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A SEMENTE

Como a erva me ajudou a superar a quarentena do coronavírus

Por Pastor Berlofa

É ruim até de lembrar, não é? A pandemia do coronavírus que assolou o planeta nos obrigou a entrar em quarentena. Trabalhamos, estudamos, descansamos, nos divertimos (dentro do possível), tudo em casa, com receio de ir ao mercado e voltar contaminado com um vírus mortal.

Não foi nada fácil, foram quase três anos entre idas e vindas, flexibilização e enrijecimento do lockdown. Quase surtamos. Quer dizer, muitos surtaram. Pensando bem, creio que todos surtaram, alguns apenas não perceberam ainda.

Tentando minimizar os impactos desse surto, fizemos de tudo. Cada um inventou um negócio. Com a pandemia do vírus, tivemos uma outra pandemia, um surto de lives e fazedores de pão caseiro. Fiz as duas coisas.

Infelizmente, o que aumentou muito também foi o consumo de remédios tarja preta, tarja vermelha, todo tipo de drogas (com ou sem CNPJ). Não importa onde você comprou seu entorpecente, seja na farmácia, no bar ou na biqueira, tivemos que recorrer a esses recursos como redução de danos na nossa cabeça, nas nossas emoções.

No meu caso, recorri muito ao álcool, especialmente à cerveja. Todo dia eu tomava pelo menos duas latas e pelo menos umas três ou quatro vezes na semana bebia mais, seis, sete, oito latas. Naquele momento, aquilo me ajudou como um escape, mas comecei rapidamente a sentir os efeitos negativos.

Você tem noção do que o álcool faz no seu organismo? Mas normalizamos isso, não é?

Chega a ser bonito falar que tomou um porre a ponto de se esquecer do que fez. Mas vai alguém dizer que está brisado de erva para ver os preconceitos começarem.

Além de todo o mal que o álcool causa a médio e longo prazo, comecei a ver em mim alguns desses males imediatamente, como a dificuldade em ficar sem, os gastos que aumentam, fiquei inchado, ganhei peso, a imunidade caiu, ladeira abaixo.

Foi aí que a maconha entrou e salvou minha vida!

Eu já tinha usado maconha algumas vezes na juventude, no rolê, sem saber exatamente do que se tratava. Mas foi em meados de 2021 que fui atrás da erva intencionalmente.

Acionei um amigo e pedi para ele me ajudar. Nas primeiras vezes o mano me dava o beck já bolado devido ao meu total desconhecimento de causa. E assim comecei, dando dois tapas num prensadinho, dia sim, dia não, naquele uso que a gente chama (equivocadamente) de “recreativo”.

Demorei para perceber, mas o que na minha cabeça era recreativo, começou a surtir um grande efeito positivo na minha saúde.

O álcool foi quase a zero, pois quem conhece a sensação da erva não quer mais os efeitos destrutivos do álcool. Comecei a me sentir melhor, mais saudável, e nessa época, para piorar, enfrentava também duas dores crônicas – uma no joelho esquerdo causada pelo rompimento do menisco, e outra na coluna, por três hérnias de disco. Ambos os casos foram tidos como cirúrgicos, inclusive eu estava na fila para operar. Gente, durante quase um ano eu andei de muleta pela dor no joelho.

EU E A SEMENTE

Um ano após começar a fumar maconha (e até aqui estamos falando de dar uns tapas num prensado, nada de óleo ou medicinal), percebi que minhas dores estavam quase zeradas, o que me permitiu voltar a malhar para fortalecer o corpo. Perdi vinte quilos sem fazer dieta, apenas mudando minha alimentação devido ao uso da erva.

Sim, a cannabis mexe em toda a sua estrutura, devido ao sistema endocanabinoide de nosso organismo. Minha ansiedade foi estabilizada; meu TDAH, controlado; meu exame de sangue, perfeito; meu corpo, forte e sem dor; e tudo isso apenas com maconha. Vale ressaltar aqui que desde essa época eu não utilizo nenhum remédio fármaco de forma regular.

Ao perceber tudo isso em mim, ao entender que aquela planta tinha muito mais a oferecer do que eu imaginava e do que me contaram, entrei de cabeça no mundo canábico. De 2021 para cá, fui atrás de aprender a cultivar, fiz cursos, passei com médicos, tirei laudos e consegui meu habeas corpus para cultivo e porte do meu remédio. Em 2024, viajei para o Uruguai para conhecer os coffee shops, as fazendas de plantações e ter experiência num país legalizado.

Hoje planto minha medicação em casa, orgânica, com amor, carinho, deixo elas ouvindo música clássica, para vocês terem noção. Não dependo de farmácia nem do tráfico organizado para me medicar. Luto pela legalização, trabalho contra a desinformação e denuncio a hipocrisia de quem passa pano para químicas com CNPJ, mas demoniza a planta que nasce da terra.

Eu incentivo e atuo pelo autocultivo, inclusive tenho o “Clube do Cultivo”, onde ensino uma galera a plantar em casa, e se você quiser participar pode me mandar mensagem no direct do Instagram.

Nos últimos quatro anos tenho vivido intensamente esse universo canábico e vou compartilhar com vocês cada parte dessa trajetória. Periodicamente estarei aqui, escrevendo para a Breeza, falando sobre cultivo, extração, sementes, genética, e tudo sobre a erva. Inclusive estou iniciando meu novo cultivo com sementes selecionadas da Flora Urbana.

Se você gostou, demonstre isso, comente, curta, divulgue aos amigos, para que a desinformação sobre a maconha cesse.