Na Breeza

Tantão de carne, com pitadas de psicodélicos

Pedro Amaral nos conta a história breezada de como disse ter resolvido seus problemas de saúde com cogumelos, picanha e vipassana, depois da medicina regular não ter dado conta
17|04|25

É inusitada a bio de Pedro Amaral no Insta: “Usando psicodélicos, carne, jejum e Vipassana para resolver o que 30 médicos não conseguiram”. Seria o Santo Graal ou outra panaceia?

Em entrevista para a Breeza, o mágico, influenciador, praticante de parkour, dentre outros, nos conta como foi e é sua experiência com o próprio corpo e mente. “A coisa tava muito feia, com pensamentos ruminantes de culpa, de pular na frente do carro, chorava andando na calçada”, diz ao recordar de uma cena de 2020. Foi então que ele descobriu, primeiro, a cetamina. 

“Até então tinham sido doze anos de terapia, quinze psiquiatras, três medicamentos diferentes, hipnoterapias, três anos de meditação, meditei tanto que comecei a namorar a professora”, lembra. As doses de cetamina eram em uma clínica psiquiátrica. “Sete sessões e nada”.

No meio de seus processos, teve diversas formas de ganhar dinheiro, como fazendo shows de mágica e dando aulas de parkour. Naquela época, julgava-se desempregado desde 2018, havia parado para cuidar da saúde, com o auxílio financeiro de um tio generoso.

Ao mesmo tempo, sempre foi próximo das redes sociais, em particular com o YouTube, no qual desde os 15 anos de idade mostrava seus truques de mágica. Agora perto dos 30 anos, usava seus canais para falar sobre os problemas de saúde que enfrenta, como a depressão e dores no corpo, e suas experiências em busca de cuidado, remediar e, quem sabe, alguma cura.

Além dos remédios tradicionais, havia experimentado com cannabis e com substâncias como LSD. “Cogumelos me davam receio”, conta. Alguns de seus seguidores lhe recomendavam tratamentos como com psilocibina. “Tava desesperado, se dizem que funcionava mesmo, queria ver se funcionava”.

A primeira tentativa lhe deu muitos efeitos colaterais, com náuseas; na primeira vez que testou ayahuasca, em um ritual, diz que também sofreu de “toxidade altíssima”. Ele afirma que buscava caminhos de respaldo científico, lendo procedimentos e artigos na internet, com especial fascínio por algumas pesquisas da Universidade Johns Hopkins (EUA).

Durante os usos de cogumelo, ele coloca venda no olho, coloca o fone de ouvido com músicas clássicas e de tom fúnebre; assim como sugerem os protocolos da Johns Hopkins, segundo sua própria leitura. Desde as primeiras experiências no fim de 2020, Pedro Amaral compartilha que realizou cinco viagens heróicas, ou seja, com altas doses. “Posso passar um ano, dois anos sem fazer (a heróica)”, afirma ele, que no restante do tempo é adepto de microdoses.

Segundo conta, sentia e sente efeitos muito positivos. “Saí da brisa que estava doente”. E agradece ao uso de substâncias psicodélicas, como também o DMT, por ter conseguido deixar os remédios tradicionais (e pesados) de lado.

E um tantão de carne

As descobertas psicodélicas vieram acompanhadas de outras mudanças de hábitos. Assim como Pedro Amaral tem voz nas redes, com seus 78 mil seguidores no Instagram e 578 mil no YouTube (que vem somando desde que era um adolescente falando de mágica), ele conta ter aprendido bastante na internet. Uma de suas referências é Jordan Peterson, psicólogo, escritor e guru da direita mundial.

“A filha dele (Peterson) tinha feito a dieta carnívora e tinha melhorado muito a depressão, a ansiedade”, conta aqui o paulista. Ele já havia cortado lactose e glúten, o que lhe fazia bem, e agora queria testar essa outra. Apesar de já ter sido vegetariano, ou talvez por isso, resolveu que passaria a comer só o que viesse de origem animal.

Para tanto, passou a se guiar por outro guru da internet, o médico Shawn Baker, principal divulgador da chamada dieta carnívora e que tem uma penca de livros, vídeos e tantos outros conteúdos do tema. Pedro resgata que em uma de suas viagens de cogumelo, chegou à conclusão: “90% da sua depressão está na barriga”.

Ele compartilha que então “tinha removido carne vermelha da dieta fazia dois anos; quando tinha muita vontade, comprava hambúrguer de planta”. A volta da carne em sua vida, em altas doses, lhe caiu como uma salvação. “Foi uma quebra da Matrix, passei por quinze psiquiatras, não é possível que eu seja a primeira pessoa do mundo a pensar que se parar de comer certas coisas, melhora a saúde mental”. Bem, talvez ele não tenha sido a primeira, né?, mas bom que deu certo para ele.

Pedro Amaral conta que toda essa transformação fez com que se livrasse de pensamentos de culpa e melhorasse de sintomas graves de seus males que nunca foram diagnosticados com precisão, ao que parece pela história que narra. Como dor, depressão e pensamentos de se ferir. “Comecei a melhorar, a energia subiu. Placebo não é, pois antes tentei muita coisa”. Agora fala que é do tipo que “acorda às 9 da manhã para tomar banho gelado, cantando mantra”.

Assim como seus ídolos na internet, o influencer passou a vender cursos nos quais dá dicas e procura guiar quem os compra, ensinando a como realizar transformações como as que fez, de psicodélicos à dieta carnívora.

Filipe Vilicic