Saindo da estufa

Antonio Prata: “Meus amigos maconheiros são os que mais trabalham”

Antonio Prata fumou maconha na adolescência mas nunca foi fã. Demorou para entender que aquilo não era mesmo para ele. Até gotinhas de cannabis para fins medicinais ele já tomou por um tempo, mais recentemente, mas não deu match. “Prefiro cogumelo, que tem o mesmo efeito terapêutico”, diz.

O fantástico mundo fungi fascinou Antonio, que volta para lá de visita pelo menos uma vez ao mês. Ele gosta de fazer as sessões sozinho (e aproveita para correr e praticar esportes) ou na companhia de amigos, que estão cada dia mais íntimos das substâncias psicodélicas – principalmente desde o isolamento imposto pela pandemia.

Entre as colunas para a Folha de S.Paulo e os roteiros para a TV Globo, o Pratinha também produz obras para o teatro. Por mais que a inspiração possa vir em uma sessão canábica ou psicodélica, a revisão do material é feita invariavelmente quando ele está sóbrio.

Nesse papo com Anita Krepp, editora da Breeza, Antonio Prata fala sobre estados alterados de consciência, reflete sobre como é ter um pai maconheiro e ser um pai psiconauta, e diz ter vontade de fazer viagens psicodélicas com o apoio de um terapeuta, para mergulhar nas questões desafiadoras que esse tipo de experiência traz.

Como é ser filho do Mário Prata nesses aspectos de drogas e liberdades?

Olha, sempre era uma coisa, meu pai sempre fumou maconha, sempre foi uma coisa muito natural lá em casa. Eu até tinha muito pouca curiosidade porque era uma coisa do meu pai. Quando eu descobri, na escola todo mundo já fumava e não tinha nem passado pela minha cabeça porque era uma coisa… então, acho que nesse aspecto foi uma coisa bacana, assim, de aprender o que era, como é que funcionava, de saber as diferenças de drogas, saber que maconha é uma coisa, cocaína é outra coisa, álcool é outra coisa, tabaco é outra coisa. Mas eu nunca fui muito da maconha. Eu não gosto muito da maconha. Eu não me dou muito bem com a maconha. Eu sou uma pessoa muito ansiosa e prezo muito meu superego. Quando ele relaxa, eu fico um pouco aflito.

E os psicodélicos?

Eu gosto muito de cogumelo. Para mim, o cogumelo tem outro efeito que é de uma alegria, de uma felicidade. Mas cogumelo eu tomo em pequenas doses. Já tomei quatro gramas e adorei, mas eu gosto muito de tomar um grama, meio grama. Para mim, é o mais legal. Para mim, é a cerveja dos psicodélicos.

“O cogumelo é a cerveja dos psicodélicos”

Como você usa? Quando tem uma questão específica que você quer resolver com cogumelo ou é de forma recreativa?

O Torturra ou o Sidarta, não sei quem é que fala que não gosta muito do termo recreativo. Recreativo parece que você está numa gangorra, parece que você está num playground estúpido. Na verdade, o que eu acho é que a recreação é mais importante do que cabe nessa palavra. Então, uso acho que mensalmente. Gosto de várias maneiras. Eu gosto de em festa, eu gosto de na natureza, na praia, no mato. Agora eu fui para São Francisco Xavier e tomei lá. Gosto para fazer esporte. Eu gosto muito de tomar cogumelo e correr.

Em microdose?

Não, não é microdose, é mais que microdose. Acho que microdose eles consideram até 200 microgramas, miligramas, não sei qual é exatamente a medida. Enfim, é um quinto de grama. Eu tomo meio ou um saquinho. É o suficiente para as cores ficarem mais brilhantes, mas para o sofá continuar sendo um sofá e não conversar com você sendo um elefante ou qualquer coisa do gênero.

Como você consegue esses cogumelos?

Cara, vende pela internet, tem uma brecha legal no Brasil. A psilocibina está elencada entre as substâncias proibidas, mas o cogumelo que contém a psilocibina, não. Então você compra, tem sites que você compra e chega num saquinho na sua casa direitinho. É barato. E aí é bom porque você sabe a procedência, sabe a quantidade, né?

“Gosto muito de tomar cogumelo e correr”

Então, mas para chegar a saber e conhecer essas substâncias, a gente precisa buscar a informação, porque não está aí posta. Onde é que você foi buscar informação sobre?

Ah, eu busquei bastante. Sou um pouco medroso com essas coisas, estudo bastante antes de fazer qualquer coisa, então eu li, li várias coisas, li documentário, conversei com pessoas. Até o próprio Torturra, eu perguntei para ele, quando eu quis tomar uma dose maior, falei “qual é a dose que eu posso ter uma viagem bacana, mas sem ficar em decúbito dorsal num escuro chorando?” E ele falou “qual é a graça de você ter uma experiência psicodélica se você não puder ficar num quarto escuro chorando?” E eu acho que faz todo sentido, né? Se você vai se abrir pra esse tipo de coisa, tem que estar aberto pro sofrimento e pro que aparecer de esquisito. Aprende-se muito também. Aprende-se muito também com a parte pouco prazerosa.

Sobretudo, né?

Sobretudo, é. Nunca tomei daime, gostaria de tomar daime, mas eu tenho certeza que eu vou ter uma viagem que vai ser muito dolorosa e depois parece que mesmo as dolorosas são muito positivas, mas eu não quero sentir que eu tô enterrado embaixo da terra com as raízes perfurando meus olhos.

É um pouco menos que isso, mas…

Já ouvi relatos um pouco assustadores, mas teve um revival do cogumelo, né? Não sei se a quarentena teve a ver com isso, aí saíram muitos livros, o documentário Fantastic Fung, (o livro) a Trama da Vida, a botânica tá descobrindo muita coisa. As plantas, a história do micélio, a raíz dos cogumelos que une as raízes das árvores e que faz as árvores se comunicarem umas com as outras e agora tem até um campo chamado neurologia botânica que as árvores aprendem, as plantas aprendem. Se em maio tem uma seca e a árvore passa pela seca, quando chega em maio do ano que vem, a árvore retém líquido, gasta menos energia, quer dizer, ela tem memória, o que é uma coisa meio assombrosa, porque ela não tem neurônio, não tem cérebro, não tem sistema nervoso central, então não se sabe como ela aprende, aonde fica aprendido, mas sabe-se que ela aprende, ela percebe, tem uma coisa muito legal nesse livro A Trama da Vida, através dos micélios, que são as raízes dos cogumelos, as árvores se comunicam umas com as outras. É a internet deles, uma árvore sabe quais arvorezinhas em volta são da mesma espécie e quais arvorezinhas em volta são filhas dela, ou descendentes dela, e aí ela faz uma redinha de raízes em volta, ela não só não compete pelos nutrientes e pela água, como protege essas plantinhas das plantas que vêm de outros lugares.E as árvores mais velhas têm mais conexões, é muito bonito também, tem árvores que morrem e ficam centenas de anos vivendo por aparelhos, recebendo nutrientes que as outras plantas mandam pra ela, é muito legal.

Tudo o que a gente tem a aprender… aliás, esse livro é o do italiano?

Não, o italiano é o Mancuso. O italiano é muito legal também, que eu li e esqueci agora o nome desse, é Merlin Sheldrake, chama Trama da Vida, e ele fala sobre como basicamente essas coisas de que a noção de indivíduo tá sendo meio esfarelada. A ideia de que a gente tem a microbiota, que a gente tem mais células que não são humanas no nosso corpo do que as próprias humanas, como a simbiose entre todas as espécies, uma coisa hippie bem legal.

Esse seu interesse pelos psicodélicos passa pelos livros, por buscar uma literatura a respeito?

Não, o primeiro despertar foi as coisas de adolescente, que vem pela música, geralmente você ouve Sgt. Pepper’s Lonely Hearts, Lucy in the Sky with Diamonds, The Doors e essas coisas todas aí, hoje eu me interesso muito por ler essas coisas, ler sobre isso e ver documentários, coisas assim. Me interesso às vezes até mais por ler do que por tomar.

“Eu sou uma pessoa diferente porque eu tive essas experiências psicodélicas”

Como escritor, você tem também uma necessidade de abordar, de esclarecer esse tipo de tema?

Não sei, acho que essas experiências são experiências muito fortes e que nos moldam. A gente volta diferente, a gente vê o mundo de forma diferente, então seguramente eu sou uma pessoa diferente porque eu tive essas experiências psicodélicas. Eu já escrevi uma ou outra coisa a respeito, algumas crônicas a respeito, mas não é um tema meu, não é um tema mas são coisas que me ajudam formar a minha maneira de ver o mundo. Então acho que nisso sim, isso impacta.

Essas crônicas estão em “Adulterado”?

“Adulterado” tem maconha. Nas crônicas da Folha eu já falei, mas aí a crônica é geralmente mais sobre legalização, criminalização, esse tipo de coisa. Acho que nunca escrevi uma crônica sobre experiência.

Eu li uma crônica sua em 2013, faz mais de 10 anos, que você já estava ali defendendo a descriminalização e mesmo a legalização. Como é que você se sente mais de 10 anos depois numa sociedade que ainda criminaliza?

Ah cara, é ser brasileiro, isso daí tá num pacote de tantas outras coisas erradas, é uma tragédia. Uma tragédia não pra mim, que sou esse homem branco, hétero, cis, e seria eternamente autuado como usuário. Mas é a tragédia brasileira, a tragédia carcerária brasileira é baseada na raça e na maconha, é preto e maconha, pequenos portes de maconha na mão de um preto. E aí temos aí o PCC pra se aproveitar dessas pessoas todas que vão presas e tem que se unir. É uma tragédia e eu não vejo como isso vai evoluir, porque o Brasil é muito hipócrita. Lembro quando teve a guerra dos Estados Unidos contra o Afeganistão e os caras aprovaram uma lei no Congresso para poder torturar. Parece uma coisa horrível, mas se você pensar a gente tortura no Brasil e é proibido. São duas maneiras de fazer o mal. Eles aprovaram, falaram “vamos botar os caras no waterboard aqui, vamos deixar sem dormir, vamos deixar sem comer”, e no Brasil é uma hipocrisia, aqueles deputados todos. Lembro que na época do impeachment da Dilma, todos votavam pela família e por Deus E aí tipo sete mandaram selfies deles pra mesma garota de programa, e os sete casados que dedicaram votos à família enquanto mandavam selfies pra garota de programa. Então é essa a hipocrisia, esses caras todos, é evidente que metade desses caras que votaram agora pra endurecer as leis contra as drogas usam, e assim como todo mundo faz aborto e é contra. É um país muito hipócrita, merda.

Quando eu trabalhei num clube canábico aqui em Barcelona veio um deputado que tinha votado pelo impeachment da Dilma, esse discurso pela família e contra as drogas, e tava lá, comprando maconha.

Num clube que ele não quer que no país dele esteja liberado, mas a primeira coisa que ele faz pisando fora é buscar justamente maconha. 

Entre os seus 15 e 20 anos você foi um maconheiro que nunca chegou a gostar muito. Durante esse tempo você chegou a ser preso, pego pela polícia?

Não, eu era aquele típico caso que você lê nos livros sobre adolescência que fuma porque tá todo mundo fumando e era isso o que todo mundo fazia, eu fazia também e não gostava, fez mal pra mim. Hoje em dia já tem muito mais estudo, na adolescência é muito nefasto qualquer álcool, maconha, qualquer droga, o seu cérebro tá se formando. Não é porque eu tomei droga na adolescência e me atrapalhou, tenho certeza que eu demorei mais pra arrumar uma namorada, que eu demorei mais pra me entender porque eu tava lá chapado ao invés de estar prestando atenção nas coisas. Outras pessoas têm experiências diferentes e a maconha pode ajudar a achar os caminhos, não era o meu caso. Eu acho importante isso, porque é como tudo na vida, como um automóvel, como uma britadeira, como um avião, é uma coisa que você tem que saber usar e tem que usar com muito cuidado, não é um oba-oba, um oba-oba como a gente faz com cigarro e com álcool, por exemplo, que são drogas muito mais perigosas, muito mais viciantes e que matam milhares, milhões de pessoas por ano. Se você legaliza você bota o papo na mesa, você pode falar, tem educação sexual, tinha que ter educação pra substâncias, as pessoas têm que aprender não na ilegalidade, tem que aprender na legalidade, até pra poder não querer usar, saber o que faz, o que causa. Eu não gostava e insistia até que uma hora eu falei “cara, eu não gosto disso, pronto, vou parar com isso”.

Às vezes demora pra gente entender se afinal gosta ou não.

Estranho, adolescência é uma época em que eu era muito tapado. Na adolescência eu não sabia do que gostava, do que não gostava, ia meio que fazendo o que todo mundo fazia. Para mim foi um alívio.

E você já trocou essa ideia com seus filhos ou ainda estão muito pequenos?

Estão pequenos. Outro dia o Dani, que é o mais novo, de 9 anos, eu estava falando de moradores de rua e falei que muitas vezes eles tinham problemas psiquiátricos, e daí ele falou “ou são maconheiros”. E eu falei “não, não, não é assim”. Falei da maconha, eles sabem que eu já fumei, sabe que é diferente, que tem drogas e drogas, mas não tive muito papo com eles porque eles têm 9, 10 anos, nem sabem muito do que se trata, mas é só pra tirar alguns preconceitos errados.

Aquela imagem que a gente tem do escritor alcoolizado, fumando um cigarro e  batendo na máquina de escrever, ainda faz jus?

Imagem que os escritores são responsáveis por romantizar a própria escrita, mas é uma atividade que você precisa da lucidez, não dá pra escrever bêbado, quer dizer, dá, dá pra andar de bicicleta bêbado, mas é andar de bicicleta pior do que sóbrio, então eu adoro beber, adoro tomar cogumelo, não é uma coisa que me ajude, pelo contrário, às vezes que eu já tentei escrever fumado, escrever com alguma coisa, fica ruim porque é uma coisa muito de livre associação, a escrita é um trabalho muito de engenharia, claro, você tem que ter as ideias, tem que ter a criatividade, mas as exatas entram também, não é só humanas. Você vê os escritores mais bebuns que se ferraram com álcool, o Hemingway, o Fitzgerald, são caras que o álcool cobrou um preço alto e outros, como o Bukowski, por exemplo, que escreve muito sobre bebida e tal, eu fui ler a biografia dele e ele não bebia tanto quanto os personagens, sabe, é uma coisa romantizada.

Você acha que as substâncias, então, mais atrapalham do que ajudam no processo criativo?

Processo criativo é uma coisa muito ampla, eu acho que essas substâncias ajudam a dar ideias, a trazer ideias, e você anota a ideia no guardanapo, no seu celular e para isso é bom, mas para construir, para botar a coisa de pé para você escrever, tenho certeza que atrapalha, não conheço ninguém, nenhum amigo escritor, a não ser aquelas coisas assim mais experimentais dos anos 60, tipo Leonard Cohen, tomava anfetamina e ficava 11 horas escrevendo, Kerouac também, anfetamina pra caramba e escrevia, mas mesmo o Kerouac, tinha esse mito, né?, que o Kerouac escreveu On The Road, que ele botou um papel de telégrafo na máquina de escrever e ficou, sei lá, 30 horas bebendo e tomando anfetamina e escrevendo e que daí publicou. Depois se soube que isso foi uma etapa do processo, depois ele revisou para caramba, entendeu?, revisou o que fez doidão e saiu escrevendo confuso, a ideia da droga é essa, é deixar confuso. Se você tomar uma droga e sair pensando linearmente não valeria a pena, e na hora de escrever você tem que ter sentido, tem que ter nexo.

Ficar mais preguiçoso por causa da maconha talvez seja uma coisa boa, a preguiça é uma maneira de aproveitar a vida

As drogas ajudam a lembrar de dar uma pausa no normalmente longo processo da escrita?

É, aí eu acho que mas aí eu não sei se é tanta substância você poderia ir em um museu também, você está tirando a sua cabeça daquilo, tirar a cabeça de um assunto é uma ótima maneira da cabeça pensar melhor sobre esse assunto. Mas, sim, acho que a droga é como te dar outra perspectiva, olhar de outra perspectiva é sempre bom, às vezes acontece para mim, por exemplo, de eu tomar uma cerveja e releio um texto e falo “cara, que coisa formal que estou falando”, ´eu a vi´ eu não falo eu a vi, eu falo ´vi ela´.

E o seu círculo social também está íntimo dos psicodélicos?

Muito! Eu acho que isso aconteceu muito na quarentena. O cogumelo é uma droga fantástica, não é uma droga tóxica, é impossível você ter uma overdose de cogumelo, ele não vicia, pelo contrário. A psilocibina está sendo muito usada, assim como LSD e como ayahuasca, para outras adições, as terapias que estão sendo feitas com psilocibina na Austrália, negócio com adicção, é absurdo, muito superior ao AA, que é uma das coisas que mais funcionam, os alcoólicos anônimos. Por exemplo, a Fluoxetina, que é o Prozac, e essas outras drogas que surgiram nos anos 80, que a gente tem para depressão e ansiedade, elas têm 14% de efeito, o placebo tem 12%. Essas com psilocibina ou com LSD tem 40% de eficácia e aí é uma coisa muito legal que você toma com um psicólogo, com um guia, com uma pessoa, você faz essa viagem e depois você faz uma viagem para processar o que aconteceu, para falar sobre o assunto. E ela faz uma coisa que é muito bacana, ela refaz as suas conexões. Coisas como estresse pós-traumático deixam cicatrizes neuronais, você teve uma experiência muito forte e fica um cânion, com riachos na beira desse cânion, e quando você toma essas coisas você consegue revisitar esse acontecimento, esse trauma sem a dor, e você consegue olhar para a cara daquilo, para aquela experiência ruim e tirar a dor dela é muito legal. Quando você volta dessas viagens grandes, ficam esses caminhos alternativos de brinde, até na ideia que você tinha que a maconha matava neurônio, hoje a gente sabe que isso é ao contrário, a maconha cria sinapses, a maconha depois dos 30 é um tônico importante neurológico, seria importante as pessoas poderem consumir cannabis para fortalecer o cérebro para pensar de maneiras diferentes, para criar sinapses, ficar mais esperto. Alguns preconceitos sobre a maconha, e você deve viver isso muito, a ideia de que o maconheiro é vagabundo… os meus amigos mais maconheiros são os que mais trabalham. Essa ideia é parte do preconceito. Ficar mais preguiçoso por causa da maconha talvez seja uma coisa boa porque a preguiça é uma maneira de aproveitar a vida.

As suas viagens com cogumelo você faz acompanhado de terapeuta?

Não, nunca fiz, mas estou afim de fazer. Acho que é diferente, você faz de olho fechado, com uma venda, em um ambiente controlado, com música e o terapeuta com quem você já fez sessões, é uma pessoa que sabe para onde você tem que ir, sabe que problemas você tem que acessar, é muito diferente, até quando comecei a ler sobre cogumelo os caras que são mais entusiastas acham meio mirim você tomar e ficar olhando a grama, ficar vendo cores, isso daí é fogo de artifício, muito fácil. O negócio é fechar o olho e cair para dentro, ter uma viagem introspectiva, senão fica uma Disney. É legal para caramba você ver as cores e ficar olhando o líquen na casca da árvore, mas…

Você prepara assuntos para as sessões psicodélicas?

Não levei nenhum tema, mas a primeira coisa que eu senti quando o negócio começou a bater, eu tive um insight muito bom que é “qualquer coisa que aparecer vai vir de dentro de mim e nada que vier de dentro de mim pode ser horrível”. Se aparecer um urso, sou eu. Se aparecer um diabo, sou eu. Então eu estou aqui para ver o que tem dentro. Isso deu uma tranquilidade enorme para pensar. A bad trip vem quando você tenta puxar a rédea, você tenta puxar a rédea e rédea não há, e aí você fica apavorado e quando você deixa o cavalo galopar, e você não vai cair, porque não existe cavalo, eu não estou em cima de cavalo nenhum… aí a coisa vai bem e aí foi ótimo. Todas as coisas que eu pensei foram instrutivas.

Você pretende experimentar a tal da cannabis medicinal?

Não, o cogumelo também faz a mesma coisa, eu estou bem com ele, não precisa ser a cannabis necessariamente, eu tomei várias vezes gotinha também, mas de fato não é muito a minha não, estou bem com o cogumelo.