
“A situação está trágica, estamos nesse negócio faz 2 anos”. O empresário Waldemar Jezler compartilha com a Breeza a dor de sua família: sua nora está presa na Rússia, por desembarcar com óleos medicinais de cannabis em Moscou.
A história começou a circular há poucos dias pela notícia, publicada por Andreza Matais, colunista do UOL: “Empresário pede ajuda a Janja para soltar nora presa com CBD na Rússia”. Diretor da Câmara Brasileira de Comércio Brasil-EUA em Nova Iorque, Jezler teve acesso à primeira-dama Janja da Silva em um evento de sustentabilidade na cidade norte-americana para o qual ela confirmou presença de última hora, em 19 de setembro.
Era fim de tarde e Janja estava no palco quando Jezler comentou com uma assessora do governo que iria abordar a primeira-dama. “Ela me falou ‘pelo amor de Deus, não faz isso’. E eu disse ‘Olha, eu vou abordar’!”, comenta ele.
Para o empresário, foi “algum anjo da guarda que me colocou bem na frente dela, justa no caminho dela”. Ele diz ter tido alguns segundos com a primeira-dama, mas o suficiente para lhe entregar uma carta de seu filho, Haroldo, de 37 anos.
Haroldo, brasileiro como o pai, é casado com a russa Olga Leonidovna Tarasova e ambos moravam em Nova Iorque. “É uma família inteira de brasileiros sofrendo com a situação, apesar da moça ser russa”, diz Jezler, ao defender por que o governo brasileiro poderia interferir no caso, o que é a esperança dessa família de brasileiros.
Na carta, o marido de Olga abre seus sentimentos. Segundo o pai, ele está muito deprimido e abatido. Além disso, conta que a esposa foi transferida para uma prisão nas proximidades de Kostroma, cidade-natal dela, onde é obrigada a fazer turnos de doze horas de trabalhos forçados.
Segundo o sogro conta, representando a família, seria a quinta prisão em que ela é colocada. As trocas de mensagens são raras, uma vez ao mês, e difíceis e burocráticas, pois é preciso que a irmã dela que mora na Rússia vença uma série de normas kafkianas para conseguir uma foto de uma carta escrita à mão por Olga.
Na última notícia recebida pela família, ela estaria, segundo narra Jezler, “exausta (…) trabalha o dia inteiro e não tem tempo ou cabeça pra fazer nada à noite, mal consegue qualquer tempo para rezar e meditar”.
POR UNS FRASCOS DE ÓLEO
Olga desembarcou em junho de 2022 em Moscou com o objetivo de passar uns meses com a irmã, que batalha contra o câncer. Só que foi parada pelas autoridades.
Segundo conta a família, ela foi pega com 100 gramas divididas em três frascos de cápsulas. Porém, seria tudo CBD, comprado em Nova Iorque, onde é tudo legalizado, pois já tinha o costume de consumir como remédio para ansiedade e situações de ataques de pânico (sites de notícias chegaram a afirmar que o produto era para a irmã dela, que mora na Rússia, todavia a família diz que essa informação está errada).
Mesmo assim, a acusaram de portar e traficar óleo de haxixe. A família brasileira contratou um advogado local e também uma análise das substâncias em um laboratório russo. Alega-se que nos frascos havia apenas vestígios de THC, nada de haxixe, e que não existiam intenções criminosas, apenas para consumo próprio como um remédio.
“A juíza desconsiderou todos os laudos, feitos por peritos russos”, afirma o sogro de Olga. Ela foi condenada a dez anos de prisão. “Por um CBD que aqui (em Nova Iorque) é completamente normal, comprado em farmácia”.
A JORNADA ATÉ A JANJA
Pela justiça russa, onde a família recorre às próximas instâncias, acredita-se que a chance é mínima de conseguir a liberdade. “Somos brasileiros e tentamos abordar o Brasil, pedir ajuda para um dos poucos países com relação relativamente positiva com a Rússia”, afirma o sogro de Olga, Waldemar Jezler.
Ele diz ter recorrido a diversas instâncias da diplomacia de nosso país, sem sucesso. “Veio também a ideia de ver no Congresso, de algum senador ou deputado abarcar essa e cutucar o Itamaraty. Mas isso é difícil em ano de eleição”.
Foi então que decidiram que a maior esperança seria se a presidência interferisse. Para isso, Jezler pensou em apelar a Janja, para quem entregou a carta no evento em Nova Iorque.
Como Olga não é brasileira, apesar de ser casada com um, ele acredita ser impossível qualquer caminho que seria mais regular para o caso de algum conterrâneo nosso, que numa situação dessa poderia ser enviado de volta ao Brasil por interferência do Itamaraty. Como não é o cenário, a família tenta comover Janja e Lula, como por meio da divulgação da notícia, para que em um encontro próximo com Vladimir Putin haja abertura para um pedido ao russo para que perdoe Olga.
“Teria de ser algo como o Lula e o Putin tomando um café e o presidente brasileiro fala ‘Pô, Putin, deixa eu levar ela de volta. Dá o perdão pra ela, não tinha maconha, não tinha haxixe, não tinha nada lá”, vislumbra o sogro brasileiro.
Em tempo: foi tentado contato com a primeira-dama e assessores ligados a ela chegaram a afirmar que retornariam sobre a questão, porém não houve resposta até o fechamento desta reportagem.
Filipe Vilicic