Por Murilo Nicolau
No mês de janeiro chegou ao fim uma batalha judicial de 2 anos entre a Raw, e uma empresa chamada Brocone. A Raw, comandada por seu fundador Josh Kesselman, é conhecida por ser uma das maiores marcas internacionais de produtos para cannabis, estando à frente no quesito de inovação de produtos e também posicionamento de marca.
A decisão proferida por um magistrado do Estado de Nevada condenou a empresa Brocone a pagar 3 milhões de dólares a título de lucro de intervenção e 5.6 milhões de dólares referente aos danos sofridos à marca Raw pela cópia da Brocone.
A Brocone não apenas copiou os conhecidos escritos utilizados pela marca Raw “natural unrefined rolling papers”, mas também se aproveitou do design das embalagens e replicou todo o formato de comunicação da gigante internacional, incluindo outros produtos como cones pré-prontos e caixinhas porta seda idênticas à da Raw.
Durante as pesquisas para esse texto inclusive identificamos que a marca Brocone tenha talvez inspirado, para não dizer copiado, o nome de sua marca em um produto da Raw chamado Cone Bro, uma marica de vidro para consumo de maconha.
O debate do lucro de intervenção não é novo no Brasil e no mundo e é usado para restituir o lucro obtido indevidamente por alguém a partir da exploração não autorizada de bem ou direito alheio. É um instrumento utilizado para que seja buscada a reparação integral do dano causado pelo ato ilícito, vez que se houver apenas condenação pelos danos materiais ou morais causados, a empresa que usufruiu ilegalmente de direito alheio poderá ter percebido lucros maiores do que a própria condenação de restituição do dano e ter “ficado no lucro”.
A Raw talvez seja a marca mais copiada e falsificada de toda a indústria da cannabis atual. Em 2017 a própria empresa lançou um comunicado alertando seus consumidores sobre falsificações chinesas que circulavam pelo mercado de todo o globo e passou a lutar com mais afinco contra os copiadores. A falsificações incluem não apenas as conhecidas sedas, mas também os cones pré-enrolados, piteiras e demais itens como bandejas, dichavadores e demais parafernálias.
Esse tipo de demanda judicial comprova não apenas a proporção que a indústria americana da cannabis está tomando, mas demonstra também o valor imensurável de uma marca bem posicionada, amada pelo público e com alto valor intrínseco. Tão alto que para alguns vale mais a pena simplesmente copiá-la, do que criar algo inovador.
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