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Observatório da Planta

Pensando em organizar um evento de cannabis?

Por Murilo Nicolau

De uns anos para cá, há uma percepção clara entre todos os integrantes da nossa indústria de que estão surgindo cada vez mais eventos 4e20 por todo o Brasil.

E mais: se antes esses eventos eram o mais escondido possível, hoje em dia finalmente são divulgados abertamente, com apresentações de bandas de grande porte e debates com grandes figuras da cena.

Mas, afinal, como organizar um evento desse tipo? Existem restrições e limitações em relação à planta? Essas são perguntas que recebo toda as vezes em que estou em algum evento desse tipo, e nesse final de semana, em Itu (SP), não foi diferente.

Se pensarmos bem, organizar um evento desse tipo passa por todas as dificuldades de organizar qualquer evento de grande porte, com alguns cuidados extras em razão do assunto principal do evento ser a maconha.

Há, ainda, muito espaço para novos eventos 4e20 pelo Brasil, principalmente se eles ocorrerem em regiões que ainda não possuem esse tipo de evento. Uma coisa interessante que se tem percebido nesse mercado, inclusive, é que o surgimento de novos eventos não atrapalha em nada os outros mais antigos. Muito pelo contrário, um tem acelerado o outro e todos têm crescido em conjunto.

Além disso, assim como o público da cannabis é extremamente variado, também varia imensamente o público-alvo de cada evento: uns apostam no setor de headshop e no uso adulto, já outros estão mais focados em profissionais prescritores de cannabis ou em pacientes medicinais. Compreender bem o público-alvo é indispensável para organizar algo coeso.

Um ponto de atenção que facilita demasiadamente a organização é eleger um local que comporte com segurança o número de pessoas esperado e que tenha a capacidade de preencher todos os requisitos para recebimento dos alvarás necessários. Isso diminuirá o volume de trabalho e de gasto estruturais para cumprir as exigências de segurança.

Quanto ao tema da cannabis, não podemos ignorar que esse tipo de evento pode chamar a atenção do time contrário a um debate mais racional quanto à maconha, e isso precisa ser antecipado.

Mesmo que o STF já tenha decidido pela legalidade de eventos que reúnem manifestantes favoráveis à descriminalização da maconha, é necessário que o planejamento do evento leve em consideração os aspectos jurídicos da proibição das drogas e de seus efeitos.

No julgamento da ADPF 187, em 2011, o ministro Luiz Fux, durante seu voto, deu uma boa dica para a organização desses eventos ao mencionar ser imperioso que não haja incitação, incentivo ou estímulo ao consumo de entorpecentes e que crianças e adolescentes não sejam engajados nesse tipo de evento. Fica a dica.

Assim, é indispensável que a organização do evento siga esse tipo de diretriz. Porém, isso não garante reações políticas contrárias. Esteja pronto para esse tipo de contratempo.

O mercado brasileiro está acelerando ano a ano mesmo nestes tempos de repressão. Não há volta: a maconha será legalizada. É só uma questão de tempo e de paciência.

Tem dúvidas jurídicas sobre a planta? Toda terça, responderei às perguntas enviadas pela comunidade breezada. Envie DM pelo Instagram da @breeza_revista. Ou pelo meu, o @omurilonicolau.