíbrio. Tenho que estar sempre muito atenta às minhas coisas. Exatamente porque eu danço, eu nunca podia perder meu equilíbrio. Tanto é que quando eu tinha crise de enxaqueca… Coisa que eu tinha muito antes da reposição hormonal, e eu ficava arrasada, porque eu tinha aquelas enxaquecas que a gente perde a visão, e eu não conseguia ter a dimensão do palco pra eu poder dançar… Aquilo me deixava muito incomodada, daí eu nunca quis nem experimentar, porque assim, nunca tive vontade mesmo. Meu pai, tudo bem, era muito rígido. Mas meus pais nunca proibiram, nunca falaram “Não, você não vai fazer”… Acho que por isso eu também nunca tive vontade.
Como era na época do Chacrinha? A maconha já era normal nos bastidores ou tinha outras substâncias?
Álcool é uma coisa que até que eu vivi, por causa do meu pai, que era alcoólatra. Mas assim, eu presenciar, nunca presenciei. Até porque todos eles sabem que eu não sou acostumada. Então, quando… Se algum artista fazia, não fazia na minha frente.
Você seguiu a linha dos seus pais na educação sobre drogas para os seus filhos?
Eu nunca proibi nada pros meus filhos. Nunca. Eu acho que proibir é você incentivar a pessoa a fazer. Porque quando você proíbe, a pessoa pensa “bom, se proibiu é porque deve ser legal, deixa eu experimentar”. Por exemplo, bebida aqui em casa. A minha filha agora tem 15 anos, e eu falo pra ela, vamos tomar uma cerveja juntas? Por quê? Porque eu prefiro que ela aprenda a beber socialmente comigo do que no meio da rua, com um amigo, com um namorado que vai embebedar ela, que vai drogar ela. Então, eu tenho uma abertura muito grande com os meus filhos sobre qualquer assunto.
Você recentemente passou por uma retirada de PMMA dos lábios. Você teve outros problemas com outros procedimentos estéticos?
Eu tirei o PMMA dos lábios, mas eu botei no bumbum (risos). Faz uns três anos que eu fiz a primeira retirada do PMMA da boca. Daí, há uns seis meses eu fiz a segunda, que tirou quase tudo. Mas faz, tipo, dois meses que eu botei o PMMA no bumbum e na perna (risos).
E aí?
Tô maravilhosa! (risos)
Mas por que uma parte do corpo dá certo e na outra parte tem que tirar?
Porque na época que eu botei, isso foi há 30 anos atrás, era aquele PMMA antigo, que dava problema, que fica embolotado, granulado. Eu tive problemas de ficar com a boca bem feia. E esse novo PMMA que eu usei no bumbum já é esse PMMA de agora. Eu vou te falar a marca, mas não tem nada a ver. Eu uso o Biosimetric, é maravilhoso! Eu amei, tô amando minha perna, tô amando meu bumbum. Não me deu problema nenhum, porque uma coisa é PMMA, outra coisa é o hidrogel, que não usei. E fiz com um profissional extremamente conceituado.
Tem gente que é muito contra e tem gente que é muito a favor de procedimentos estéticos, como você analisa a questão depois de ter passado por alguns deles?
Tá à disposição pra todo mundo, só que as pessoas têm que saber com quem faz. Aquela história do “ah, mas é bem baratinho com esse”… O barato sai caro. Eu só faço com os melhores profissionais. Minha região íntima, eu tenho quem faça também. Então, assim, não adianta as pessoas “ah, não, mas eu vou fazer esse aqui pra você na parceria”. Não quero. Eu quero fazer com os meus profissionais. Porque meus casos nunca deram problema. Nunca comigo deu errado, minhas plásticas sempre deram certo, porque eu faço com os melhores profissionais.
O que é a beleza pra você hoje?
A beleza hoje é interna. Aliás, sempre foi. Eu nunca tive problema com beleza exterior. Tanto é que quando eu me casei com o meu marido, todo mundo falava: “Nossa, mas ele era de um jeito, ele agora tá de outro, você transformou ele”. Pra mim, ele era lindo desde o dia que eu o conheci. Porque pra mim não existe essa coisa de ver, essa pessoa é bonita. Porque eu conheço pessoas bonitas e que são horríveis. Horríveis. E conheço pessoas que, pra alguns, são feias fisicamente, mas que, pra mim, são lindas. Eu conheço mulheres gordas lindíssimas. Não tenho esse problema de gordofobia, não tenho problema com preconceito. Eu quero conhecer a pessoa, saber como ela é. Se ela for uma pessoa legal, se ela for uma pessoa inteligente, agradável, que me faz coisa boa, eu não me importo com aparência.
Nesse momento de tensão entre Brasil e EUA, com essa guerra tarifária imposta por Trump, lembrei que você já tinha tido uma questão com o seu visto nos Estados Unidos. Essa questão já foi resolvida?
Não foi, nem quero que seja. Porque eu não faço nenhuma questão de estar nos Estados Unidos. Eu sempre vivi na Europa. Se eu for contar todo o tempo que eu vivo aqui na Europa, são praticamente 15 anos. Eu tive esse problema há muitos anos atrás nos Estados Unidos e nunca tive vontade de voltar. Eu amo a Europa, não sinto um pingo de falta. “Ah, mas e a Disney?” Tem Disney em Paris, entendeu? Idêntica à Disney dos EUA. “Ah, mas tem os parques”. Bom, as praias daqui da Europa são maravilhosas. No ano passado, nós fomos pra Mykonos. Eu tenho um amigo em Ibiza que me pede milhões de vezes pra gente ir. A Itália é maravilhosa. A França, onde nós moramos… Então, assim, não tem por que eu ir para os Estados Unidos, não faço nenhuma questão.
Me conta seus planos, Gretchen…
Olha, na nossa idade, Anita, a gente não faz planos, a gente vive a vida. A gente vive um dia de cada vez. A gente não sabe nem se vai amanhecer amanhã, né? Eu e meu marido já estamos naquela fase em que a gente já concluiu tudo que a gente queria. Nós já temos nossa casa, nossos filhos estão criados, nós já temos netos. Então, agora eu quero continuar tendo essa vida que a gente tem. Uma hora aqui, outra hora em Mykonos, outra hora na Itália. Em outubro, no Brasil, a gente vai pro Círio de Nazaré. Amo o Pará. É o lugar onde eu conheci meu marido, onde eu ganhei minha filha do coração. E o Círio de Nazaré é muito importante, porque foi por causa da promessa que eu fiz pra Nossa Senhora de Nazaré que eu me casei com ele.
Qual foi a promessa que você fez?
Eu fiz uma promessa quando eu o conheci. No Círio de Nazaré tem uma corda onde as pessoas vão agarradas nela, e eu prometi que se eu me casasse com ele, eu ia na corda pro resto da vida. Então, todo ano eu tenho essa promessa, todo ano, no Círio, eu tô lá na corda. (risos)